Na semana que passou, uma pessoa deu entrada no Hospital Evangélico de Brusque com suspeita de leptospirose. Ela foi atendida pela equipe médica e um infectologista e passa bem.
A informação do hospital é de que o paciente foi submetido ao tratamento de emergência e reagiu bem. Situação que fez com que tivesse alta rápida. “No caso dele, a via de contaminação provável foi água contaminada, durante uma pescaria”, esclarece o médico infectologista Ricardo Freitas, que atendeu o paciente.
De acordo com o médico, a leptospirose é uma doença transmitida através da urina do rato. A causadora é uma bactéria chamada leptospira. Bactéria que contamina a partir do contato com locais onde o rato urina, como água de esgoto, chuva, bueiros, entre outros. A contaminação entre seres humanos é rara, afirma o médico.
Mas, afinal de contas, o que é a leptospirose e como se contrai a doença?
Frieiras, cortes, unhas encravadas, arranhões, ferimentos e lesões, até mesmo aquelas impossíveis de serem vistas a olho nu, podem ser uma porta de entrada para a leptospirose.
Os sintomas são parecidos com o de uma gripe comum: febre, dor de cabeça, dores pelo corpo - principalmente nas panturrilhas, podendo também dar uma aparência amarelada à pele do doente.
Quem apresentar febre, dor de cabeça e dores no corpo, dias depois de ter entrado em contato com águas de enchente ou de esgoto, deve procurar um centro de saúde imediatamente e lembrar de avisar ao médico sobre a forma de contato.
Os primeiros sintomas, normalmente, levam de uma a duas semanas depois do contato com a enchente para aparecer. Mas podem levar até 30 dias para dar um sinal.
O diagnóstico é clínico - ou seja, o médico deve acompanhar os sintomas e conhecer o histórico do paciente - mas muitas vezes são utilizados exames laboratoriais para diagnosticar a presença de anticorpos contra a leptospira no organismo.
De acordo com o médico infectologista, o diagnóstico precoce é ideal para um tratamento rápido e com sucesso. O tratamento da leptospirose consiste basicamente em utilização de antibióticos e hidratação. Os casos mais leves podem receber atendimento ambulatorial. Já os mais graves, muitas vezes, necessitam internação.
No Brasil, não há vacina contra a doença em seres humanos, mas existe para cães, bovinos e suínos. O ideal é que esses animais sejam vacinados anualmente para reduzir as chances de transmitir a doença ao homem.
As formas de prevenção são medidas ligadas ao meio ambiente: obras de saneamento básico (abastecimento de água, lixo e esgoto), melhorias nas habitações humanas e o controle de roedores.
Evitar o contato com água ou lama de enchentes e impedir que crianças nadem ou brinquem nessas águas. Pessoas que trabalham na limpeza de lama, entulhos e desentupimento de esgoto devem usar equipamentos de proteção individual como botas e luvas de borracha. Em casos de enchentes, deve-se evitar que os alimentos entrem em contato com as águas, se isso acontecer os mesmos devem ser descartados.
A água sanitária (hipoclorito de sódio a 2,5%) mata as leptospiras e deve ser utilizada para desinfetar reservatórios de água: um litro de água sanitária para cada 1.000 litros de água do reservatório. Para locais e objetos que entraram em contato com água ou lama contaminada: diluir um copo de água sanitária em um balde de 20 litros de água.
Combater os ratos, acondicionando e dando destino adequado ao lixo, armazenamento apropriado de alimentos, desinfecção e vedação de caixas d´água, vedação de frestas e aberturas em portas e paredes, etc, são medidas eficazes. O uso de venenos raticidas (desratização) deve ser feito por técnicos devidamente capacitados.



