Os fãs de armamento, de Airsoft ou do militarismo, já devem ter visto algum tipo de arma de jogo. Essas armas são usadas para jogos ou treinamentos e têm suas distinções das armas verdadeiras, mas podem ser confundidas, propositalmente ou não, por outros tipos de armamentos, como os próprios simulacros. Mas antes de compreender as diferenças entre as Airsofts e simulacros, é necessário entender o que é o jogo e o armamento.
O jogo desportivo de Airsoft é basicamente baseado em táticas e simulações militares ou policiais, podendo haver missões em cada dia de jogo. Da mesma maneira que o ambiente militar dispõe de maneiras vividas com honra, honestidade e força, assim como o lema “Força e Honra”, criado pelos gladiadores do Império Romano, os jogadores devem se manter em ordem como tal.
ARMAS E MUNIÇÕES
De acordo com o capitão do 18º Batalhão de Polícia Militar (BPM), Pedro Machado, quem regulamenta as normas do armamento Airsoft é o Exército Brasileiro, bem como a importação, exportação, fabricação, comércio, tráfego e utilização. Essas condições são feitas para as armas de pressão por ação de mola ou gás, ou seja, as utilizadas em jogos.
Para a realização da compra desses equipamentos, o interessado deve ter, no mínimo, 18 anos e adquirir em lojas nacionais autorizadas pelo EB, ou importar, o que precisaria de uma licença também expedida pelo Exército, o que pode demorar.
Segundo a Portaria 02 Colog, de 26 de fevereiro de 2010, que regulamenta as réplicas e simulacros, em seu artigo 13, é necessário que o proprietário de armas de pressão sempre tenha consigo um documento legal que comprove a origem lícita do equipamento.
“A sua utilização em local indevido, em local não permitido, pode caracterizar uma tentativa de dando à saúde física de alguém ou pode causar lesão corporal, que é um crime. E se ele não estiver portando a devida documentação, que é o registro da compra em nota fiscal, o equipamento pode ser apreendido também”.
Essas armas só podem ser utilizadas em práticas recreativas e desportivas, ou seja, o dono do objeto não pode sair em via pública “portando” ele, mas apenas “transportando” até o local do jogo, dentro de seu veículo e com o registro de compra.
DIFERENÇAS
Como já dito anteriormente, as armas de Airsoft são de pressão a gás ou por mola, como também elétrica. Diferente das armas simulacro, as quais também são réplicas das reais, mas que não possuem mecanismo algum para efetuar disparos.
Outra diferença da Airsoft é a ponta laranja (que deve sempre existir), que não é usada no simulacro. A venda do último tipo é proibida no Brasil, mesmo que sejam usados, às vezes, em treinamentos e jogos. Devido à proibição da comercialização, o contrabando é forte, da mesma maneira que as armas simulacros são utilizadas para cometer crimes.
“Já foram apreendidas em alguns roubos essas armas, e a pessoa portando sem ter a documentação necessária. As pessoas que estão ilegais com essas armas, geralmente, [porquê] são usadas para ações ilegais também, como roubos e ameaças”, explica Pedro.
Um dos casos registrados pela Polícia Militar com a apreensão de simulacro aconteceu ainda neste ano. No dia 21 de outubro, no município de Guabiruba, um homem foi detido e um adolescente apreendido depois de denúncias que os dois estavam armados em via pública. Mesmo depois de tentar descartar, a PM localizou um simulacro de pistola 380 às margens da rua em que os suspeitos foram encontrados.
AIRSOFT TEAM BRUSQUE
No município, o grupo que se denomina como Airsoft Team Brusque (ATB) e, além de ainda estar recrutando jovens, tem mais de 30 participantes ativos se encontrando todos os domingos, a partir das 14h, em vários pontos da cidade. Adrenalina à flor da pele é o sentimento dos que estão com a farda rajada em meio às matas da cidade. O Airsoft oportuniza uma forma de vivenciar simulações militares, só que sem perigo algum, devido às munições não letais.
De acordo com o responsável pela equipe brusquense, William Bernard Hochsprung, os jogos acontecem apenas em locais seguros e os integrantes devem seguir um estatuto do grupo.
“Para poder entrar na equipe, a pessoa precisa ter 18 anos, a gente pede uma negativa de certidão criminal, precisa ter o equipamentos básicos de segurança, que é os óculos de proteção e o equipamento para a prática do esporte, que é a arma propriamente dita”.
Segundo o estatuto do grupo, disponibilizado para a reportagem, o interessado em se fazer parte do grupo deve ter bom relacionamento com outros integrantes, bem como seguir as regras.
Ainda de acordo com o texto, algumas das proibições são:
• O uso de qualquer fardamento das forças armadas nacionais e similares;
• Atirar contra animais, bens públicos e pessoas fora do jogo;
• Estar de posse de drogas ilícitas e armas de fogo;
• Transportar ou portar o equipamento do jogo de forma ostensiva;
Além disso, o estatuto prevê várias obrigações, inclusive de segurança, para o integrante que, de acordo com Hochsprung, se não forem obedecidas, o jogador é convidado a se retirar do grupo. O líder também acredita que deveria ter maior fiscalização do próprio Exército para a compra e utilização desse armamento.
Publicado por Lana Martins



