O governo federal cogita a possibilidade de acabar com o fator previdenciário. A possibilidade foi dita pelo ministro da Previdência Social, Carlos Gabas, durante esta semana. No entendimento do governo, o fator previdenciário não tem cumprido com o papel de retardar as aposentadorias, que, mesmo impondo um achatamento salarial em que reduz o salário do futuro beneficiário pela metade, as pessoas continuam optando em sua maioria pela aposentadoria ao completar 35 anos de carteira assinada.
Sendo assim, o Ministério da Previdência Social tem se mostrado favorável ao conceito defendido pelas centrais sindicais do país, que é a fórmula 85/95 como base de partida. A presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados de Santa Catarina, Maria Roseli Beuting, explica que esta fórmula corresponde a soma do tempo de serviço de contribuição com a idade da pessoa, sendo que a soma de ambas as idades chegue aos 85 anos para mulheres e 95 para homens. A sindicalista entende que com esta base de cálculo, o trabalhador brasileiro seria menos penalizado em referência ao achatamento salarial proporcionado pelo fator previdenciário quando aplicado no cálculo de aposentadoria do requerente.
As pessoas terão de trabalhar por um período de tempo maior, mas em contrapartida não serão tão penalizadas em seus salários no momento em que requererem as aposentadorias, como ocorre atualmente.
Ainda de acordo com Maria Roseli Beuting, o governo entende que o sistema de previdência brasileiro não é mais sustentável, pois nos últimos dez anos, a expectativa de sobrevida no Brasil subiu 4,6 anos. Em média, a expectativa de vida chega a 84 anos e a idade média de aposentadoria por tempo de contribuição é de 54 anos. Então, o cidadão fica 30 anos, em média, está recebendo aposentadoria. Portanto na opinião do governo federal não há sistema que aguente.
As centrais sindicais ainda não têm embasamento real da proposta do governo e até não descartam desta negociação ser utilizada como troca de moeda em que o governo elimine o fator previdenciário, mas em troca as centrais teriam de dar apoio ao pacote de aperto de benefícios sociais, o que inclui seguro-desemprego e abono salarial, especialmente com a quase extinção da pensão por morte e auxílio-doença, benefícios estes que em 2014 custaram aos cofres do governo federal R$ 120 bilhões.
Este pacote de corte nos benefícios trabalhistas tem tido uma grande rejeição por parte das centrais sindicais no país. Maria Roseli Beuting informa que no próximo dia 2 de março haverá uma manifestação dos sindicatos em Florianópolis. Em Brusque a saída está agendada para às 7h, em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos. Serão dois ônibus de Brusque que estarão se dirigindo à capital para o ato e não há qualquer custo aos participantes.



