Bosio não descarta deixar PSD

Política. Esse é foco de Jones Bosio no momento. O ex-secretário de Desenvolvimento Regional de Brusque e agora presidente da comissção provisória do PSD brusquense também poderia ser chamado de "possível futuro candidato a prefeito", conforme o que ele mesmo declara em suas intenções.
Ele esteve na manhã de hoje no programa Rádio Revista Cidade e conversou com os apresentadores Dirlei Silva e Rodrigo Santos sobre presente, passado e futuro tanto seus como do seu partido e deixou bem claro: deseja assumir a prefeitura de Brusque. Segundo Bosio, informações circulam pelos bastidores de que poderia haver eleições para prefeito ou em 4 de agosto ou em 13 de setembro, porém, confirma que são apenas especulações. A única certeza que se tem até o momento é de que a eleição municipal para a substituição de Paulo Eccel está suspensa pelo Tribunal Superior Eleitoral. Não há qualquer outra definição, seja de data ou de forma de votação.
Ainda assim, Bosio demonstra não dormir no ponto. Para o caso de eleição indireta, o nome do PSD para o Executivo continua sendo Prudêncio Neto ao lado de Danilo Rezini como vice. No entanto, na possibilidade de haver eleição direta, segundo ele, o quadro muda totalmente.
Primeiro porque ele mesmo tem o desejo manifesto de colocar seu nome à disposição. E segundo porque, além dele, outros nomes também deverão concorrer internamente à candidatura, entre eles Ciro Roza, que Bosio garante estar elegível e cheio de vontade de voltar à prefeitura. "Mas tudo vai depender da convenção do partido. No caso de uma eleição direta, não sei quem vai ser o nome, mas vai haver disputa", garantiu. "Não que eu queira colocar o meu nome para apreciação, mas é natural. Eu estou na política, tenho um trabalho na SDR, na secretaria de Obras e como vereador", analisou, avaliando a possibilidade de candidatar-se. Ele voltou a mencionar pesquisas - sem dizer exatamente quais - que mostrariam que seu nome estaria bem cotado.
A saída da SDR
Bosio reafirmou também que a sua saída da SDR de Brusque foi provocada por uma espécie de sabotagem política. Segundo ele, os problemas envolvendo o seu nome com os escândalos da gestão da ex-secretária Sandra Eccel - que está sendo investigada por desvio de verba - não causou constrangimento dentro do partido em Brusque. "O constrangimento foi a nível estadual. Eu nem tinha sido notificado ainda e já estava sendo acusado pelos próprios companheiros. Estou sendo incluído em um processo referente a um período em que não era secretário. Estava afastado, fazendo tratamento de saúde", explicou.
De acordo com Bosio, ele foi incluído como o cabeça de uma negociação que foi conduzida por Sandra. As investigações, inclusive, já teriam apontado um depósito de R$ 7 mil em uma conta no nome do ex-secretário, mas, segundo ele, a quantia é fruto de uma dívida pessoal que lhe foi paga. "Como eu iria influenciar uma empresa num contrato de R$ 1,6 milhão em troca de R$ 7 mil?”, questionou. "Não tenho o que esconder. Sou muito claro. Podem quebrar meu sigilo bancário. Eu fui o alvo em um tiroteio", lamentou.
Na segunda-feira (15), Bosio foi notificado pelo Ministério Público e, a partir da data, terá 15 dias para apresentar sua defesa, o que está sendo providenciado por um advogado. "Eu poderia estar trabalhando. Recebi convites de prefeituras e até de Brasília, mas achei melhor me afastar neste momento para cuidar da minha saúde e também porque estou com a minha cabeça focada em Brusque pelo momento político ímpar que a cidade está passando", considerou.
Ewaldo Ristow
Bosio afirmou ter respeito pelo novo secretário de Desenvolvimento Regional de Brusque, Ewaldo Ristow, mas confessou que esse não era o nome que gostaria de ver em seu lugar. No entanto, nem mesmo uma amizade de longa data citada por ele com o governador Raimundo Colombo resistiu às pressões. Ele conta que, passadas as eleições em 2014, ao final do ano o seu nome para a SDR Brusque era uma tendência natural. No entanto, nas disputas entre os partidos, especialmente com o PMDB, o quadro se desenhou diferente do que se esperava e mesmo com a pressão dos prefeitos do Vale do Itajaí, seu nome não conseguiu se sustentar.
"Fiquei 30 dias na SDR e fui metralhado. Não tinha acesso a nenhum secretário, não conseguia falar com o governador. Sempre que era para arrumar R$ 20 mil para roçar a Rodovia Gentil Archer, não tinha dinheiro e agora descentralizaram R$ 370 mil. Armaram para que eu não ficasse na secretaria, não sei por quais motivos", disse. "Se o governador tivesse consideração por tudo o que o PSD de Brusque fez por ele, teria vetado isso. Mas, infelizmente, na política é assim. Não posso lamentar muito", completou. "Houve uma pressão, o governador cedeu e eu achei melhor pedir exoneração do que ficar no meio desse tiroteio. Para conseguir R$ 2 mil para roçar do Centro até Dom Joaquim para a festa, eu não conseguia. Eu já estva prejudicando a secretaria.”
Ainda assim, segundo Bosio, a promessa era de que a SDR ficaria nas mãos do PSD, o que não aconteceu. A sua indicação pessoal era o nome do atual vereador José Zancanaro. Na reunião interna, o partido optou pelo empresário Luiz Carlos Rosin, porém, todos foram surpreendidos pelo nome de Ewaldo Ristow que, conforme Bosio, já havia sido escolhido pelo menos 40 dias antes da publicação da nomeação.
Possível troca de partido
Bosio fala com respeito e consideração pelo PSD de Brusque, mas demonstra grande insatisfação em relação ao PSD estadual. "O partido em Brusque tem uma ideologia totalmente diferente do PSD de Santa Catarina. O governador Raimundo Colombo está vinculado com a presidenta Dilma e com o PT. O PSD inclusive tem dois ministérios. Quando eu era governo, não podia fazer nenhuma crítica ao Governo Federal. Mas em Brusque, nós somos adversários. Não inimigos, mas vamos disputar a eleição com o PT. É diferente do que o PSD no Estado pensa", analisou.
Essa situação faz Bosio não descartar a possibilidade de mudança de partido com vistas ao pleito municipal de 2016. “Se continuar esse descaso do PSD estadual com o PSD da nossa cidade, pode acontecer de eu sair do partido, sim. Acho que tem que ter um respeito pelo partido de Brusque. Aqui temos quatro vereadores”, ressaltou. A alternativa seria a ida ao DEM, do qual seu pai, o ex-vereador Vendelin Bosio, é o presidente atual.
Porém, tudo são apenas possiblidades. Primeiro porque não há nenhuma definição a respeito da situação do Executivo brusquense. Enquanto o TSE não se manifestar, nada poderá ser planejado. Segundo, porque tudo vai depender da convenção partidária e, de acordo com Bosio, o PSD de Brusque é bastante unido. "A partir do momento em que há uma escolha, todos se unem em torno desse nome”, frisou. Além disso, é necessário ainda observar os prazos de filiação instituídos pela Lei Eleitoral, que já estão próximos de expirar em relação às eleições para o ano que vem.
Bosio disse ainda que, apesar de não estar ocupando nenhum cargo político, continua trabalhando politicamente por Brusque em busca de emendas e outros recursos, ainda que seja apenas acompanhando o prefeito interino nas visitas aos contatos que tem em Brasília ou na esfera estadual e regional, ou mesmo em reuniões com o atual secretário da SDR Brusque. Ele se considera uma pessoa influente e, mais que isso, preparada para disputar uma eleição na cidade. "Eu me vejo naturalmente preparado para disputar uma eleição em Brusque porque conheço a cidade e tenho um trabalho realizado", avaliou.



