Repórter denuncia delegado por racismo
O repórter fotográfico Paulo Schmidt (42) da Rádio Cidade de Brusque (SC), que no início da tarde de segunda-feira (10) recebeu voz de prisão do delegado regional de polícia, Ademir Bras de Souza, enquanto fazia fotos de um acidente de trânsito no Centro da cidade, voltou à Delegacia de Polícia na tarde desta terça-feira (11) para ser ouvido em um Termo Circunstanciado elaborado pelo delegado da Comarca.
O repórter, cuja versão foi testemunhada por cerca de 30 pessoas, confirmou na polícia o fato de que após ter sido preso, a colega e jornalista Liliane Dias - com quem trabalhava no momento do incidente - usou a mesma câmera e pôde fazer fotos sem qualquer objeção do delegado. Enquanto empurrava o repórter preso pelo braço, andando em circulo na cena do acidente, o delegado pedia por reforço policial. Nesse ínterim, por duas vezes Ademir Bras de Souza disse, para que todos ouvissem: "negrada dos infernos". Enquanto a jornalista Liliane Dias é de cor branca, o fotógrafo é mulato.
Após o depoimento, Paulo formalizou em Boletim de Ocorrência uma queixa por cerceamento da liberdade de imprensa e por racismo. O repórter manifestou o desejo de ingressar com uma representação criminal contra o delegado. O advogado da Rádio Cidade está ingressando com uma ação pública para pedir a intervenção da Promotoria de Justiça.
No Boletim de Ocorrência registrado no final da tarde de ontem, o delegado Ademir de Souza afirma que o repórter não teria obedecido à sua determinação de não fazer fotos no local. Como Paulo tinha uma pauta de trabalho a cumprir, continuou a fazer o registro do fato. Na visão do policial, isso se caracterizou como sendo um "desacato à autoridade".


