As mulheres trabalhadoras em luta
O 12º Encontro das Mulheres Trabalhadoras, organizado pela Federação dos Trabalhadores nas Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fetiesc), reuniu mais de 300 pessoas na manhã de domingo (20), na sede da instituição, em Meia Praia. O evento contou com a participação da socióloga gaúcha Miguelina Vecchio, que falou sobre feminismo e a atuação das mulheres nas mais diversas áreas da sociedade.
Conhecida no Brasil e no mundo pela militância em favor dos direitos das mulheres, Miguelina explicou como foi o despertar para a luta feminista. "Eu engravidei sem saber nada, sem usar preservativo. E tive sorte de ter engravidado de um homem que assumiu a responsabilidade comigo e criamos nossos filhos, ao passo que nem todas as mulheres têm a mesma sorte. Já o meu pai, era um homem mais velho que a minha mãe e eu vi toda a discriminação que a mulher sofre. Quando o homem vai tomar banho, ele vai sozinho. Depois fica berrando ‘traz a toalha!. Então, eu observava a minha mãe e pensava que ela era maravilhosa, mas não queria ser assim: uma mulher que passa o tempo todo carregando coisas para um homem", enfatizou.
Hoje, Miguelina faz do trabalho um objetivo pessoal de vida, ação que descreve como emancipar as mulheres da ignorância. "A intenção é que as mulheres se reconheçam como um ser completo, inteligente e competente".
Para a socióloga, o machismo se fortaleceu durante a Revolução Industrial, quando a força para o trabalho era um diferencial competitivo. Atualmente, no entanto, a competição se dá porque os homens não querem ceder um espaço que julgam ser apenas deles.
"Do ponto de vista educacional, no último concurso para juiz do Rio Grande do Sul, as primeiras 15 melhores colocações eram de mulheres. Agora, quantas mulheres estão no Supremo Tribunal de Justiça e no Supremo Tribunal Federal? Lá, não há concurso. É indicação, é política e eles se protegem, escolhem os iguais. Nós, não. Se nós pudermos, votamos em um homem para tirar a oportunidade de outra mulher. Enquanto não conseguirmos nos entender como coletivo, não vamos avançar individualmente", concluiu.


