(VÍDEO) Brusque tem 200 pacientes com HIV que não são localizados

No Dia Mundial da Luta Contra a AIDS, a cidade de Brusque tem duas situações distintas. Ao mesmo tempo em que comemora a erradicação da transmissão da doença de mãe para filho tem cerca de 200 pessoas que foram diagnosticadas com o vírus HIV e que, simplesmente, desapareceram do tratamento e acompanhamento feito pelo setor de saúde.
“São pacientes que somem. Recebe o diagnóstico, recusa o tratamento. Pessoa não é obrigada a tratar. Não podemos enfiar o comprimido goela abaixo do cidadão. Ele recusa o tratamento, não quer acompanhamento médico”, afirma a farmacêutica Camila Gilli, do Serviço de Apoio Especializado (SAE), da Secretaria Municipal de Saúde,, destacando que a equipe tenta através de buscas localizar a pessoa, mas nem sempre com sucesso.
Muitos desses pacientes mudam de cidade, o que dificulta a localização e facilita a continuidade da transmissão do vírus. Anos depois se recebe ligação e outra cidade informando a presença da pessoa. Isso ocorre porque o sistema de HIV é unificado e toda ação desencadeada pelo paciente, como a ida a uma unidade básica para retirar medicamento, acaba sendo registrada e é de acesso a todos os municípios do país.
Brusque tem mais de 800 pacientes infectados com HIV
De acordo com estudo feito pelo setor de saúde, a cidade de Brusque possui 878 pessoas infectadas com HIV, muitas delas avançado para AIDS, quando o vírus já atacou o sistema imunológico da pessoa. Todas elas têm acompanhamento do SAE.
Um levantamento feito ano passado mostra que 70% dos casos de pessoas infectadas pelo HIV na cidade são homens, heteros e casados. A maioria tem idade entre 22 e 39 anos. “Cada vez mais temos diagnósticos de muitos jovens. Às vezes, não fechou nem 20 anos”, pontua.
Camila relata que Brusque é uma das cidades de Santa Catarina que tem o maior número de diagnóstico da doença por habitante. O problema é que a maioria dos casos esse diagnóstico é sempre tardio, ou seja, os que chegam ao atendimento já estão com a doença.
“A pessoa está em casa, muito debilitada, a família pega e leva para e vai no hospital. Aí, o hospital faz o teste e encaminha para nós. Esse paciente, ele acaba ficando muito mais caro para o sistema, pois ele é polimedicado e é um paciente cuja recuperação é mais difícil”, explica a farmacêutica.
O setor de atendimento tem buscado reforçar a importância da prevenção e, além disso, de as pessoas realizarem testes para dectectar a presença ou não do vírus. Todas as UBS possuem teste rápido para HIV e o resultado sai em 15 minutos.
As ações de combate avançaram muito ao longo dos anos. A Aids tem 30 anos e quando surgiu, se levava três anos para se diagnosticar a presença do vírus. Hoje em dia esse tempo é de 30 dias. “Quanto mais cedo você descobre, menos o vírus destrói seu sistema imune”, diz ela.
Camila explica que a proteção não é somente o preservativo. Existe medicamento que pode ser tomado para prevenir e evitar que vírus avance no organismo. Quem teve alguma relação e não utilizou preservativo ou métodos de proteção pode ir a uma UBS e solicitar o remédio. Atualmente, 72 pessoas estão fazendo um espécie de pré tratamento contra a doença.
Ações para erradicar a transmissão enquanto há cura
Há um trabalho da Organização Mundial da Saúde (OMS) para erradicar a transmissão do HIV em todo o mundo até 2030. Brusque é uma das três cidades de Santa Catarina que já conseguiu erradicar a transmissão vertical do vírus, ou seja, quando ele é passado de mãe para filho.
“Faz dez anos que não temos crianças nascendo com HIV no município. Isso á fruto de um trabalho em conjunto com a Rede Cegonha, as UBSs, que fazem acompanhamento, de pré-natal. Sabemos que é possível fazer isso, desde que a população tenha consciência, faça os testes, busque recursos. Buscar a prevenção não é se expor”.
Sintomas da presença do vírus e da doença
Alguns sintomas podem indicar a presença do vírus HIV no organismo. Entre estes estão fraqueza, emagrecimento, ínguas na garganta.
Camila relata, ainda, que há dois tipos de HIV no mundo, definidos coo tipo 1 e 2. O primeiro é justamente o que possui o estudo e tratamento mais avançado. Já o outro tem característica de resistir aos medicamentos. Ele tem sido detectado em pacientes africano. Há dois destes na cidade de Brusque sendo acompanhados.
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