Vítima de assalto relata estado emocional da família

Passadas mais de 72 horas do assalto que aterrorizou a família de Ciro Landeira, 57, e a esposa Rosimeri Brehm, 47, com duas filhas menores, de 9 e 11 anos de idade, as imagens do crime não saem da cabeça e mudou os hábitos por conta do medo. Todos passaram a dormir juntos, no mesmo quarto, e qualquer anormalidade, como a queda de um celular durante a noite, faz com que todos acordem e demorem mais de hora para retomar o sono.
O patriarca da família que esteve quase duas horas na mira de uma arma, sendo agredido por dois marginais na noite de segunda-feira (29) recebeu a reportagem da Rádio Cidade para falar sobre as consequências do assalto e analisar o que poderia ter sido feito de diferente para impedir o assalto. Landeira tem uma certeza, os dois ladrões presos não agiram sozinhos e contaram com informações de que ele poderia ter muito dinheiro em casa.
Ele não se refere ao dinheiro da festa da comunidade realizada recentemente e que ele foi o tesoureiro. “Dentro da minha casa não entrou nada dessa festa, ele foi usado para os pagamentos, como mercado, padaria, açougue, entre outras”, salientou. Também não acredita que estavam na busca de dinheiro da esposa, que trabalha na direção de uma escola e tinha guardada uma pequena quantia da instituição.
Ciro acredita que uma recente transação referente a venda de terrenos pode ter atraído os ladrões que a todo instante afirmavam que queriam saber do dinheiro e que tinham informações de que não era pouco. Ele até acredita que o fato de ter uma pequena quantidade de dinheiro em casa o favoreceu, pois desta forma os ladrões se apossaram dos objetos e de pouco mais de R$ 6 mil e se deram por satisfeitos, deixando a casa após carregar o veículo da família que foi levado pelos assaltantes e recuperado posteriormente pela Polícia Militar.
Questionado sobre as mudanças de hábitos após o roubo e a exposição da família a momentos tão tensos, Ciro diz que hoje se sente inseguro. “Antes você podia chegar em casa até 10h da noite que as portas estavam abertas e eu circulando aqui pela varanda. Hoje não conseguimos mais fazer isso, a lembrança do assalto vem na minha cabeça a todo momento”, contou, mostrando as trancas que colocou nas portas para reforçar a segurança.
Avaliando a situação algumas horas após o assalto, o pai da família relata que a esposa guarda mais as imagens do ocorrido, mas as crianças estão refletindo o medo. Segundo contou, elas não sorriem mais e tem medo até de brincar no quintal. A maior preocupação hoje é com o estado emocional das crianças, tanto que ele deve levar as filhas a um psicólogo para auxiliar na recuperação do trauma.
Contra a posse de armas
Questionado se é a favor do cidadão ter uma arma dentro de casa, Landeira foi taxativo: “Sou totalmente contra. Se eu tivesse uma arma dentro de casa, possivelmente os ladrões teriam acesso a ela e poderiam usar contra nós, pois fomos pegos de surpresa e nem tivemos tempo de reagir, além do risco por termos crianças dentro de casa”.
Por outro lado, o guabirubense disse que os dois ladrões presos, deveriam pagar “olho por olho” na cadeia e que ele é favorável que o Estado dê fim neles, aproveitando os órgãos para transplantes, para que não voltem às ruas e façam outras famílias reféns. Ele até usou textos da Bíblia que citam a utilização do joio para aquecer as fornalhas, sendo útil para algum fim, separando desta forma do trigo. Ciro Landeira disse que sempre defendeu o perdão, mas que após ser vítima deste assalto, mudou de ideia e não perdoaria a ação desses bandidos.
Repercussão do assalto
Ciro disse que tem saído pouco de casa, tendo ido apenas ao supermercado após o assalto. Ele disse que tem sido abordado pelas pessoas que pedem para relatar o ocorrido e já teve que contar o ocorrido inúmeras vezes. O que mais lhe incomoda é a recomendação para que tenha maior cuidado, já que os ladrões podem pertencer a uma quadrilha e os comparsas queiram se vingar por conta da prisão dos dois autores do roubo. Ele vai reforçar a segurança com a soltura de cães bravos, após reforçar os muros que estão em fase de reforma. “As pessoas acabam aumentando nosso medo com tantas suposições, e isso é ruim”, contou.
Agradecimento à polícia
Antes de encerrar a entrevista que durou mais de uma hora, Ciro agradeceu de forma emocionada o trabalho da Polícia Militar que agiu rápido e além de prender os dois assaltantes, ainda recuperou todos os bens levados na ação. Mas, ele fez um apelo para que as investigações continuem e se descubra os comparsas que continuam soltos. Enquanto o caso está insolúvel, ele espera voltar à tranquilidade e tirar da mente os momentos de angústia vividos por ele, sua esposa e suas duas filhas.


