Apae de Brusque realiza apresentações do 1º Festival de Teatro da instituição

Imagine um lugar onde você pode ser o que quiser: se jogar, se libertar das amarras psíquicas e sociais, fazer amigos e, ainda, estimular o corpo e a mente de forma integral. Com esta proposta foi promovida a primeira edição do Festival de Teatro da Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Brusque. As apresentações ocorreram na última quarta-feira (13), no período da manhã e da tarde, e fizeram parte do projeto “Criar estórias, você pode!”, que integra as disciplinas de Artes e Educação Física.
Ao todo, oito apresentações ocorreram no palco da instituição, que contou com a presença de familiares dos alunos e equipe pedagógica do Instituto Santa Inês (ISI) e Centro de Convivência Ruth de Sá (Cecon).
"Procuramos manter um ambiente de liberdade para expressão, e acredito que a arte contribui muito com isso, em desenvolver diversas habilidades, como a criatividade e o autoconhecimento, sendo esta uma excelente oportunidade de demonstrar o potencial da pessoa com deficiência. Também ficamos muito felizes pela adesão das famílias, pois o evento ocorreu durante a semana, onde muitos trabalham, mas dedicaram um tempo para vir e estar aqui com os nossos alunos. Os profissionais merecem todos os parabéns pela criatividade, empenho e pelas ideias que propuseram", declarou a diretora Executiva da Apae de Brusque, Rosecler Ceratti Foletto.
Os alunos como protagonistas
O artista visual e arte educador da Apae, Evailson Inomata, o “Vavá”, destaca que o projeto teve um grande envolvimento dos alunos desde o início, e que o tema abordado foi uma escolha dos mesmos. "Acredito que na Educação, independente da área de atuação, o projeto é a melhor maneira de se educar, porque você aprende fazendo e aceita essa troca com o aluno. Lá no início, conversando com a professora de Educação Física, Maria Lucélia Joenck (Lu), chegamos à conclusão que, trabalhar dessa maneira com os alunos, teria um retorno muito melhor. Conversamos com os coordenadores e com a diretoria que abraçaram a ideia. E assim, os alunos foram, desde o início, protagonistas: escolheram o tema, ajudaram a intervir nas peças, fizeram ensaios de movimento facial e corporal, o que resultou em um processo de construção de uma comédia", comentou.
Os ensaios iniciaram na sala de aula, onde os alunos assistiram várias peças sobre teatro. Após um mês, começaram as encenações em frente ao espelho, e finalmente, os ensaios no palco montado no ginásio da instituição, até a preparação final para o Festival. Além disso, as apresentações contaram com a participação de turmas e idades diferentes, o que propiciou uma maior interação entre eles. “Essa interação é importantíssima, porque começamos a entender que muitas vezes aquilo que alguém diz que um aluno não pode fazer, nem sempre é verdade, pois eles conseguem e podem, no tempo, maneira e expressão deles", enfatizou o professor. "Cada produção artística que fazemos aqui é a realização de um sonho e ver o Festival foi melhor que tínhamos imaginado. Foi muito gratificante, valeu cada esforço, cada buscar para poder trocar com maior qualidade", expressou.
Ainda neste ano, os alunos devem realizar outras duas apresentações: uma no próximo mês de agosto, durante a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência, e outra em dezembro.
Plateia especial
A aluna Sandra Sani, de 60 anos, contou com uma plateia muito especial durante a apresentação. Enquanto interpretava a personagem Dona Florinda, do seriado de comédia mexicana Chaves, seu olhar buscava pela atenção da irmã, Silvia Maria Lorentino, que, atenta, lhe prestigiava na plateia. Entregue ao palco, deu vida à rabugenta mãe do Kiko, mas com um toque especial à personagem: seu sotaque brusquense que chamou atenção de todos. "Esse teatro mexeu muito com ela. Damos o maior apoio e notamos uma mudança significativa que a Sandra teve aqui nesses últimos tempos, com um visível desenvolvimento e evolução, muito além das nossas expectativas. No teatro ela está empenhada desde o início, e fiz de tudo para estar aqui hoje, como sempre que posso venho apoiá-la", destacou.
Sandra perdeu a mãe há três meses, e desde então mora com a irmã e o cunhado, Valério Laurentino. "Para nós foi uma novidade tê-la conosco em casa. Tem sido uma experiência diferente e gratificante, ao mesmo tempo: ela é minha irmã especial há sessenta anos, mas morar e conviver diariamente é diferente, e tem sido muito bom", avaliou Silvia, emocionada.
O 1º Festival de Teatro da APAE de Brusque contou com as seguintes apresentações:
Matutino
-O Moço Enganado
-Confusão no Faroeste
-A turma do Chaves da Apae de Brusque
-Sítio do Seu Lobatelton
Vespertino
-Branca de Neve e os Gigantes
-O Leopardo e o Pinguim
-O Vizinho Chato
-Super Heróis da Apae de Brusque



