De de 2010 para cá, o número de assaltos na cidade de Brusque tem aumentado. Até o mês de outubro, de acordo com a Polícia Militar, foram 132 casos de roubos registrados apenas pelo 18º Batalhão da PM, sem contar os números da Polícia Civil e casos que não chegam a ser registrados.
O comandante do 18º Batalhão da PM de Brusque, tenente-coronel Moacir Gomes Ribeiro, diz que o aumento é considerado normal, devido ao aumento da população. A cidade foi uma das que mais cresceu no Brasil, ficando em 7º lugar, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) em termos populacionais. “Em Santa Catarina, se eu não me engano, ficou em segundo lugar e só perdeu pra Balneário Camboriú”, pontua o militar.
Além disso, Gomes também ressalta o progresso econômico da cidade, pois isso atrai pessoas em busca de trabalho na cidade. “Mas também traz, infelizmente, aquelas pessoas com más intenções de aproveitar esse momento de riqueza da cidade pra fazer assaltos. Nós temos que colocar também que Brusque está próxima de grandes centros, como Blumenau, Itajaí, Balneário, próxima da BR-101, próxima das rodovias importantes”, o que também pode facilitar fugas em assaltos, acredita ele.
Gomes conta que, normalmente, os assaltos que ocorrem em Brusque são de pequena monta. Ou seja, às vezes um celular roubado, uma bicicleta, uma televisão. “Logicamente que quem perde o bem, não está satisfeito, evidentemente. Mas a gente está considerando como padrão de assalto: assalto a banco, assalto à residência, onde a família, às vezes, é colocada como refém e isso cria um trauma psicológico extremamente grande e grave”, diz ele, afirmando que essas ocorrências são as que mais preocupam quando se trata de roubo. Porém, esses fatos têm decrescido com o tempo.
Conforme dados da PM, em 2010, o número de assalto fechou o ano com 93 casos. Em 2011, foram 97 roubos registrados. Em 2012, a PM registrou 132 ocorrêncis e em 2013 chegou a 169.
PREVENÇÃO
O comandante acredita que algumas práticas podem ser feitas para a prevenção por meio de um policiamento ostensivo, da presença marcante dos policiais em todos os bairros e, talvez a principal delas, a participação da comunidade. “Através de verificar onde se dá o maior número de assaltos, quais são os horários e quando a gente verifica onde colocar maior número de policiais”, explica.
Além de acionar o Centro de Operações da Polícia Militar (Copom), por meio do número de emergência 190, a fim de comunicar informações sobre um assalto, até mesmo quando se está com suspeita são maneiras de auxiliar a polícia. “O tempo-resposta é fundamental para que a gente tenha êxito na captura desses agentes que provocaram esses assaltos”.
O que também pode ajudar na hora de precaver assaltos é o “vizinho solidário”. Se caso o morador sair de casa, para viagens e afins, principalmente no verão, é possível avisar o vizinho para que, caso haja alguma situação estranha, acione a Polícia Militar ou visite a casa algumas vezes por dia. Por isso, é preciso ter um bom relacionamento com os vizinhos. “Evitar também de deixar janelas abertas, se tiver sistema de alarme, evidententemente, sistema de monitoramento de vídeo, isso tudo ajuda”, aconselha.
PM E A COMUNIDADE
A comunidade hoje apresenta boa comunicação, ou seja, melhorou muito com o passar do tempo, já que, atualmente, a polícia dispõe de vários meios, até mesmo por mídias sociais. Ele também alerta que a vítima nunca deve reagir ao assalto. “A gente só quer que as pessoas comunique o mais rápido possível, que repasse as informações: aspectos físicos, trajes do agente e se possível, a placa do veículo, a cor, quantas pessoas estavam juntos”, prossegue o comandante da PM, afirmando que todo o tipo de informação que possa ser relevante para a captura de criminosos deve ser observada.
O tenente-coronel ainda diz que a comunidade tem bastante dificuldade ao dar a informação para o Copom. “Alguns a gente até entende porque ficam nervosos, ficam com medo, não querem se envolver nas ocorrências, muitos alegam isso. Ou têm medo de represálias por parte dos autores dos assaltos, mas é muito fácil se omitir e fechar a cortina e faz de conta que não está vendo o vizinho ser assaltado. Se você se omitir, daqui a pouco pode ser você”. Com essa atitude, será criada uma comunidade onde a solidariedade é zero e isso que o bandido quer, entende o policial.
De acordo com Gomes, o importante seria se todos os bairros tivessem associações de moradores e conselhos comunitários de segurança instalados nas comunidades para que a PM pudesse ter um contato mais próximo com a população e saber das necessidades. Hoje, Brusque conta apenas com um conselho, que é o do Centro. “A polícia só tem contato com a comunidade quando já aconteceu [a ocorrência]. Mas a gente está à disposição da comunidade, para se quiser se reunir para que a gente possa interagir”.




