Tímido, segundo o dicionário Aurélio, é aquele “que tem temor; que tem dificuldade de relacionar-se com outrem; acanhado, bisonho, retraído”. A timidez, característica pessoal de quem é tímido, não é um diagnóstico psiquiátrico e sua definição é subjetiva. É geralmente transitória e não compromete o funcionamento do indivíduo. Diferente disso é o transtorno de ansiedade ou fobia social, cujos indivíduos que o apresentam, muitas vezes, se descrevem como tímidos ou retraídos. O medo de uma avaliação negativa pelos outros é um aspecto central tanto na timidez quanto no transtorno de ansiedade social (TAS), porém, neste último, há um comprometimento importante no desempenho e na qualidade de vida do indivíduo que o porta.
No TAS há um medo intenso de agir de forma inadequada em determinadas situações sociais. O sofrimento é tal que o indivíduo apresenta intensa ansiedade ao tentar enfrentar situações como festas, encontros amorosos e apresentações formais, podendo ocorrer sintomas físicos (tremor, taquicardia, rubor, sudorese, tensão muscular, urgência miccional, boca seca e náuseas), crises de pânico e fuga do local. São também situações temidas: falar, comer, beber, escrever, atuar, tocar um instrumento em público, urinar em um banheiro público, conversar com autoridades, falar ao telefone com estranhos e paquerar. As sensações e o medo são de tal forma intensos que o indivíduo passa a evitar quaisquer das situações descritas e, algumas pessoas, devido a gravidade deste comportamento, vivem em completo isolamento social ou conservam-se solteiras. Outros prejuízos relacionados ao TAS são: piora no desempenho acadêmico, culminando em abandono dos estudos, prejuízo na produtividade e no trabalho (mais sujeitos a instabilidade no emprego, demissões e desemprego em relação à população em geral). A maior parte dos indivíduos com este transtorno encontra-se nos setores menos produtivos da sociedade e possuem menor probabilidade de obter uma promoção no serviço.
O TAS emerge no início da adolescência, entre 10 e 16 anos de idade. Está entre os transtornos mais prevalentes encontrados na população geral, e é considerado o terceiro transtorno psiquiátrico mais comum, atrás apenas da dependência ao álcool e da depressão. É o transtorno de ansiedade mais frequente.
Familiares de primeiro grau de indivíduos acometidos apresentam duas a três vezes maior chance de desenvolverem o transtorno do que sujeitos na população geral, o que significa que há um componente genético considerável como causa, além da influência ambiental, social e psicológica.
Em até 80% dos pacientes, o TAS está acompanhado de outros transtornos psiquiátricos, entre os quais se destacam a fobia específica, os transtornos depressivos, outros transtornos de ansiedade e o abuso de álcool e de outras drogas.
O tratamento de escolha é o uso de psicofármacos (antidepressivos e benzodiazepínicos) associados à psicoterapia cognitivo-comportamental, que pode ser individual ou em grupo em 12 a 16 sessões.
Publicado por Lana Martins



