Opinião de estudantes está dividida
Quando e Justiça Federal do Ceará concordou com o pedido do Ministério Público (MP-CE) e suspendeu o resultado das provas de sábado (6) do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a decisão afetou o desempenho de 3,3 milhões estudantes de todo o Brasil.
Em Brusque, as opiniões sobre fazer, ou não, uma nova prova estão divididas. A estudante Tuany Fagundes Rausch (17) se sentiu prejudicada com a decisão da Justiça. "Eu não concordo porque eu fui muito bem na primeira prova e, refazer, não sei qual será o nível e posso sair prejudicada".
Já no ponto de vista da estudante Beatriz Gevaerd (17), a prova deve ser refeita. "Eu concordo, porque é injusto com as pessoas que receberam a prova amarela que teve erros e pode ter prejudicado essencialmente a nota da prova. Eu peguei a prova amarela, mas não continha erros. Mas, se for para refazer eu poderia levantar minha nota".
Tuany conclui: "Estudamos o ano inteiro, nos preparamos para isso, tivemos duas semanas de aulões, estudos, cadernos de exercícios e simplesmente cancelar? Não é fácil ficar dois dias ali sob estresse, para cancelar. Refazer a prova só prejudicaria o desempenho dos alunos".
O Ministério da Educação ainda não se manifestou de maneira oficial, mas deverá recorrer. As provas foram distribuídas em quatro cadernos de cores diferentes. Alguns de cor amarela continham falhas, com questões repetidas ou ausentes. Outro problema foi com o cartão-resposta, que tinha questões invertidas. As questões de ciências exatas estavam sob o título de ciências humanas, e vice-versa. Nesse processo, muitos alunos inverteram as respostas no momento de transmitir o resultado para o cartão-resposta.
O Enem é para muitos alunos o passaporte de entrada nas universidades, por causa das porcentagens das notas agregadas à nota do vestibular. De acordo com Orlando Borchardt, diretor do Colégio Cônsul Carlos Renaux, que trabalha há mais de 40 anos com Educação, elaborar uma nova prova seria a opção mais democrática.
"Para se guardar o direito democrático, mesmo que lamentável, deve-se cancelar essa prova e todos devem refazer. Mesmo assim é ruim. Porque, como fica o aluno que acreditou em um bom desempenho e terá que refazer a prova? Porque, se for refeita apenas para o aluno que se sentiu lesado, como garantir que será no mesmo grau de dificuldade? Então, são coisas a pensar", refletiu Orlando.


