O centenário do Padre Eloy Dorvalino Koch
Com uma missa de ação de graças na igreja Matriz São Judas Tadeu, em Águas Claras, na manhã deste domingo (15) marcou exatamente os 100 anos de nascimento do Padre Eloy Dorvalino Koch SCJ (Sagrado Coração de Jesus), que iniciou sua atuação em Brusque no ano de 1942. A Sagrada liturgia foi presidida pelo padre José Luiz de Sousa, pároco da Paróquia São Judas Tadeu.
Aos 90 anos, o padre Eloy Dorvalino Koch faleceu às 21h40min de terça-feira, dia 15 de fevereiro de 2010, no quarto onde morava no Convento Sagrado Coração de Jesus, no Centro de Brusque. O corpo foi velado na capela do Convento e às 16h30min foi transladado até a igreja Matriz São Luís Gonzaga, onde foi celebrada a missa de corpo presente às 17 horas, seguida do sepultamento no cemitério municipal Parque da Saudade.
Uma trajetória de fé e trabalho
Lembrando-nos de que ''a fé é sempre esperança, é certeza de que nós temos um futuro e não cairemos no vazio”, Padre Eloy Dorvalino Koch, SCJ, durante mais de 68 anos contribuiu com o desenvolvimento integral da comunidade brusquense.
Filho de Maria Lúcia Momm e José Carlos Koch, Dorvalino Koch nasceu em 15 de novembro de 1920, na localidade de Rio Cachoeirinha, no município de Orleans/SC.
Cursou o ensino primário em Ituporanga. O ensino secundário e superior na Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus, Dehonianos: em Corupá/SC, Brusque/SC e Taubaté/SP. Foi ordenado presbítero em 11 de julho de 1948.
Licenciado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de Curitiba. Curso de Pedagogia Religiosa no Instituto Católico de Paris, França. Mestrado e Doutorado pela USP, na área de Filosofia e História.
Lecionou na UNIFEBE - Brusque, UNIVALI - Itajaí, UNERJ - Jaraguá do Sul e FURB - Blumenau.
Sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina. Membro da União Brasileira de Escritores - SC.
Fundador do Arquivo Provincial Padre Lux - APPAL – em Brusque, do Museu do Artesanato Catarinense - MAC – Parque da Santur, em Balneário Camboriú e do Museu dos Pioneiros – em Ituporanga/SC.
Trabalhou dois anos na comunidade de Santa Luzia - Brusque, Regente do Coral São Luís Gonzaga, secretário do Colégio São Luiz, Capelão - por dois anos - no Bairro Fortaleza em Blumenau - na Igreja Santa Isabel.
Cidadão Honorário de Brusque, foi empossado, no dia 5 de julho de 2008, também Conselheiro Honorário de Cultura de Brusque.
Juntamente com Ayres Gevaerd, constituiu-se num dos fundadores da Sociedade Amigos de Brusque-SAB, a mantenedora de Casa de Brusque.
Integrante da Comissão Organizadora dos festejos do Centenário de Brusque, Padre Eloy escreveu a obra Catolicismo Centenário de Brusque, no ano de 1956, quando visitou todas as igrejas que faziam parte da comunidade católica de Brusque, inclusive as de Vidal Ramos, Botuverá e Guabiruba.
Em parceria com Antônio Neco Heil, publicou o livro Clube Atlético Carlos Renaux, ex-Sport Club Brusquense, o Vovô do Futebol Catarinense. É autor de inúmeras outras obras abordando a história, a educação e a religião.
Homenagens
Sob o lema "Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração, os quais vos apascentarão com inteligência e sabedoria" (Jer. 3, 15), a comunidade brusquense celebrou antecipadamente no sábado, 13 de novembro de 2010, o 90º. aniversário natalício do Padre Eloy Dorvalino Koch, SCJ.
Reunindo centenas de brusquenses e pessoas de várias outras regiões do Estado, a comemoração dos 90 anos do Padre Eloy Dorvalino Koch – SCJ teve início com sua chegada no Santuário de Azambuja, às 10h de sábado, 13 de novembro de 2010, amparado pelo padre Vandanam Raju e pelo diácono Harry Boos, sendo recebido com intensa e demorada salva de palmas. Apesar de extremamente fragilizado fisicamente, encantou a todos pela lucidez, sabedoria e profundidade de seus ensinamentos.
No início da Sagrada Liturgia, o historiador Paulo Vendelino Kons fez memória de algumas pessoas que tiveram intensa participação na vida do aniversariante: os padres João Stolte e João da Cruz Stuepp, o ex-prefeito e deputado Antônio Neco Heil e o professor e empresário Érico Antônio Contesini.
Reitor do Santuário Nossa Senhora de Azambuja, padre Alvino Milani fez a acolhida do homenageado e dos concelebrantes padres Osnildo Carlos Klann – que após sua gestão como superior provincial dos Padres Dehonianos realizava intensa atividade missionária na República Democrática do Congo, no continente africano. João Francisco Salm - pároco da Paróquia Santa Teresinha, Pedro Schlichting – reitor do Seminário de Azambuja e o indiano Vandanam Raju Koppula – do Pontifício Instituto das Missões e pároco de São Judas Tadeu, do pastor Claudio Siegfried Schefer, pároco da Paróquia Bom Pastor da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil e do diácono Harry Boos, da Diocese de Blumenau.
O sustentáculo da Fé
A Liturgia da Palavra enfocou a Sagrada Escritura, como sustentáculo da Fé, apresentado Jesus, o bom Pastor. Na homilia Padre Eloy lembrou com muito carinho do padre Pedro Storms, o 'Pedrinho', que mesmo superior provincial era extremamente humilde e afável. Apelidado de o “submarino de Deus”, pois silenciosamente chegava no Seminário de Corupá proveniente de Taubaté/SP, sem pompas ou anúncio prévio e 'emergia' no meio dos seminaristas. Apesar de alguma dificuldade com a fala, entendiam muito bem o que ele queria dizer, pois “falava com seu testemunho de vida”. Também os exemplos do arcebispo Dom Afonso Niehues - com seu lema episcopal “Ite in Vineam” (ide para a vinha), da primeira turma de seminaristas de Azambuja, e do cardeal Dom Jaime de Barros Câmara - com o lema “Ignem veni mittere in terram” (eu vim trazer fogo à terra), primeiro reitor do Seminário de Azambuja, foram referenciados. A trajetória do saudoso Papa João Paulo II foi lembrado com emoção e descrito a partir de seu lema “Totus tuus” (todo teu), destacando o papel daquele sucessor de Padre na queda da “cortina de ferro”.
“A cultura da alma é a alma da cultura”
Ao finalizar sua alocução, Padre Eloy fez uma reflexão a partir de um pensamento do Cardeal Faulhaber - que enfrentou Hitler, “A cultura da alma é a alma da cultura”. O nonagenário sacerdote afirmou que o mais importante da cultura está na cultura da alma humana e não apenas na cultura material do ser humano: “nós hoje estamos enredados pela ciência, tecnologia e técnica. Estamos 'adorando' a ciência, a tecnologia e o técnico. A ciência procura descobrir as leis da natureza. A tecnologia procura descobrir a maneira de aproveitar estas leis. E o técnico é o aproveitamento prático destas. Mas o que dá sentido a nossa existência, acima de tudo, é o desenvolvimento do ser humano, portanto um desenvolvimento no qual a religião, a fé cristã esteja presente. Assim teremos o desenvolvimento integral” destacou com firmeza Padre Eloy.
Padre, Professor, Escritor
Na procissão ofertorial, no início da Liturgia Eucarística, foram apresentados alguns símbolos que marcam a vida do sacerdote: 1. o quadro de Santa Luzia, lembrando as comunidades que foram atendidas espiritualmente; 2. alguns dos livros de sua autoria: Catolicismo Centenário de Brusque, Pioneiro Dehoniano em Brusque: Padre João Stolte, Convento SCJ: Contribuição à história da Província e de Brusque e Tragédias Euro-Xokleng e Contexto (que retrata o genocídio e o etnocídio dos indígenas em nossa região); 3. a fotografia retratando a peregrinação à Azambuja, em 14 de novembro de 1906, do Padre Lehon Dehon, fundador da Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus, acompanhado do Padres Gabriel Lux, João Stolte e Henrique Lindgens, representando o Arquivo Provincial Padre Lux, fundado por Padre Eloy; 4. a Estola, símbolo do sacerdócio; e 5. o pão e o vinho. Antecedendo os ritos finais da Liturgia, na qualidade de ex-aluno e confrade, o brusquense padre Osnildo Carlos Klann fez um emocionado depoimento sobre a importância da atuação do Padre Eloy para a Congregação, à Igreja e toda a Comunidade.
A treze de maio, na cova da Íria …
Na final da Missa, Padre Eloy contou uma história desconhecida da quase totalidade dos brusquenses. Relatou como o Hino de Nossa Senhora de Fátima tornou-se conhecido na região. “Nos idos dos anos de 1950, encontrei, na praça central de Brusque, um senhor além da meia idade, formoso, que retornara de Rio de Janeiro muitíssimo feliz por ter participado de eventos que marcaram a peregrinação imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima àquela cidade. Primeiro ensinou a letra do canto, depois a música e cantou na praça mesmo A treze de maio, na cova da Íria … e este senhor era o maestro Aldinho Krieger. E sob a regência de Ingrid Knihs o coral São Luís Gonzaga, do qual Padre Eloy fora regente nos anos 50, passou a entoar a canção de Fátima.
Confraternização
As homenagens no restaurante Vô João se iniciaram com a apresentação do Grupo Amigo de Canto Alemão. Em nome da diretoria da Sociedade Amigos de Brusque/Casa de Brusque manifestou-se o Dr. Antônio Cervi, enaltecendo a participação de Padre Eloy na fundação daquela entidade e a sua relevante contribuição para a ampliação de seu acervo, inclusive na comissão organizadora do Centenário de Brusque. Frederico Heil lembrou os profundos laços de amizade do Padre Eloy com sua família e outras várias famílias brusquenses. Citou a parceria do homenageado com seu pai Antônio Neco Heil na elaboração do livro sobre o Clube Atlético Carlos Renaux. Dr. Germano Hoffmann carinhosamente cobrou do Padre Eloy a publicação de livro também sobre a história do Clube Esportivo Paysandu. A professora Maria Glória Dittrich enalteceu a importância do Padre Eloy na Educação, na humanização, na construção de um mundo melhor. Historiador e escritor, Toni Vidal Jochem representou o Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina – IHGSC. O Pastor Claudio Schefer rendeu graças a Deus pelos 90 anos de vida do homenageado. Diácono Harry Boos manifestou-se em nome da família do homenageado e da Paróquia Santa Isabel, de Blumenau, onde por vários anos Padre Eloy trabalhou. Representante da comunidade, o médico Germano Hoffmann entregou uma placa ao Padre Eloy, com os dizeres:
“Querido Padre Eloy - Paz e Bem!
Na celebração de seu 90º aniversário natalício, queremos louvar ao Criador pela longa e profícua trajetória vossa.
A Sagrada Liturgia que acabastes de presidir, renovou em nós a certeza de que a fé é sempre esperança, de que nós temos um futuro e não cairemos no vazio, pois Cristo, o bom Pastor, caminha conosco.
Bendito seja Deus que nos concede a dádiva de vossa existência. Parabéns Padre Eloy, ad multos annos! Que Deus lhe abençoe! Vivat Cor Jesu, per Cor Mariae! Comunidade Brusquense, em 13 de novembro do ano da graça do Senhor de 2010. ”
Colaboração do Historiador Paulo Vendelino Kons

