Discussão, tiros e família acusando PM de excesso ao atirar quatro vezes

Confusão, uma pessoa ferida gravemente por um disparo e familiares acusando a Polícia Militar de cometer excesso na abordagem. Assim terminou um encontro familiar em uma residência no bairro Santa Terezinha, em Brusque. O fato foi registrado na madrugada deste sábado (16).
Durante a abordagem policial, um homem, José Vieira Junior (28), foi atingido pelo disparo feito por um dos policiais. No local, conforme a família, havia, pelo menos, outras três cápsulas deflagradas. O rapaz teve o rosto perfurado, perdeu muito sangue e acabou hospitalizado. A família alega que ele saiu de casa para ver o que estava acontecendo, quando teria sido repreendido com agressividade pelo policial.
A versão da família
Tudo teria começado quando alguém chamou a PM por conta de um encontro que estaria ocorrendo durante a noite no local. Era por volta de 4h da manhã, momento em que a viatura chegou no imóvel, situado na Rua Santos Dumont. Havia cerca de cinco pessoas, todas da família, incluindo mais algumas crianças. Os policiais chegaram na residência e um dos irmãos, o dono da casa, acabou discutindo com os mesmos. Ele havia ingerido bebida alcoólica.
A esposa dele, Roselei Ferreira, em entrevista à Rádio Cidade, deu sua versão sobre os fatos. Segundo ela, após a primeira abordagem, os PMs teriam ido embora e retornaram depois com reforço e mais viaturas.
“Ele discutiu, sim, com os policiais, mas não tentou agredir. Eles chegaram em quatro policiais (depois). Nós já estávamos dentro de casa, som desligado e eles invadiram, perguntando ‘cadê o machão?’ E aí arrastaram meu marido para fora, agrediram ele, na frente das crianças. Foi horrível”, relatou ela.
A situação que indignou a família aconteceu quando o dono da residência foi levado para viatura. Ele seria conduzido para a delegacia. Um terceiro irmão, que estava em uma residência no outro lado da rua, foi até a viatura para pedir explicações.
“Ele saiu da casa dele para perguntar o que estava acontecendo e nisso os policiais começaram a atirar. Foram quatro disparos. No primeiro tiro, o Júnior já correu para casa dele de volta e eles continuaram atirando. E acertaram ele no rosto. Ele estava na porta de casa, dentro do terreno, sem nada nas mãos. Isso foi injusto”, classificou a cunhada.
Adriano Rocha, irmão de Junior, acusou a PM de excesso na ação. Principalmente porque havia crianças no espaço e a mãe dele, idosa. Ela, inclusive, teria amparado o filho ferido para dentro de casa e teria ouvido que se não ficasse quieta levaria um tiro também.
Segundo ele, não havia necessidade de a ação ter desencadeado para esse ponto.
“Ele não merecia isso, só queria saber o que estava acontecendo. Era o irmão dele que estava sendo agredido e levado e eles agiram dessa forma”, salientou.
Baleado, Junior foi internado no Hospital Azambuja e passou por cirurgia. Ele já está em casa. Conforme familiares, a bala de borracha atingiu o rosto próximo ao olho e ainda não se sabe se ele terá sequelas.
Rocha, o irmão dele, disse que a atuação policial foi de um caso isolado. Segundo ele, tudo foi desencadeado por um dos agentes, o qual não sabe o nome.
“Esse policial foi covarde, não merece vestir a farda. Minha mãe, uma senhora, presenciou tudo. Não tinha necessidade. Ele tem técnicas para fazer as abordagens. Atirar é o último recurso. A gente se revolta e quer que eles paguem pelo que causaram”, disse.
O que diz a PM
O subcomandante do 18º Batalhão da Polícia Militar de Brusque, major Ciro Adriano da Silva, disse que o chamado era para atender a um caso de perturbação de sossego, algo corriqueiro. No entanto, a situação se desencadeou para algo mais grave diante dos ânimos exaltados dos familiares e demais pessoas que estavam no local.
“Era um horário bem avançado. Acreditamos que os vizinhos tiveram bastante tolerância e só ligaram por ser um ambiente bem adiantado, quase amanhecendo”, frisou ele.
Ele afirma que recebeu relato dos policiais de que logo que os PMs chegaram foram xingados. Os PMs teriam saído para aguardar reforço, quando um dos homens teria dado um soco na viatura.
Ainda segundo o subcomandante da PM, assim que o reforço chegou, os xingamentos teriam continuado.
Ciro confirma que quatro disparos de balas de borracha foram feitos. No entanto, ainda segundo ele, isso teria sido motivado por numa ameaça de Junior de atirar algo contra os policiais.
“Ele veio em direção à guarnição, dando a entender que iria ameaçar um objeto contra os policiais. Isso fez com que um dos policiais executasse quatro disparos de munição de borracha”, declarou à reportagem.
Sobre o reforço acionado, Ciro afirma que sempre que uma guarnição chega em uma ocorrência e verifica a necessidade de mais policiais isso é feito.
“Esse reforço não tem limite. A Polícia militar nunca vai deixar ser intimidada ou de atender uma ocorrência porque foi desacatada ou tentaram agredir seus policiais. Sempre que ocorrer esse tipo de intimidação, a Policia Militar sempre vai voltar com mais policiais”, frisou ele.
Ele disse, também, que câmeras acopladas nos policiais registraram toda a ação e que várias imagens mostram os familiares do imóvel bastante exaltados.
O subcomandante da PM afirmou eu uma investigação poderá ser aberta para apurar a conduta policial na ação.



