Quatro testemunhas são ouvidas

No início da tarde desta quarta-feira (15), a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Oficinas ouviu mais quatro testemunhas. Rafael Reddiga, da Latoaria e Pintura Reddiga, Lauro Pedro Vieira e Lourival Nicoletti, ambos da Trator Peças – Comércio de Peças para Trator, Joel Floriani da Brusque Bomba Injetoras (BBB) e Luiz Carlos Barboza, da SC Equipamentos, Peças e Serviços.

O primeiro a depor foi Rafael, sendo que a dúvida envolvida ao proprietário da Reddiga é que, no ano da licitação das empresas investigadas, a latoaria citada teve interesse em participar de um dos itens. No entanto, mesmo apresentando o menor preço, ela não foi a vencedora e não chegou a prestar serviços à Prefeitura de Brusque. “Nunca foi pedido orçamento pra nós”, disse Reddiga.

Em contraponto, Ivan Martins (PSD), relator da CPI, mostrou uma tabela de consulta de serviços de mecânica, auto elétrica e guincho, fornecida pela empresa no mesmo ano.

Segundo Rafael, essa mesma tabela foi fornecida por e-mail à Prefeitura, em 2010, quando houve interesse da empresa em participar da licitação. No entanto, por não ter um engenheiro mecânico na época, eles não venceram o item concorrido. Na época, quatro empresas se inscreveram para a participação do pregão, mas apenas a empresa MG foi a que ganhou. “Quando foi no dia, eu até tinha ganho no preço. Mas eles disseram que precisava de engenheiro mecânico, mas eu não tinha e outra empresa ganhou”.

Segundo o depoimento, ele não chegou a fazer nenhum serviço para a empresa MG Auto Peças ou para a NIT Clínica Automotiva, que tem a razão social como Speed. “Naquela folha que nós preenchemos, não dizia que precisa de engenheiro mecânico”. Segundo o vereador relator, Ivan Martins, o edital não especificava a necessidade de um engenheiro para a contratação.

O relator, mais uma vez, apresentou ao sócio-diretor Lauro Pedro Vieira, da empresa Trator Peças Comércio de Peças para Trator LTDA – EPP, um mapa de preços que, supostamente, foi fornecido pela empresa. Apesar disso, como Lauro não trabalha no setor de licitações da empresa, quem seguiu com o depoimento foi Lourival Nicoletti, proprietário da Trator Peças, que já participou de outros certamente, mas sem nenhum resultado vencedor.

No mesmo pregão, a Trator chegou ao lance de R$ 44 para um dos lances, que na estimativa de lance deveria ser no valor de R$ 90. Mas, segundo a explicação dele, quando se está em uma licitação de modalidade pregão, há bastante concorrência durante a diminuição dos lances, por isso muitas vezes a empresa diminui o preço, até mesmo se ocorrer prejuízo. “Creio que não tinha nesse item [alguma especificação de engenheiro mecânico], porque senão, eu não teria vindo participar”, finalizou o depoimento de Lourival.

Outra testemunha da tarde foi o proprietário da Brusque Bomba Injetoras (BBB), Joel Floriani. De acordo com ele, a empresa já prestou serviços para ambas investigadas, MG e NIT. No entanto, não sabe dizer se as peças consertadas eram de carros da Prefeitura, já que tudo chegava desmontado. Ivan Martins apresentou um orçamento, que poderia ser da empresa BBB, mas segundo Floriani, não foi feito por ele e nem possuía a assinatura própria dele. “Inclusive, eu declarei para o Ministério Público que essa assinatura não era minha”, ponderou.

O último depoimento ficou por conta do proprietário SC Equipamentos, peças e Serviços LTDA, Luiz Carlos Barboza. Esta última citada também já participou de outros processos licitatórios em Brusque. Em um dos itens que a SC ofereceu serviços, também participaram outras duas empresas. Cada uma apresentou um preço, porém, eles eram distintos, passando de R$ 35 para R$ 85 em um mesmo item. Mas Barboza afirmou que não era de conhecimento dele as pessoas participantes do processo licitatório, inclusive as da comissão de licitação. “Geralmente essas comunicações eram feitas via e-mail. As máquinas da Prefeitura que estragavam no campo, a gente vinha e consertava ali. Mas, quando era mais complexo, a gente deslocava o produto inteiro até Balneário Camboriú”, explicou. A cidade do litoral é onde fica a sede da empresa.

A próxima reunião da CPI está marcada para esta quinta-feira (16), com os depoimentos de Euzébio de Souza e Graziela Pacheco. 

 

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