Apaixonado por motos, brusquense já passou por 17 estados sobre duas rodas

Um morador do bairro Santa Luzia, apaixonado por motocicletas, tem muita história para contar. O aposentado Célio Martins encontrou na vida sobre duas rodas a oportunidade de conhecer novos lugares, fazer novas amizades e deixar um legado. “Essa paixão começou desde muito cedo, eu tinha 18 anos quando comprei a primeira moto. Aquele tempo não haviam concessionárias como hoje, então tive que ir para Blumenau”, relembra.
Desde então, foram idas e vindas com o hobby, com momentos felizes e tragédias familiares com as motocicletas como protagonistas. “Em 1991 perdi um cunhado em um acidente e dois anos depois o meu irmão. Aí parei, mas a vontade nunca passou. Quem já andou de moto e recebeu o vento no rosto, nunca mais esquece”, afirma.
Em 2007, o golpe mais duro de todos. O segundo de quatro filhos, Michel, foi também vítima de acidente conduzindo uma motocicleta, com somente 21 anos. “Aí ficou difícil. Se alguém falasse em moto, eu já me retirava do local. O tempo vai passando e a ferida vai fechando. Quando fiz 60 anos, disse para minha esposa que iria comprar uma moto para que nós pudéssemos passear”, relembra.
Assim, começou uma trajetória que já passou por 17 estados e inúmeras cidades brasileiras. Quando decidiu retornar a andar de moto, Martins optou primeiro por comprar uma de menor porte. “Comprei uma moto pequena para me adaptar, já estava 23 ou 24 anos sem andar de moto”. Com esse veículo, ele circulou por dois anos até resolver dar um passo maior. Comprou uma motocicleta de maior capacidade com o objetivo de fazer longos trajetos.
Amizades pelo Brasil a fora
Através das viagens, muitas amizades foram construídas. Ele explica que há grupos em redes sociais onde os motociclistas se organizam para receber uns aos outros, oferecendo inclusive lugar para dormir. “O mundo do motociclista é inexplicável. Você não conhece o cara, mas leva ele para dentro de sua casa, oferece comida e cama. É uma irmandade muito grande. Apesar de todo sofrimento que tive com a moto, ela também me proporciona um dos melhores momentos da minha vida”, atesta.
Um dos conselhos deixados por Célio Martins para quem desejar realizar esse tipo de aventura é apenas fazer essas viagens longas quem tem mais experiência no guidão. “A maioria dos motociclistas que encontramos na estrada são pessoas de idade mais avançada, acima de 40 anos. A gente vê muitos jovens andando em motos esportivas, mas eu não aconselho. Não existe nada que se compara ao prazer de andar de moto, mas é muito perigoso”, adverte.
As viagens são programadas todas pelo GPS. A mais marcante delas para o nordeste do país, um antigo sonho. Quando se aproximou do aniversário de 40 anos de casados, ele e a esposa resolveram realizar esse sonho, sem marcar sequer hospedagem em hotéis. A viagem teve escalas em vários estados, como São Paulo e teve como destino final a cidade de Natal, no Rio Grande do Norte. Foram 13 dias na estrada. “Foi a história mais linda da minha vida. Quando chegamos na Paraíba, encontramos amigos que nos organizaram uma festa de aniversário de casamento, com bolo, com balão, com tudo. Foram 8300 km percorridos e tudo isso me marcou muito”, relembra.
No interior da residência de Célio, um quadro na parede ilustra todos os estados e cidades conhecidas. Quando um novo estado é “desbloqueado”, por exemplo, ele é colorido no mapa. “O legado que eu quero deixar para meus filhos e meus netos está naquela parede. Quero deixar uma história. Depois que a gente morre, dentro de seis meses ninguém nem fala mais o nome da gente. Tenho 64 anos e não tenho nenhuma doença, isso já é a maior felicidade do mundo”, afirma.
O próximo objetivo agora é conhecer também outros países da América do Sul. Porém, a situação da pandemia de covid-19 no mundo ainda coloca uma interrogação nos planos de Célio e de sua esposa. Ele diz que seu intuito é incentivar as pessoas de mais idade a saírem de casa. “Temos que viver nossa vida. A vida é um ciclo, devemos aproveitar cada segundo de nossa passagem na terra”, conclui.


