Manobra de Bósio evita votação
A tropa de choque de Ciro Roza (DEM) deu um novo "jeitinho" e conseguiu adiar mais uma vez a votação das contas do ex-prefeito referentes aos anos de 2002, 2006 e 2007 no Legislativo municipal. Antes, foi Dejair Machado (DEM), que no final de 2010, através de uma manobra, postergou a discussão dos pareceres do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Desta vez o salvador do ex-prefeito foi Jones Bósio (DEM).
O clima era de ansiedade na primeira sessão do ano da Câmara Municipal de Brusque. O grande número de pessoas na plateia - algumas sequer conseguiram entrar devido à limitação de espaço - dava uma amostra disso. Tudo girava em torno da presença dos pareceres na ordem do dia. E lá estavam eles, cumprindo decisão do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJ-SC). Todos os demais projetos foram retirados da pauta, afim de se discutir os pareceres.
Mas, bastou o presidente da Casa, Celso Carlos Emydio da Silva (DEM), abrir as discussões sobre o primeiro parecer, do ano de 2002, que a manobra do grupo pró Ciro entrou em ação. O vereador Jones Bósio, que estava licenciado e retomou a cadeira no Legislativo nesta data, pediu a palavra. Sem muita enrolação, ele deixou claro o objetivo do discurso que faria: adiar a votação através de um requerimento.
Bósio alegou que por estar afastado da Câmara há muito tempo (praticamente dois anos desde que assumiu cargo de confiança na SDR) não tinha conhecimento o suficiente sobre a decisão do TCE que pudesse fazê-lo votar com convicção. Diante disso, pediu que a votação das contas fosse adiada por um período de 60 dias, a fim de se inteirar mais.
A discussão, a partir daí, se deu sobre a legalidade do requerimento. Edson Rubem Muller (PP), indignado, afirmou que o pedido era ilegal, pois há um dos artigos na Lei Orgânica do Município que impedia tal manobra. Roberto Pedro Prudêncio Neto (PDT) contrapôs, afirmando que o regimento interno do Legislativo precisava ser respeitado. Eduardo Hoffmann (PDT) disse que o Judiciário "não vai determinar a pauta do Legislativo", em referência à decisão do TJ.
O vereador Ademir Braz de Souza (PMDB) reconheceu que não há ilegalidade na manobra feita por Bósio, de pedir o adiamento através de um requerimento. E mais, que se a oposição quiser, vai encontrar sempre uma forma de postergar a votação dos pareceres, mesmo que se passe toda esta legislatura. Aproveitou ainda para reafirmar que seu partido fechou voto em favor dos pareceres do TCE, mesmo que não seja ele o representante da legenda a estar na Câmara quando as contas forem à votação.
O requerimento de Jones Bósio foi aprovado pelos vereadores de oposição e que representam a base de apoio a Ciro Roza. São eles: Roberto Pedro Prudêncio Neto (PDT), Eduardo Hoffmann (PDT), Jonas Oscar Paegle (DEM), Jones Bósio (DEM), Vilmar Bunn (PDT). O presidente da Casa, Celso Emydio (DEM), não votou, mas pertence à base de apoio de Ciro Roza.
Votaram contra o requerimento, Alessandro Simas (PR), Valmir Ludvig (PT), Edson Rubem Muller (PP) e Ademir Braz de Souza (PMDB), todos da base de sustentação ao atual governo.
Ao final da sessão, um cidadão - indignado - desabafou aos gritos contra a atitude dos vereadores de oposição. Ele bateu boca com alguns simpatizantes do ex-prefeito que assistiam à sessão e que aplaudiram em alguns momentos manifestações de vereadores como Roberto Prudêncio Neto e Jones Bósio.
Assim que a sessão foi declarada encerrada, pouco mais de 50 minutos depois de iniciar, alguns vereadores simplesmente desapareceram do plenário. A Reportagem Cidade tentou localizar o vereador Jones Bósio para ouvi-lo, mas não o encontrou. Ninguém soube informar na assessoria da Casa se ele já havia ido embora.


