As peças para rádios, que inicialmente eram fabricadas, foram deixadas para dar lugar ao que hoje representa a maior parte da produção: o impulsor de partida. Nascida em 1960, na cidade de São Paulo, a Zen S.A Indústria Metalúrgica migrou para Brusque em 1973 e, agora, é possível conhecer a história dessa empresa que faz 55 anos em 2015 e tem clientes em cerca de 60 países.
De acordo com o vice-presidente administrativo e financeiro, Nelson Zen Filho, a empresa foi fundada pelos irmãos Hilário e Nelson Zen. No início eram produzidas pequenas estampas de metais para uso em rádios, por pedido do mercado, já que ambos eram ‘ferramenteiros’. Em 1963 iniciou a fabricação de impulsores de partida, que atualmente são responsáveis por 65% da produção.
“O impulsor ele vai ao motor de arranque, quando você liga o carro, ou o caminhão, o trator, o ônibus ou o Jet Ski, qualquer tipo de veículo que tenha um motor de partida, ele participa dentro do conjunto para ligar o motor de combustão”, explica Zen. Para dar um pontapé inicial, os dois precisaram de muita coragem, um fundo de quintal e um capital muito pequeno. Depois, alguns funcionários e dos irmãos cunhados começaram a trabalhar, inclusive pessoas de Brusque, que foram para São Paulo na época.
Em meados de 1973 foi necessário ampliar a empresa. Porém, como era localizada em um bairro residencial de São Paulo, eles acharam melhor voltar para Brusque. “Na época se entrou em contato com o prefeito, César Moritz, foram dadas algumas vantagens, como isenção de impostos municipais, doação de um terreno, terraplanagem”, relembra ele ao dizer que foi uma aventura trazer uma indústria metalúrgica para a cidade que era movida por produtos têxteis. “Felizmente deu certo”. Nelson Zen ainda ficou na cidade paulista por cerca de cinco anos, na área comercial. O início de Brusque foi apenas com o impulsor de partida, trabalhando apenas no mercado nacional.
Com o tempo, outras tentativas de produtos foram feitas, algumas não deram certo. Outras, no entanto, sim. Como a injeção de alumínio, para o mercado de reposição. “Nós temos hoje algumas polias, que vão também ao alternador, nas correias”, conta, elém de componentes, que representam os 35% restantes.
EMPRESA
Atualmente, a Zen tem apenas uma concorrente no Brasil, uma empresa que trabalha na região, mas na reposição. Entretanto, há empresas concorrentes nos Estados Unidos e na Europa. “Hoje, se as montadoras aqui no Brasil fabricam em torno de 3,5 milhões de carro, a nossa capacidade é mais que o dobro disso. Então, se há dois concorrentes, já suprem todas as montadoras. Nós trabalhamos com as montadoras no Brasil e na reposição”.
Em 1976 iniciou a exportação, acontecendo mais na América do Sul. “Podemos dizer que nós trabalhamos com quatro grandes mercados: reposição Brasil, se teu carro estraga você tem que levar o teu carro em algum lugar para arrumar essas peças”. Isso seriam 25% do mercado no Brasil. Outros 25% para montadoras e os demais 50% são destinados para exportação. A matéria-prima vem da China.
A empresa hoje conta com 950 funcionários, entre os mais variados setores. Além de representantes nos Estados Unidos, onde há um escritório para vendas, na Alemanha, que trabalha com todo o continente europeu, e uma pessoa na China. “Hoje nós vendemos, diretamente, para cerca de 60 países”.
TOYOTA DE PRODUÇÃO
Um dos esquemas adotados pela empresa é o sistema Toyota de produção, que visa o melhor gerenciamento, a fim de procurar aperfeiçoar a organização de forma a atender a demanda com menor prazo, em alta qualidade e baixo custo, ao mesmo tempo aumentando a segurança e a moral dos colaboradores. O sistema também é chamado de produção enxuta ou sistema lean.
“Nós já tivemos aqui 1.250 pessoas, então alguma coisa tercerizamos. E quando eu falo em trabalhar no conceito lean, é exatamente isso. Ou seja, organizar o sistema, ganhando tempo e qualidade.”
ECONOMICAMENTE FALANDO...
Em 2014, de acordo com Nelson Filho, em virtude das montadoras que sofreram com a baixa no mercado, a Zen teve uma baixa no planejamento de faturamento. “Nós faturamos líquido, tirando todos os impostos, R$ 135 milhões. Neste ano, a expectativa é crescer em cima desse número de, aproximadamente, 16%, chegando perto de R$ 150,R$ 155 milhões”.
Uma das altas que ocorreu nos últimos dias foi a do dólar, que chegou a R$3,30. Entretanto, para a empresa que mais exporta que importa é algo positivo. “Por exemplo, uma crise forte nos Estados Unidos também complica pra nós. Então depende do mercado [para sentir uma crise ou instabilidade]”.
PRÊMIOS
Com 55 anos de história, 950 funcionários e com produção destinada para cerca de 60 países, a Zen S.A não poderia ficar sem prêmios. Segundo o vice-presidente, são vários deles, por isso ele destaca apenas dois: o Magneto de Ouro, concedido pela Bosch, e também o de melhor fornecedora, da indiana Comstar.
Além disso, a Zen também é uma das empresas que participa do Selo Social, realizado pela Prefeitura de Brusque. Ela começou com almas ações, mas, atualmente, possui todos os selos dos Oito Objetivos do Milênio (ODM).
Para ter tanto sucesso como a empresa conseguiu ao longo dos anos, Zen Filho acredita que não há um segredo apenas, mas que são vários fatores que contribuíram para que a empresa chegasse até aqui.



