Este sábado, 18 de outubro, para quem mais cuida da saúde de pessoas, será muito especial. O Dia do Médico é lembrado no dia 18 de outubro e a Rádio Cidade conversou com um destes profissionais, Jonas Krischke Sebastiany, que atua na áera há 21 anos, para falar dos mais variados desafios da profissão que ainda é muito desejada por jovens.
A medicina fala de sacerdócio e essa é uma maneira romântica de descrever a profissão. Porém, ela tem mudado muito com o decorrer dos anos. Sebastiany conta que ainda na época em que o avô exercia o início da carreira dizia que todo médico deveria ter um espaço para guardar um animal ou verdura que ganhasse do paciente em troca da consulta.
“Estamos muito mais à mercê das questões urbanas hoje. Às vezes, somos questionados por cobrar para cuidar da saúde das pessoas, mas, hoje, é o único jeito da gente pagar nossas contas”, desabafa. Para ele, a medicina não é mais considerada sacerdócio por não estar ligada diretamente ao clero, o que faria com que os médicos fizessem um voto de pobreza.
“Lamentavelmente, a medicina se tornou muito cara, principalmente pelos exames complementares. A medicina se tornou, em minha opinião, uma ciência menos humana, com relação a médico e paciente, o que deve ser pensado [a meu ver]”.
DESAFIOS
Sebastiany se formou em medicina na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS). Ainda durante a graduação estagiou na UFRS e, quando se formou, teve várias oportunidades de emprego devido ao tempo dedicado no estágio. Depois de formado, trabalhou no Rio Grande do Sul e ainda prestou serviço como médico na Força Aérea Brasileira (FAB). Por fim, se instalou em Brusque e trabalha como médico do trabalho há 17 anos. “Aqui estou feliz, é uma sociedade onde eu me sinto muito bem”, enfatiza.
Na FAB ele relembra que, durante os três anos e meio que permaneceu, aprendeu a ter autocontrole e a ter disciplina rigorosa. “A Aeronáutica é uma instituição militar muito bacana. Eu trago como experiência esse autocontrole elevado em situações que a própria profissão precisa”.
Sebastiany acredita que, neste momento, os médicos vivem um desafio diferente: é conseguir ir contra uma demanda de desmoralização que vem do governo federal tentando criar uma inimizade entre médicos brasileiros e pacientes. “Os médicos brasileiros estão sendo colocado como bodes expiatórios de todos os problemas do país, o que é uma grande inverdade e que é muito conveniente para aqueles que não conseguem resolver os problemas”, destaca. Jonas diz que a principal dificuldade está no contexto histórico do Brasil, já que grande parte da população utiliza do Sistema Único de Saúde (SUS), logo, essa maioria, muitas vezes, não tem acesso a um serviço médico adequado.
EM BRUSQUE
Além de ter a especialização em medicina do trabalho, no que atualmente atua, o profissional também atuou como médico no pronto socorro do Hospital de Azambuja durante dez anos. “Também foi importante para conhecer a realidade da saúde da cidade, os acidentes que ocorriam no trabalho e fora dele. E na verdade, a medicina do trabalho foi o grande motivo de eu vir pra cá, porque é uma cidade industrial”.
Quanto ao hospital, ele destaca que há muito mais acertos que erros, mesmo que os defeitos existam. “Digo que é um hospital que salvou e que salva muita gente. A população deveria ser muito grata aos profissionais que trabalham lá”. Ele ainda cita que quando se está nos bastidores, a visão é outra, visto que a instituição já passou por alguns problemas, até mesmo de atraso de salários.
“Realmente é um hospital, não só para Brusque, mas para toda a região, que tem uma relevância que faz diferença entre a vida e a morte”.
Para finalizar, Jonas Sebastiany aconselha os que desejam ser médicos. “Não sonhem, façam valer os seus desejos e planos. Não gosto muito da expressão sonho, acho que é melhor fazer planejamento”. Além disso, que não pensem em ficar ricos e, principalmente, que goste de gente.
“Tem que gostar de gente, de todos os tipos, de todos os credos, de todos os aspectos físicos e emocionais. Tem que tratar com a mesma dignidade porque é um ser humano e tentar sempre pensar que o indivíduo que está ali em sua frente pode ser um familiar seu. Sempre digo que o que diferencia o médico do paciente é o lado da mesa”, finaliza.



