Brusque tem cerca de nove mil deficientes visuais

Brusque tem hoje cerca de 9 mil pessoas caracterizadas com algum tipo de deficiência visual. Os dados são do último Censo do IBGE, de 2010, e integram a base de dados da Associação dos Deficientes Visuais de Brusque (ADVB).
Para o presidente da endidade, Sidnei Pavesi, a realidade efetiva aponta que esse número chegue a algo em torno de três mil pessoas. Isso porque os dados dizem respeito a indivíduos que apresentam problemas de visão que vão desde cegueira total até miopias, astigmatismos e outras situações. "É autodeclarável essa deficiência. A pessoa que usa óculos talvez entende que tem algum tipo de deficiência e, por isso, o número se apresente oficialmente elevado assim”, pondera ele.
A ADVB tem 55 deficientes visuais cadastrados em seu quadro de associados. Estes apresentam desde cegueira total até parcial. Para ser considerada deficiente visual, a pessoa precisar enxergar menos de 30% em cada um dos olhos mesmo com o uso de equipamentos e itens considerados bons recursos visuais. Acima de 30% não se enquadra como deficiente.
Treze anos de luta
Esta semana, a ADVB comemorou 13 anos de existência. A entidade foi criada no dia 10 de junho de 2002 por um grupo de pessoas que encontrava dificuldade na busca por apoio e o desenvolvimento de ações voltadas ao público deficiente visual. Pavesi era um deles. “Tínhamos que buscar apoio em cidades como Itajaí, Florianópolis e Blumenau”, relembra.
De lá para cá, a associação ganhou notoriedade e, principalmente, espaços na sociedade. No ano passado, sua luta ajudou na criação do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Mas os avanços em torno do público chegaram no decorrer do anos. “Desde a criação da ADVB, diversas pessoas foram auxiliadas a ingressar no mercado de trabalho e a acessar os estudos em diferentes níveis, por exemplo”, conta.
Para ele, a própria população brusquense passou a enxergar o grupo de deficientes visuais com outros olhos. O que motivou os próprios a esboçar mais coragem para enfrentar a vida. Principalmente nas ruas. “Antigamente, eram pouquíssimos deficientes que andavam com suas bengalas pela cidade e, hoje, se percebe uma movimentação mais intensa. Eles frequentam os bares, restaurantes, o comércio como um todo. As pessoas com deficiência estão mais nas ruas, mais inseridas na sociedade”.
“As pessoas não declaram, mas no fundo acabam tendo um pouco de preconceito”
Segundo Pavesi, engana-se quem pensa que os maiores desafios e percalços vividos pelos deficientes visuais estão nas barreiras físicas, como andar pelas ruas se deparando com toldos, calçadas com problemas ou placas espalhadas sobre elas. O conceito que muitos guardam em si sobre a presença do deficiente visual é o que mais incomoda. “São as atitudes de quem não compreende que as pessoas, mesmo sendo cegas ou de baixa visão, têm direito de ir e vir, pois é um direito do cidadão”.
Atitudes essas que ele ilustra ao afirmar que muitas empresas resistem em contratar funcionários portadores de deficiência visual. A ideia é de que o deficiente trará prejuízo e isso tem sido um dos grandes percalços. Mas há situações mais corriqueiras e que deveriam ser simples, como a ajuda para atravessar uma rua. Poucos são os que se dispõem a isso. “As pessoas não declaram, mas no fundo acabam tendo um pouco de preconceito. Elas têm porque não convivem. A partir do momento em que têm conhecimento sobre a realidade do deficiente visual, o preconceito some por completo. Essa é nossa luta e batalha”, finaliza Pavesi.



