Escuta mostra ex-prefeito ordenando fraude

Continuam os desdobramentos da investigação feita pelo Ministério Público estadual na Prefeitura de Blumenau e que culminou com a chamada Operação Tapete Negro, por se tratar de suspeita de corrupção com superfaturamento em obras de asfalto na cidade. Nesta terça-feira (30), o portal UOL publicou trechos de escutas telefônicas feitas com autorização judicial e que mostram o ex-prefeito João Paulo Kleinubing (PSD) determinando que um documento fosse fraudado para agilizar a liberação de recursos junto ao Banco de Desenvolvimento do Extremo Sul (Badesc). A conversa envolvia ele e o ex-secretáriod e Obras Alexandre Brollo.
O caso envolve, principalmente, a Companhia Urbanizadora de Blumenau (URB), empresa pública responsável por gerenciar e executar obras de asfaltamento no município. Na conversa publicada pelo portal de notícias, Kleinubing, reeleito para o segundo mandato à frente da Prefeitura, ordenava que a data de um destes documentos fosse alterada.
Eduardo Jacomel, então presidente da URB, é quem, segundo as investigações, fazia a interlocução, combinando esquemas de fraude e superfaturamento de obras.
As investigações foram feitas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) do MPE, a partir de uma denúncia feita em 2006. De acordo com o MPE, o esquema integra desde a contratação de funcionários fantasmas, uso da máquina pública para fins eleitoreiros e superfaturamento de obras.
Kleinubing é filho do ex-prefeito de Blumenau, ex-governador do estado e ex-senador Vilson Kleinubing, falecido em 1998. Depois de deixar a Prefeitura de Blumenau ano passado, ele foi nomeado pelo governador Raimundo Colombo para presidir o Badesc. Cargo até então ocupado por seu braço direito na Prefeitura blumenauense, Nelson Santiago, lotado atualmente na secretaria de estado da Comunicação.
De acordo com o MPE, o esquemajá teria desviado cerca de R$ 100 milhões dos cofres públicos.


