Resultado foi previsível, diz cientista político
Doutor em ciências políticas e professor da Universidade Federal de Santa Catarina, o filósofo Carlos Sell conversou ao vivo na manhã desta segunda-feira (13) com o apresentador Dirlei Silva, no programa Agito Geral, sobre os resultados das eleições em Brusque no pleito do último dia 5. Para Sell, o resultado nas urnas "foi previsível", principalmente, para quem acompanhou o cenário político de Brusque desde o final de 2007.
Carlos considera a eleição de Paulo Eccel "uma clara resposta da comunidade ao estado de abandono da cidade". Ele usa o argumento de que o prefeito Ciro Roza decidiu "fazer outras opções políticas" e "esquecer" Brusque, quando mudou seu endereço eleitoral para Balneário Camboriú.
Para Sell, ao contrário de outras cidades do País onde e população optou por continuar as administrações, Brusque foi uma exceção. "Claramente a população resolveu mudar", considera.
Quanto à eleição na Câmara, Sell vê o resultado como "uma coincidência", uma "razão matemática". Ou seja, a coligação do candidato Dagomar tinha 14 partidos e, consequentemente, mais candidatos (64% do total). Por isso, segundo Carlos Sell, elegeu mais vereadores. Para ele, "mais candidatos, mais votos, mais vereadores.".
Para o cientista político, uma aproximação do PDT com o PT, a partir de 2008, no governo municipal, seria "surpreendente". Para ele, "a história política de Brusque vai mudar" e "a era Ciro Roza acabou.".
Sell considera que a vontade popular expressada nas urnas poderá influenciar na posição dos vereadores de oposição à administração de Paulo e Farinha. "Eles sentem o peso da vontade popular. Como é que um vereador que foi eleito (de oposição) ... vai se colocar contra um prefeito que teve 55% dos votos (...)", observa o cientista.
"Agora, não vamos nos iludir. A política tem a sua própria lógica. E a lógica da política é a lógica da disputa pelo poder.", conclui Sell.

