Mortadela causadora do botulismo foi distribuída em Brusque
Foi decretado na última quarta-feira (6), pelo secretário de Saúde do Estado, Dalmo de Oliveira, surto de botulismo em Santa Catarina. Foram sete casos confirmados e o primeiro levou uma mulher a óbito. Essas pessoas consumiram mortadela de um mesmo lote da marca Pena Branca, fabricada no Rio Grande do Sul. Os exames técnicos realizados pelo Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen) e pelo Instituto Afonso Pena, confirmaram a presença da bactéria Clostridium Botulinum no produto, que já está sendo recolhido do mercado pela vigilância sanitária.
Essa bactéria, que é comum no dia-a-dia das pessoas, está presente no solo, nos animais e no ambiente como um todo. O problema acontece quando ela se instala nos alimentos devido à má manipulação no processo de produção. Ela produz uma toxina, que são ingeridas com o alimento, causando uma intoxicação alimentar.
De acordo com o médico infectologista da secretaria de Saúde do Estado, Fábio Gaudenzi, o botulismo está em evidência devido aos últimos acontecimentos, mas é uma doença muita antiga que caiu no esquecimento porque as indústrias seguem um rígido processo de produção. "Em geral, o processo de industrialização é seguro e protege contra a produção dessa toxina. Mas, falhas no processo podem acontecer", destacou.
Em Brusque, foram encontradas sete unidades do produto em dois estabelecimentos comerciais. "Assim que se suspeitou que o problema estivesse nessa marca, nos dividimos e percorremos todos os estabelecimentos do município. Sete peças em dois estabelecimentos foram recolhidas provisoriamente, até a comprovação de que o problema realmente estava naquele lote. Agora, o fiscal já foi recolher definitivamente os produtos que serão inutilizados em aterro sanitário. Não há necessidade de se alarmar, foi um fato isolado, que está controlado", afirma Lucie Herta Hilbert, coordenadora de vigilância sanitária do município.
Pálpebra caída, visão duplicada e fraqueza no corpo - que em geral começa no braço e se estende até as pernas. Esses sintomas, associados ao vômito e diarréia, são indicativos da suspeita do quadro de botulismo. Muitas vezes é necessária a intervenção rápida e medicamento específico para combater a toxina. Pode ser necessária a internação prolongada, com riscos.
Fraqueza e falta de força podem perdurar por um ano. "Além da gravidade inicial, tem um período muito grande de continuidade dos sintomas. É uma doença rara e grave, que merece atenção", afirmou Gaudenzi.
Apesar da gravidade do caso, não há motivo para pânico. Os produtos contaminados já estão sendo retirados do comércio. Algumas medidas preventivas devem ser adotadas. "No botulismo não é característico alteração em cheiro e gosto. Fique atento aos números do lote. Ferva todos os alimentos e, na dúvida, não ingira esse alimentos", aconselhou o infectologista.
De acordo com Lucie, o consumidor também deve ser fiscal. "A gente tem que olhar se está na validade, se está estufado, embolorado ou mofado. Se estiver, não compre. Chame o gerente e peça para ele retirar da prateleira", orientou Lucie. "É importante, também, que todo produto seja rotulado, contendo todas as informações no lote, além de ser registrado. Assim, se acontecer algo, podemos rastrear e minimizar os danos à saúde pública", concluiu.



