Grupo busca prestar apoio a pais interessados em adoção de crianças
03:00 20/04/2008
Trabalhar junto às pessoas interessadas em adoção, servindo de orientador quanto a questões de convivência e relacionamento familiar. Esta é a tarefa que desenvolve o Grupo de Estudos e Apoio à Adoção de Brusque (Geaab). Há 10 anos que o Geaab desenvolve trabalhos nesse sentido na cidade de Brusque. Dele fazem parte pessoas, a maioria casais, que se inscreveram em processos de adoção na Justiça e aguardam pela liberação da guarda ou mesmo o surgimento de uma criança que esteja apta para isso.
O grupo é formado por pais e filhos adotivos, além de profissionais ligados à assistência social e outras pessoas da comunidade que demonstram preocupação com o assunto. O trabalho é feito sob a forma de debates e palestras a respeito da educação dos filhos e o relacionamento familiar. Os encontros acontecem toda segunda quarta-feira de cada mês, nas dependências do Serviço Social do Comércio (Sesc), sempre a partir das 19h30min. “Pode-se dizer que o objetivo principal do grupo é o de trocar experiências sobre o assunto. Nisso, uma das coisas que fazemos é de trabalhar no acompanhamento e preparação do casal ou pessoa que se inscreveu ou está pensando em adotar”, explica a presidente do Grupo de Adoção, Elisabete Maria dos Santos. E ela é a pessoa mais indicada para falar a respeito do assunto. O tema é algo que sempre esteve presente em sua vida. “Eu venho de um histórico de adoção. Minha mãe é adotiva, tenho um irmão que também é e meu filho faz parte desse ciclo. Trato dessa questão com muito orgulho. Aqui em casa costumamos brincar que somos uma família adotada, pois até o cachorro, que estava abandonado na rua, nós adotamos”, brinca ela.
Elisabete diz que apesar das mudanças de comportamento que são notadas em vários setores da sociedade, as pessoas tratam o tema adoção com muita ressalva e preconceito. Profissional do setor de educação, ela diz notar que isso é bem comum onde justamente não deveria haver esse tipo de tratamento: na escola. “Posso dizer que essa questão do rótulo é minha maior luta e do grupo. Percebo que quando uma criança faz alguma coisa que é considerada errada no ambiente escolar, por exemplo, as pessoas fazem questão de observar que ela é adotada, como se isso fosse o fator determinante”, comenta, dizendo que ainda há forte preconceito por parte da sociedade em agir de maneira natural para com o assunto.
Nas reuniões do Grupo de Adoção, alguns assuntos costumam ser trabalhados com maior delicadeza. Os futuros pais se deparam com grandes dúvidas, principalmente as que tratam da formação da criança. Questionamentos que os filhos podem vir a fazer sobre suas origens genéticas, as diferenças físicas, entre outros pautam as incertezas. Para isso, Elisabete tem a resposta na ponta da língua: “Eu não sei. Ninguém pode saber sobre o dia de amanhã. Se soubéssemos tudo, não precisaríamos de apoio algum. A vida é uma grande incerteza e o que temos de fazer é apenas saber o que queremos”. Outra dúvida bastante comum, segundo a presidente do Grupo de Adoção, é quanto à idade ideal para contar à criança que ela foi adotada. Elisabete diz que soube aos cinco anos e seu filho, Felipe, hoje com 12, também nessa mesma idade. O importante, reforça ela, é que seja uma relação pautada na verdade.
Mais de 70 casais aguardam na fila para dotar em Brusque
De acordo com a assistente social Luciana Mafra Rechio, responsável pelo setor de adoção do Poder Judiciário de Brusque, atualmente não há nenhuma criança na fila de espera para ser adotada no município. No entanto, 74 casais estão inscritos na cidade para conseguir o aval da Justiça e realizar o sonho. Luciana atua na elaboração de estudo social para detectar as potencialidades de o casal poder adotar ou não uma criança. Um trabalho que, segundo ela, muitas vezes se mostra injusto. “Eu vou na casa da pessoa, entrevisto a esposa, o marido, outros que moram junto com o casal. Mas isso não me dá garantia de que vão ser bons pais ou não. Por isso sempre achei que mais vale prepararmos para serem pais do que basicamente selecionar”, comenta ela, defendendo a atuação dos grupos de apoio à adoção.
Segundo dados da Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja/SC), até o mês de março deste ano havia 3.340 inscritos no processo de adoção em todo o Estado. Destes, 2.184 residem em Santa Catarina, 870 em outros estados e 286 fora do Brasil. 80% aceitam crianças com até três anos de idade, com preferência pelo sexo feminino e que não tenham irmãos. Por ano, são oficializados, em média, 400 processos de adoção para pessoas que residem no país, além de 50 para estrangeiros. A preferência das pessoas que moram em outros países é por crianças com idades entre sete e 14 anos, pardas ou mulatas, do sexo masculino, independente de terem irmãos ou não. Em sua maioria, são crianças que vivem em abrigos. Hoje elas somam 1.266 e estão espalhadas por 135 abrigos em todo o Estado. Porém, apenas 130 estão efetivamente em condições de serem adotadas. Os motivos variam. “O número de crianças, hoje, que estão em abrigos muitas vezes aptas para adoção são as que pulam de uma faixa etária à outra. Porque acontece o seguinte: os casais geralmente entram em uma fila de adoção procurando o filho que não puderam ter de forma biológica. Eles não querem adotar um de oito ou dez anos e, sim, aquele que vão poder trocar fralda e passar por todas as etapas”, explica Luciana, dizendo que a Justiça tem por obrigação encontrar casais para crianças que foram abandonadas e não filhos para os casais que não puderam ter.
Para participar de processo de adoção, o casal ou a pessoa interessada deve procurar o setor de assistência social do Poder Judiciário. No caso de Brusque, ele fica anexo ao fórum. Há uma lista de documentos que devem ser apresentados (ver quadro). Com a inscrição efetuada, a pessoa ou casal passa a fazer parte de um cadastro geral de adoção, válido em todo território catarinense. Recentemente, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) lançou um tipo de cadastro que leva essa área de abrangência para o território nacional, mas, conforme explicou Luciana Rechia, o procedimento ainda na chegou ao Estado. A partir do momento em que a pessoa integra a lista de adoção, pode ser chamada em qualquer local de Santa Catarina. No momento da adoção, a Justiça dá preferência para pais que residem dentro do Estado. Caso não haja ninguém interessado na criança e que faça parte desse grupo, a próxima etapa é verificar a disponibilidade nos demais estados e, por fim, abre-se para estrangeiros.
Dados sobre adoção
►Crianças na fila de espera em Brusque 0
►No Estado 1.266
►Casais na fila de espera em Brusque 74
►No Estado 3.340
►62% das crianças em fila de espera têm idade acima dos 10 anos
►54% encontram-se nas instituições por motivos de carência econômica
►80% dos buscam adotar preferem crianças com até 3 anos de idade, sem irmãos e do sexo feminino
►Por ano são configurados em torno de 450 processos de adoção no Estado
►Os pais estrangeiros preferem crianças com idades entre 7 e 14 anos, mulatas ou pardas, do sexo masculino, independente de terem irmãos ou não
►Atualmente existem 23 grupos de apoio à adoção no Estado. O de Brusque existe há 10 anos
O que é necessário para entrar na lista para adoção?
►Requerimento junto ao juiz da infância e juventude
►Atestado de antecedentes criminais
►Atestado de sanidade física e mental
►Comprovante de rendimentos
►Comprovante de residência
►Certidão de casamento ou nascimento, no caso de solteiros
►Carteira de identidade
►CPF
►Estudo social elaborado por assistente social do fórum
O grupo é formado por pais e filhos adotivos, além de profissionais ligados à assistência social e outras pessoas da comunidade que demonstram preocupação com o assunto. O trabalho é feito sob a forma de debates e palestras a respeito da educação dos filhos e o relacionamento familiar. Os encontros acontecem toda segunda quarta-feira de cada mês, nas dependências do Serviço Social do Comércio (Sesc), sempre a partir das 19h30min. “Pode-se dizer que o objetivo principal do grupo é o de trocar experiências sobre o assunto. Nisso, uma das coisas que fazemos é de trabalhar no acompanhamento e preparação do casal ou pessoa que se inscreveu ou está pensando em adotar”, explica a presidente do Grupo de Adoção, Elisabete Maria dos Santos. E ela é a pessoa mais indicada para falar a respeito do assunto. O tema é algo que sempre esteve presente em sua vida. “Eu venho de um histórico de adoção. Minha mãe é adotiva, tenho um irmão que também é e meu filho faz parte desse ciclo. Trato dessa questão com muito orgulho. Aqui em casa costumamos brincar que somos uma família adotada, pois até o cachorro, que estava abandonado na rua, nós adotamos”, brinca ela.
Elisabete diz que apesar das mudanças de comportamento que são notadas em vários setores da sociedade, as pessoas tratam o tema adoção com muita ressalva e preconceito. Profissional do setor de educação, ela diz notar que isso é bem comum onde justamente não deveria haver esse tipo de tratamento: na escola. “Posso dizer que essa questão do rótulo é minha maior luta e do grupo. Percebo que quando uma criança faz alguma coisa que é considerada errada no ambiente escolar, por exemplo, as pessoas fazem questão de observar que ela é adotada, como se isso fosse o fator determinante”, comenta, dizendo que ainda há forte preconceito por parte da sociedade em agir de maneira natural para com o assunto.
Nas reuniões do Grupo de Adoção, alguns assuntos costumam ser trabalhados com maior delicadeza. Os futuros pais se deparam com grandes dúvidas, principalmente as que tratam da formação da criança. Questionamentos que os filhos podem vir a fazer sobre suas origens genéticas, as diferenças físicas, entre outros pautam as incertezas. Para isso, Elisabete tem a resposta na ponta da língua: “Eu não sei. Ninguém pode saber sobre o dia de amanhã. Se soubéssemos tudo, não precisaríamos de apoio algum. A vida é uma grande incerteza e o que temos de fazer é apenas saber o que queremos”. Outra dúvida bastante comum, segundo a presidente do Grupo de Adoção, é quanto à idade ideal para contar à criança que ela foi adotada. Elisabete diz que soube aos cinco anos e seu filho, Felipe, hoje com 12, também nessa mesma idade. O importante, reforça ela, é que seja uma relação pautada na verdade.
Mais de 70 casais aguardam na fila para dotar em Brusque
De acordo com a assistente social Luciana Mafra Rechio, responsável pelo setor de adoção do Poder Judiciário de Brusque, atualmente não há nenhuma criança na fila de espera para ser adotada no município. No entanto, 74 casais estão inscritos na cidade para conseguir o aval da Justiça e realizar o sonho. Luciana atua na elaboração de estudo social para detectar as potencialidades de o casal poder adotar ou não uma criança. Um trabalho que, segundo ela, muitas vezes se mostra injusto. “Eu vou na casa da pessoa, entrevisto a esposa, o marido, outros que moram junto com o casal. Mas isso não me dá garantia de que vão ser bons pais ou não. Por isso sempre achei que mais vale prepararmos para serem pais do que basicamente selecionar”, comenta ela, defendendo a atuação dos grupos de apoio à adoção.
Segundo dados da Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja/SC), até o mês de março deste ano havia 3.340 inscritos no processo de adoção em todo o Estado. Destes, 2.184 residem em Santa Catarina, 870 em outros estados e 286 fora do Brasil. 80% aceitam crianças com até três anos de idade, com preferência pelo sexo feminino e que não tenham irmãos. Por ano, são oficializados, em média, 400 processos de adoção para pessoas que residem no país, além de 50 para estrangeiros. A preferência das pessoas que moram em outros países é por crianças com idades entre sete e 14 anos, pardas ou mulatas, do sexo masculino, independente de terem irmãos ou não. Em sua maioria, são crianças que vivem em abrigos. Hoje elas somam 1.266 e estão espalhadas por 135 abrigos em todo o Estado. Porém, apenas 130 estão efetivamente em condições de serem adotadas. Os motivos variam. “O número de crianças, hoje, que estão em abrigos muitas vezes aptas para adoção são as que pulam de uma faixa etária à outra. Porque acontece o seguinte: os casais geralmente entram em uma fila de adoção procurando o filho que não puderam ter de forma biológica. Eles não querem adotar um de oito ou dez anos e, sim, aquele que vão poder trocar fralda e passar por todas as etapas”, explica Luciana, dizendo que a Justiça tem por obrigação encontrar casais para crianças que foram abandonadas e não filhos para os casais que não puderam ter.
Para participar de processo de adoção, o casal ou a pessoa interessada deve procurar o setor de assistência social do Poder Judiciário. No caso de Brusque, ele fica anexo ao fórum. Há uma lista de documentos que devem ser apresentados (ver quadro). Com a inscrição efetuada, a pessoa ou casal passa a fazer parte de um cadastro geral de adoção, válido em todo território catarinense. Recentemente, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) lançou um tipo de cadastro que leva essa área de abrangência para o território nacional, mas, conforme explicou Luciana Rechia, o procedimento ainda na chegou ao Estado. A partir do momento em que a pessoa integra a lista de adoção, pode ser chamada em qualquer local de Santa Catarina. No momento da adoção, a Justiça dá preferência para pais que residem dentro do Estado. Caso não haja ninguém interessado na criança e que faça parte desse grupo, a próxima etapa é verificar a disponibilidade nos demais estados e, por fim, abre-se para estrangeiros.
Dados sobre adoção
►Crianças na fila de espera em Brusque 0
►No Estado 1.266
►Casais na fila de espera em Brusque 74
►No Estado 3.340
►62% das crianças em fila de espera têm idade acima dos 10 anos
►54% encontram-se nas instituições por motivos de carência econômica
►80% dos buscam adotar preferem crianças com até 3 anos de idade, sem irmãos e do sexo feminino
►Por ano são configurados em torno de 450 processos de adoção no Estado
►Os pais estrangeiros preferem crianças com idades entre 7 e 14 anos, mulatas ou pardas, do sexo masculino, independente de terem irmãos ou não
►Atualmente existem 23 grupos de apoio à adoção no Estado. O de Brusque existe há 10 anos
O que é necessário para entrar na lista para adoção?
►Requerimento junto ao juiz da infância e juventude
►Atestado de antecedentes criminais
►Atestado de sanidade física e mental
►Comprovante de rendimentos
►Comprovante de residência
►Certidão de casamento ou nascimento, no caso de solteiros
►Carteira de identidade
►CPF
►Estudo social elaborado por assistente social do fórum
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