“Fazer uma prova de Ironman é fácil. Agora, treinar para uma prova do Ironman é desgastante e doloroso, tanto fisicamente quanto psicologicamente. Eu entrei nessa batalha de fazer o Ironman e saí com orgulho no coração de mim mesmo. Levei uma lição para a minha vida. Hoje eu vou dizer pra ti: eu sou um Ironman”.
Com repleta satisfação da própria superação, o soldado do 18º Batalhão de Polícia Militar Cleber Dell’Agnolo Soares (34) conta sobre a prática esportiva que escolheu para a sua vida.
Ele terminou a etapa Ironman Florianópolis, ocorrida no último domingo (31), com 12 horas 25 minutos e 18 segundos divididas em três modalidades: 3,8 km de natação em 1h25min13s, 180 km de ciclismo em 5h57min41s e, por fim, a corrida de 42,2 km em 4h45min38s.
Segundo ele, sua grande dificuldade nos treinos, a natação, proporcionou a maior surpresa ao término. A preparação para o circuito durou aproximadamente sete meses, com início em novembro de 2014. Diariamente, além de enfrentar a rotina de policial militar com 12 horas de trabalho quase que todos os dias, também encarava uma série de exercícios entre corrida, natação e ciclismo.
Apesar das lesões sofridas durante o treinamento, o resultado da prova foi como o esperado. “Como a gente trabalha com uma equipe especializada em triatlo, semanalmente eu recebo uma planilha de treinos e passo com a minha escala de quartel. Por exemplo, segunda-feira eu vou ter três quilômetros de natação, uma musculação e descanso o resto dia ou trabalho na PM”.
No entanto, as folgas geralmente ocorrem apenas no domingo. Na visão dele, é necessário tentar fazer as duas situações perfeitas, tanto ser policial quanto ser atleta. “Cansado ou não, tenho que fazer. Apesar de que o descanso também faz parte do treino”.
Ele nada apenas há três anos e, por isso, achou que teria dificuldade no percurso de 3,8km. Contudo, ao realizar o período de ciclismo, Soares forçou demais e acabou vendo o déficit na corrida, que era o seu forte, com uma hora a mais que o esperado.
Início
O PM ainda relembra que era um “ex-gordinho” e iniciou a prática de esportes com corridas de 5km e 10km ao mesmo tempo em que frequentava a academia Extreme. Lá, conheceu o grupo da Associação de Triathlon de Brusque (AtriBrusque). Alguns problemas de saúde, mesmo que pequenos, os fizeram mudar de vida e deixar o sedentarismo de lado.
Em 2012 começou a treinar as três modalidades e a competir como um triatleta, como no Campeonato Catarinense de Triatlo e alguns grandes prêmios organizados por empresas litorâneas. No Ironman Brasil foi a sua primeira participação.
O Ironman é uma das competições de maior dificuldade envolvendo triatlo. Está abaixo apenas do Ultraman, que também é composta por três modalidades esportivas, mas bem mais pesada, com duração de três dias.
Uma das experiências mais marcantes da sua vida de desportista foi uma competição realizada em Bombinhas, onde teve que completar um percurso de 100Km que incluíam montanhas. Foram 16h32min até a linha de chegada.
O que motiva tanto esforço? “A palavra vício talvez não seja boa, pois ele está atrelado a coisas ruins, mas vamos dizer que existe um vício bom. Sem o triatlo acho que não seria um bom membro da família, um bom amigo ou policial militar. Hoje eu me sinto melhor. Saio do treino cansado? Saio ‘morto’, mas com o coração alegre e feliz”.
Por fim, Soares agradece a todos que estiveram presentes tanto na preparação quanto no dia da prova do Ironman, inclusive as empresas que o patrocinaram, profissionais da academia e nutricionistas.
O Ironman é realizado no Brasil desde 1982 em várias etapas: Florianópolis, Fortaleza (CE), Brasília (DF) e Foz do Iguaçu (PR). Na capital catarinense, começou a ser disputado em 2001, quando teve crescimento considerável no número de participantes. No estado, a largada acontece na praia de Jurerê Internacional e em 2015 contou com mais de dois mil inscritos, entre amadores e profissionais.



