Auxiliar de necropsia está previsto para janeiro
O Instituto Médico Legal de Brusque apresenta alguns problemas relacionados à estrutura. Inaugurado em 1996, quando 45 mil habitantes formavam a população brusquense, a obra foi planejada para funcionar por 10 anos. Já passaram 14 anos, a população já é superior a 100 mil habitantes e a estrutura disponível é a mesma. O IML também atende Botuverá, Canelinha, Guabiruba, Major Gercino, Nova Trento, São João Batista e Tijucas.
As condições físicas do local chegaram ao auge da capacidade de utilização. A estrutura é precária. Na sala do médico legista falta espaço. Os exames ginecológicos de sexualidade são feitos em uma maca que também serve de mesa quando não há um paciente. O mobiliário do local está danificado, o banheiro interno e o corredor de acesso servem de almoxarifado.
Na sala onde são examinados os corpos, o equipamento é antigo e enferrujado. Na sala de espera, muitas vezes vítima e acusado aguardam lado a lado. Na parte externa da estrutura, as luminárias não funcionam e a garagem está danificada. "Mesmo se fosse para reformar o prédio, seria impossível, porque o terreno não é nosso e o espaço já é pequeno para os serviços que precisamos. Estamos em um prédio que nos serve precariamente", afirma Antônio Carlos Bastos, diretor do Instituto Médico Legal de Brusque.
Além de problemas como os estruturais, tem ainda a falta de funcionários. "Hoje, contamos com a boa vontade e com a ajuda das funerárias para recolher o corpo do local", acrescenta o médico. O horário de atendimento ao público é das 10 horas às 12 horas, mas algumas vezes os médicos legistas são solicitados em algum lugar. Por isso, as portas são fechadas e a população fica sem atendimento.
Bastos ainda conta com o colega Rafael Júnior. São apenas dois médicos legistas lotados em Brusque, e mais dois médicos cedidos pela prefeitura, para fazer a verificação de óbitos. Ou seja, mortes não violentas. Nesse ano já foram emitidos 1.160 laudos de lesões corporais, 38 de sexualidade e 82 cadavéricos.
"O local sofre, porque não temos infraestrutura de material, de pessoal humano para limpeza, secretaria e recolhimento de corpos, entre outros. Mas, estamos fazendo o máximo possível. Mas, até quando vamos suportar essa situação?"
De acordo com Bastos, falta mão-de-obra para esse tipo de serviço. Até mesmo por conta do preconceito. No entanto, o médico lembra a importância do trabalho: "Aqui é comprovado a materialidade do crime. O laudo que produzimos aqui, materializa aquilo que aconteceu com o corpo da pessoa. A partir dai começa a ação policial e judiciária".
O diretor dos IMLs de Santa Catarina, Maurício Ortiga, encaminhou um ofício que confirma o envio para Brusque de um auxiliar de necropsia, em meados de janeiro. Mas, isso não é suficiente para que os problemas do IML local sejam resolvidos. No ano passado, os diretores do IGP estiveram em Brusque buscando soluções.
"Precisamos pensar em uma solução que seja definitiva. Um planejamento para 20 anos. Precisamos de um terreno que seja público de fácil acesso, equipamentos, mobiliário e mão-de-obra. As instituições públicas, de maneira em geral, têm que se unir e achar uma solução", considerou Antonio Bastos.



