Juntos, governo federal e estadual devem à Unifebe, de Brusque, quase R$ 3 milhões. Os valores são referentes a parcelas do Programa de Financiamento Estudantil (Fies) e do Artigo 170. Dinheiro que obrigou a instituição a remanejar recursos de seu orçamento para não paralisar o atendimento aos acadêmicos em 2016.
A informação é do reitor da Unifebe, professor doutor Güinter Lother Perstchy. “Isso faz falta para qualquer gestor sério que conta com esse dinheiro. Tive que pegar de outras receitas para não trazer problemas. Você deixa de investir em outras situações, deixa de lançar novos cursos, criar espaços para suprir uma necessidade”, frisou ele em entrevista ao programa Rádio Revista Cidade desta segunda-feira (12).
O valor devido pela esfera federal é de R$ 2,6 milhões, enquanto que o estado está pendente com montante de R$ 370 mil.
“Se você deixa de pagar Imposto de Renda, ou INSS, é penalizado no dia seguinte. Nós não recebermos parece que é normal, comum em um país que quer ser sério e de primeira linha”, desabafou Güinter.
O não repasse desses recursos, aliado à situação econômica que vive o Brasil, contribuiu para que outros projetos da Unifebe fossem freados em 2016. Investimentos que estavam programados tiveram de ser adiados para que a conta fechasse sem prejuízos.
Um deles foi o ginásio de esportes, que havia sido anunciado pelo reitor no final do ano passado. Além dele, construção de novos blocos e lançamentos de cursos também tiveram de ser repensados por ora.
“Houve no ano diversos avanços. Porém, a partir do momento em que o cenário desenhou o que está acontecendo, as decisões foram freadas”, pontua ele.
Apesar de toda turbulência, a instituição contabiliza resultados positivos em 2016. Como a adiantada implantação do ensino à distância, que já recebeu parecer favorável do Ministério da Educação e está em fase final para começar. Além deste, o lançamento do programa de residência médica, através de parceria com o Hospital Israelita Albert Eisnstein, de São Paulo, o Hospital de Azambuja e a Prefeitura de Brusque.
“Para nossa felicidade, numa escala de 1 a 5, nosso projeto foi de 4. Isso nos dá um grande avanço, pois dará autonomia sobre o que trabalhar em termos de ensino”, frisou ele sobre o ensino à distância.
Na entrevista, Güinter comentou sobre assuntos que envolvem a sociedade com um todo, desde a crise econômica, política à atuação do Judiciário na instância máxima, o STF.
“Quando as leis não são respeitadas, o país começa a ter, lá fora, uma imagem que preocupa. Temos uma imagem deteriorada há mais tempo, mas está chegando a pontos que nos preocupam muito”, finaliza o reitor.



