A situação de crise financeira que vive o Hospital de Azambuja, com ameaça da direção de fechar as portas para atendimentos via Sistema único de Saúde (SUS), tem gerado muitas discussões e debates por toda a cidade de Brusque. Enquanto poder público e a direção da unidade não chegam a um consenso sobre os valores necessários para se custear os serviços gratuitamente, a população convive com a ameaça de ficar sem o atendimento a partir do inicio do próximo mês.
E esse foi o motivo de uma audiência publica realizada na noite desta quarta-feira (22) na Câmara Municipal. Nela estiveram desde representantes da Prefeitura, vereadores, direção e assessoria jurídica do hospital, além do Comusa.
O vereador Ivan Roberto Martins (PSD), autor do requerimento da audiência junto com o também vereador Jean Daniel Pirola (PP), disse que o encontro estava ocorrendo porque a Câmara precisa se envolver diretamente na busca pela solução do problema. as câmara, se tivesse o poder de resolver, já teria resolvido. A população, se vier acontecer o que já foi amplamente divulgado pela imprensa (fechar as portas), a comunidade vai ter um prejuízo grande. Diria até incalculável.
O presidente do Conselho Municipal de Saúde de Brusque (Comusa), Marcos Maestri, comentou que a solução do problema deve partir de um consenso entre todas as partes envolvidas. Em sua avaliação, está havendo um embate entre Prefeitura e hospital, o que não é bom para nenhum dos lados. Ele usou o termo desarmar para ilustrar suas palavras em relação ao caso.
Devemos fazer um esforço. Mas ele só terá importância se nos desarmarmos se deixarmos algumas vaidades de lado e tentarmos buscar, realmente, o melhor para a saúde de Brusque.
O advogado Juarez Piva, assessor jurídico do hospital, em, sua manifestação, frisou que a intenção da unidade não é de buscar embate com ninguém. Trata-se, segundo ele, unicamente de dispor de condições financeiras para poder dar continuidade aos serviços.
Vemos que o valor atual vai ate além daquilo. Hoje, precisaríamos de R$ 1.724.000 milhão por mês. Isso sem considerar provisões pra 13º salários, férias, encargos para 13, manutenção e processos que estão em andamento. Fora isso, se juntarmos tudo, passa de R$ 2 milhões. Não é questão de confronto, de vaidade, é a dura realidade que o hospital hoje atravessa.
O diretor do corpo clínico do hospital, Antonio Pucci de Oliveira, disse que o hospital ira buscar todas as formas possíveis para dar fim ao impasse. Inclusive aderir a propostas como a de fazer parte de um sistema de redes proposto pelo governo federal. Só que, afirmou, tem convicção de que esta seria uma medida apenas paliativa.
Lembra muito o que aconteceu há cerca de 16 ou 17 anos com o Integra SUS. Também hospitais estavam em crise e o governo federal veio com ajuda. Nunca teve nenhum reajuste. O Hospital de Azambuja recebe R$ 12 mil por mês há 17 anos.
A secretaria municipal de Saúde, Cida Belli, disse que a Prefeitura tem ciência da necessidade que o hospital passa. Porém, que não há recurso disponível para dar o suporte que vem sendo pleiteado pela unidade.
Temos, também, as nossas limitações. Porque o dinheiro, ele tem um limite, não é infinito. Por mais queira contribuir e dar a parte que o hospital tem direito, não podemos fazer um contrato ou discussão com valores que não existem.
A audiência durou pouco mais de duas horas e o resultado não foi diferente do que havia quando começou, por volta de 18h: vai tudo depender das próximas reuniões entre as duas principais partes envolvidas na questão, Prefeitura de Brusque e direção da unidade.
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1451 by Rádio Cidade AM



