A Câmara de Vereadores de Brusque realizou na noite desta quarta-feira (17) uma audiência pública para discutir a questão dos moradores de rua, com foco principalmente na Casa de Passagem e na necessidade de apoiar entidades terapêuticas que tratam os dependentes de drogas. A proposta da audiência foi do vereador Moacir Giraldi, que presidiu a sessão.
Depoimentos de ex-moradores de rua, muitos deles que foram usuários de drogas, reforçaram a necessidade de investir em projetos terceirizados de apoio a entidades de internação e recuperação dessas pessoas que são, muitas vezes, marginalizadas pela sociedade. Fazendas mantidas por entidades terapêuticas estão transformando a vida de pessoas que viviam à margem da sociedade e, recuperadas, deixam as ruas.
O vereador propositor da audiência disse que, no seu modo de entender, a Casa de Passagem instalada na Rua Hercílio Luz, no Centro de Brusque, deve ser fechada e o dinheiro lá investido ser destinado às entidades que recuperam os moradores de rua, longe da área central, não permitindo aos assistidos o acesso às drogas. “Particularmente acho que tem que ser fechada e esse dinheiro utilizado com essas como a Fazenda Canaã, a Fazenda Maranata, onde lá sim eles ficam um longo tempo afastados e têm uma chance de se recuperar”, disse Giraldi.
O secretário municipal de Assistência Social e Habitação de Brusque, Rodrigo Voltolini, que representou a prefeitura na audiência, disse que o prefeito Roberto Prudêncio Neto já assegurou que a Casa de Passagem será fechada na Rua Hercílio Luz, atendendo a um abaixo-assinado dos moradores e que foi ignorado pela administração anterior. Nesta quinta-feira (18) ele se reunirá com o chefe do Executivo para decidir se a casa será fechada ou transferida para outro local.
O tenente-coronel Moacir Gomes, comandante do 18º Batalhão da Polícia Militar, disse que a sociedade clama por uma solução. “Ela reclama, faz uma solicitação através do 190, a Polícia Militar vai no local e verifica que é uma situação de morador de rua e que não está praticando um crime, não está praticando uma contravenção penal, está simplesmente ali, no local, e a sociedade, muitas vezes, se sente mal com aquela situação”, exemplificou o comandante.
Para o tenente-coronel, ter uma solução na área social é fundamental, que seja casa de passagem, centros terapêuticos, um hotel, para a Polícia Militar o que importa é dar uma solução final. “Nós não queremos tratar o morador de rua como um bandido, um delinquente, evidentemente o que não é, na maioria das vezes. O que a gente quer que seja feito pelo pela Prefeitura é uma solução adequada e digna”, reforçou.



