Sindicatos voltam a criticar Prefeitura por não manter convênio

Os sindicatos de trabalhadores de Brusque engrossaram as críticas à Prefeitura de Brusque pela não continuidade com o convênio que permitia que associados das entidades recebessem atendimento médico e fossem encaminhadas ao Sistema Único de Saúde (SUS). Na tarde desta segunda-feira, 10, cinco das entidades que ofereciam o maior volume de atendimentos nesse sistema se reuniram com a imprensa para falar a respeito do assunto, apresentando número da quantidade de pessoas que será direcionada às unidades básicas de saúde com isso, sobrecarregando as mesmas.
De acordo com os sindicalistas, o convênio existia desde a década de 90. No início, a Prefeitura fazia a compra de serviços, repassando valores financeiros, com as entidades prestando contas ao poder público. Em 2009, o convênio, que até então reunia poucos sindicatos, foi ampliado para um número maior deles, ampliando a quantidade de pessoas atendidas.
No ano de 2016, o então prefeito José Luiz Cunha, o Bóca, anunciou que iria romper o convênio, voltando atrás após repercussão negativa da medida. Em 2017, assim que assumiu, o prefeito Jonas Paegle também anunciou o fim da parceria. De lá para cá, foram dois anos de negociações para ver uma medida de manter o convênio. Na última semana, o secretário de Saúde, Humberto Fornari, em reunião com o Fórum de Entidades Sindicais de Trabalhadores de Brusque e região, anunciou que a Prefeitura não vai renovar o mesmo.
“Se fosse algo ilegal, como argumentou a Prefeitura, como que as contas foram aprovadas esse tempo todo, tanto pela Câmara de Vereadores e Tribunal de Contas?”, questionou a sindicalista Marli Leandro, presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Vestuário. Somente a entidade que ela preside realiza, mensalmente, mais de mil atendimentos em diversas especialidades.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Têxteis (Sintrafite), Anibal Boettger, citou que o prefeito Jonas atuou na entidade como médico por mais de três décadas e era um dos mais ferrenhos críticos à qualquer intenção de rompimento do convênio.
“Temos recebido diariamente lá os trabalhadores indignados com essa situação, pois vem de longa data, há décadas, esse convênio sendo renovado”, pontua ele.
Presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio e presidente do Conselho Municipal de Saúde (Comusa), Julio Atanásio Gevaerd disse não é benefício aos sindicatos.
“Isso é ajudar a população de Brusque vai ter um atendimento mais justo. Porque temos unidades básicas em que a pessoa precisa chegar às dez da noite para ter atendimento no outro dia pela manhã”, destaca ele.
Izaias Otaviano, presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil (Sintricomb), também afirma que as entidades sindicais não serão afetadas com a decisão da Prefeitura e os reflexos se darão nos citados atendidos, que precisarão ir para as filas das UBS agora.
“O trabalhador não deixará de ser atendido pelos sindicatos, mas ficamos triste porque poderíamos resolver o problema dele ali e não prolongar, tendo ele que ir para as UBS agora”, frisa.
O coordenador do Fórum, Jean Dalmolin, lembra que os sindicatos de trabalhadores atendem, anualmente, a um número significativo de pacientes em diversas especialidades. São cerca de 100 mil procedimentos realizados.
“Se os sindicatos de Brusque pararem de atender na saúde isso ficará um caos”, pontua ele.
Na entrevista coletiva, os sindicalistas criticaram o Grupo Gestor do governo, que seria o responsável por ter tomado a decisão de não manter o convênio, conforme alegado pelo secretário Humberto Fornari.



