Pais que esperam por vagas no Centro de Educação Infantil do Rio Branco, cuja obra foi viabilizada através do programa do Governo Federal Pró Infância, vão ter que esperar um pouco mais. No mínimo até o ano que vem. A obra, iniciada em março de 2012 e com previsão de entrega naquele mesmo ano, está paralisada e sem previsão de reinício dos serviços.
No local, material de construção como telhas, ferros e lajotas estão empilhados por todos os cantos. Alguns itens se misturam a céu aberto com o mato que cresce rapidamente. Chamam atenção, logo em uma das entradas do terreno, duas caixas de água, com capacidade para 15 mil litros, deixadas ali. Canos de PVC, armações de ferro, madeiras de caixaria, fios e buracos podem ser vistos por todos os lados. A visão é de total abandono.
No local, as únicas movimentações são de crianças que brincam pelas ruas próximas e adultos com olhares desconfiados com quem chega por ali. Ou então moradores que usam o terreno onde fica a estrutura, entre as ruas Elmo Horst e Maria André de Freitas, no Jardim das Bromélias, para ir de um lado ao outro. “Passo sempre aqui para ir na minha comadre, que mora no lado de lá”, disse uma moradora afirmando que não tem visto ninguém trabalhando no local há muito tempo. “Seria bom que terminasse. Tem muitas mulheres aqui que precisam de uma creche para os filhos e estão enfrentando dificuldade”, frisou ela.
Obra deveria ter sido concluída em oito meses
A obra da unidade do Rio Branco foi iniciada no dia 5 de março de 2012, com prazo estipulado de conclusão para o dia 5 de dezembro daquele ano, anunciando-se que ela ofereceria em torno de 250 vagas. O valor inicial era de R$ 1.198,983,03. Em julho de 2013, a prefeitura afirmou que outra empresa tomaria a frente dos trabalhos, JSG Construção e Revitalização, de Guarapuava (PR), com prazo de término em sete meses, o que acabou não ocorrendo. De lá para cá, já se vão três anos e três meses.
O presidente da Associação de Moradores do Rio Branco, Rogério da Silva, lembra bem da expectativa que se criou com o anúncio dos serviços de construção da unidade em 2012. Para ele, o barato sai caro e a prefeitura tem grande responsabilidade porque, durante o andamento dos serviços, não verificou se a obra estava sendo executada corretamente. “Na terceira licitação, a prefeitura disse que fizeram a coisa torta e que não iria pagar pela coisa torta. Mas se foi feita torta, existe engenheiro na prefeitura que deveria acompanhar a obra e não acompanhou. Agora vão fazer uma nova licitação e quem é que vai ser prejudicado?”, questiona ele.
A ansiedade dos moradores é tamanha eles mesmos se colocam à disposição para dar sequência aos trabalhos. “Nós vamos lá e ajudamos. Às vezes é para passar uma fiação, levar carrinhos de areia, limpar ao redor. Quantas mães precisam urgente de creche e não têm e nós temos lá, quase pronta”, desabafa ele.
Unidade não é a única do Pró Infância com trabalhos em atraso
A continuidade das obras da unidade do Rio Branco depende de duas outras situações. Uma delas é a abertura de um novo processo licitatório e a conclusão dos trabalhos em outra unidade do Pró Infância, no Bairro Santa Luzia. Isso porque uma equipe técnica da prefeitura está elaborando uma avaliação das condições em que se encontram as duas obras para depois decidir o que será feito. A informação é do diretor do Departamento Geral de Infraestrutura (DGI) da prefeitura de Brusque, Aurélio Tormena.
“Acredito que, talvez, final de agosto consigamos colocar para licitação. Infelizmente, no caso do Rio Branco, que é a metade da obra que tem que licitar, demora um pouco mais. Talvez no Santa Luzia consigamos terminar ainda este ano. Vamos estudar a possibilidade de a prefeitura mesmo continuar a obra”, pontua ele, afirmando que um processo de licitação leva em torno de ate 45 dias somente para a publicação do edital. O processo de avaliação que está sendo feito deve ficar pronto até início de julho, acredita.
Tormena justifica que a obra do Rio Branco está parada por conta da má qualidade do serviço que vinha sendo realizado. Enquanto a unidade do Bairro Santa Luzia está com as obras mais adiantadas, em torno de 80% dos trabalhos concluídos, a outra não chegou nem à metade.
Moradores denunciam furto de materiais
A demora na continuidade das obras da unidade de educação infantil do Rio Branco pode estar causando outro prejuízo. Moradora daquela região denunciou à Rádio Cidade que o material lá depositado e que deveria ser usado na construção da estrutura pode estar sendo furtado. A falta de vigilância e o abandono do local estariam facilitando tal ação.
O diretor do DGI diz desconhecer a situação, mas que vai mandar verificar se a informação procede. Tormena afirma que, apesar de ter tomado conhecimento do caso pela reportagem da Rádio Cidade, já há um processo para contratação de segurança para vigiar o local à noite. De dia, a presença das equipes que fazem as avaliações da situação da obra deve inibir a ação de pessoas mal intencionadas.
“Haverá pessoas lá direto, de manhã, à tarde e à noite. Ou seja, se estiver acontecendo, com a presença desse grupo isso será sanado. Lamentamos, porque é uma obra para a comunidade, um bem público e temos que gastar dinheiro com segurança para cuidar que não furtem algo que servirá para outras pessoas ou mesmo para os filhos dos que, porventura, estejam fazendo isso”, disse ele.



