Dono de agência se defende de acusações

Acusado por um grupo de pais de não querer devolver valores referentes a um cruzeiro marítimo oferecido a estudantes de quatro escolas de Brusque que desistiram do passeio, o empresário Eduardo Montibeller Pinheiro resolveu falar. Ele é proprietário da Easy Trip Intercâmbio e Turismo, localizada na rua Alberto Torres, Centro, responsável por intermediar a viagem.

Na tarde do dia 30 de novembro, um grupo de pessoas - pais dos estudantes - montou guarda na porta da agência, alegando que Eduardo havia se comprometido a devolver os valores naquela data, mas que tinha desaparecido sem dar explicações. Eduardo conta que a viagem estava programada para acontecer no final de outubro e seria dividida em duas etapas. Uma tendo como passageiros estudantes do colégio Ivo Silveira e a outra que reuniria alunos de três escolas: Osvaldo Reis, Feliciano Pires e Araújo Brusque. Por problemas internos, a viagem foi transferida para novembro, mais precisamente no dia 18.

"Os quatro colégios iriam no mesmo navio. Não mais uma viagem de três dias e quatro noites, e sim uma viagem de quatro noites e cinco dias. A viagem não foi cancelada. Ela foi adiada", disse ele, frisando que esse tipo de situação é bastante comum em qualquer agência de Turismo.

Eduardo confirmou ainda que todas as passagens foram pagas de forma antecipada, sendo que a maior parte dos clientes optou por parcelá-las. A informação dada pelos pais, de que uma funcionária da agência, citada como Rose, teria ido aos colégios oferecer os pacotes, também foi confirmada. Entretanto, o empresário isentou as escolas de qualquer responsabilidade, afirmando que a negociação se deu unicamente entre a agência e as famílias. "Elas (escolas) apenas ofereceram o espaço", comentou.

O grupo de pais e estudantes acusou Eduardo de não cumprir o que prometera em contrato, que era de devolver os valores pagos até o dia 30 de novembro. Segundo Eduardo, na primeira vez em que a viagem foi transferida, uma cláusula, chamada de minuta, foi adicionada ao contrato.

Nela, a agência se comprometia a devolver os valores até o último dia de novembro. "Nós recebemos por parte da companhia que faltavam três cabines e que essas três cabines impossibilitaria os outros de viajarem, porque eles não podem viajar sem monitores por serem menores de idade", explicou.

A companhia a qual se refere Eduardo é uma empresa responsável pela viagem em si, considerando que a agência Easy Trip Intercâmbio e Turismo nada mais era do que uma intermediária do passeio. Ela se chama MK Grupos e está situada em Curitiba (PR). Um e-mail enviado pela empresa à agência brusquense foi apresentado por ele à Reportagem Cidade como forma de atestar a informação.

Eduardo alega que não conseguiu reunir os cerca de R$ 62 mil devidos aos desistentes até a data prometida e, por isso, não pôde arcar com a devolução. "Infelizmente, é um valor bem alto. Com esse problema interno que tivemos, acabou que não conseguimos fazer a devolução até o dia 30. Mas nenhum aluno foi deixado de ser atendido, nem pais, tanto por meus funcionários na agência quanto por meu telefone", alegou.

A explicação para o desaparecimento na data proposta em contrato para a devolução dos valores, foi de que ele (Eduardo) estava regularizando o passaporte junto à Polícia Federal, em Lages. Ele apresentou ainda cópia de requerimento do passaporte, com data e horário de 30 de novembro. "Às 8h15min da manhã do dia 30 eu recebi o telefonema de um pai e estava chegando em Lages para a renovação de meu passaporte, que é uma ferramenta de trabalho", complementou o empresário.

Segundo ele, depois de tudo, apenas três alunos optaram por manter a viagem, reprogramada para 3 de dezembro, última sexta-feira. Por orientação do setor jurídico da agência, o passeio não foi realizado. O empresário alega ter sido, inclusive, ameaçado fisicamente por diversas vezes.

"Fui muito ameaçado. Nossa própria agência tentaram arrombar, meu apartamento particular tentaram arrombar (...). Ameaçaram de me matar, de que eu não teria tempo nem para respirar. Meus pais que moram no mesmo prédio foram ameaçados. São duas pessoas idosas que não têm nada a ver com o caso", desabafou Eduardo, afirmando que a agência vai ressarcir todos os valores acordados em contrato.

Eduardo disse ainda que procurou o Ministério Público e se colocou à disposição para esclarecimentos, bem como toda a documentação, contas bancárias, computadores e dados necessários para atestar inocência.

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