A polêmica em torno das Medias Provisórias 664 e 665, que, entre outros, altera as regras para benefícios como seguro desemprego, abono salarial e pagamentos da Previdência Social, trouxeram o ministro do Trabalho, Manoel Dias, a Santa Catarina nesta segunda-feira (2). Atendendo a chamado de sindicatos e centrais sindicais de trabalhadores, ele falou sobre o assunto no auditório lotado da Superintendência do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em Florianópolis. Em entrevista exclusiva à Rádio Cidade, Dias não sinalizou com boas perspectivas sobre retirada das mesmas e que o governo volte atrás.
O ministro do Trabalho, Manoel Dias, defendeu o pacote de medidas provisórias editado pela presidente Dilma Roussef no final de dezembro de 2014. Mesmo sobre a pressão de setores ligados à classe laboral, Manoel Dias defendeu veementemente as medidas adotadas pelo governo, declarando que não há corte de direitos dos trabalhadores, conforme cobram sindicalistas representantes de entidades laborais. “O que houve foi um ajuste. Não há retirada de direitos”, alegou na ocasião.
As medidas, que entraram em vigor no último sábado (28), visam ajustar as contas do governo. Segundo Dias, somente no ano passado, o governo pagou em valores do seguro desemprego a quantia de R$ 36 bilhões. A pressão recebida no estado, onde foi criticado quando no encontro em Florianópolis, inclusive com retrucada de um dos presentes, que é de Brusque – o homem disse que Dilma mentiu, sim, quando usou a metáfora de que “nem que a vaca tussa” iria cortar benefícios de trabalhadores, contrariando Dias que havia dito que ela não mentira – não o intimida.
“Eu recebi como um gesto natural que os trabalhadores têm que fazer. Tem um ditado que diz que governar é administrar pressões”. Diante da pressão de sindicalistas, Dias tentou amenizar a situação justificando que o governo abriu diálogo com o setor para tratar do assunto. Isso porque a maioria das centrais, aliadas ao próprio governo, não gostaram das medidas e alegam que houve, sim, retirada de direitos dos trabalhadores.
“O governo já se reuniu três vezes com as centrais e na quinta-feira (5) teremos mais uma reunião. Será construída uma comissão entre as centrais, o governo e o Congresso para tratar do assunto. O resultado será consenso deste debate”, pontuou ele.
OUÇA A ENTREVISTA NO ALTO DA MATÉRIA



