Ao chegar no local da empresa, você se depara com um grande espaço e uma jazida que faz lembrar das montanhas do Himalaia. Só que diferente da moradia da neve, onde encontra-se grande número de glaciares, ali há uma enorme quantidade de calcário e outros produtos derivados. A Mineração do Rio do Ouro, mais conhecida como Calcário Botuverá, é uma das grandes empresas que movimentam a economia da região.
A empresa surgiu em 1984, quando três amigos adquiriram uma indústria de cal e uma jazida do minério no município de Botuverá. Assim iniciou a produção do calcário agrícola, o que perdurou por muitos anos.
Segundo o diretor da empresa, Eduardo Barni, em 1999, através de uma parceria feita com o grupo Votorantim, via arrendamento de uma mina, começou também a produção de brita para a construção civil. Depois disso, ela continuou renovando seus produtos. “Hoje, a empresa produz o calcário agrícola, como foco principal, pedra pra fundição, o agregado à brita e o calcário industrial para uso cerâmico”, conta Barni.
Distante da área central do município, a mineração fica localizada na Estrada Geral de acesso ao município de Vidal Ramos, no Bairro Lageado, onde sempre esteve por dois motivos: a família que a criou é natural de Botuverá, além de o minério estar locado na estância, já que deve ser mais próxima da mina a unidade de beneficiamento. Além da matriz, a empresa também possui uma filial em Vidal Ramos, que produz agregado para a construção civil, a brita.
RESSUREIÇÃO
Depois de 30 anos de existência, a Calcário Botuverá ainda conta com os mesmos sócios-proprietários, Nilo Barni, bem como os irmãos Geracir Bambinetti e Naltair Bambinetti. A empresa conta com o diferencial de diversificação, já que a cidade tem duas empresas do mesmo gênero.
“A gente iniciou com um produto, mas como o minério tem outras finalidades, buscamos a diversificação, sempre focando em melhoria contínua no processo industrial para redução de custo e ser competitivo no mercado”, explica Eduardo.
Nos anos 80, Barni lembra que a exploração do calcinado e a procura do calcário agrícola estavam se findando. Com isso, os três viram na compra de uma empresa, que estava interrompendo as atividades, um bom negócio para implantar a produção.
“50% da nossa venda do calcário agrícola fica no estado de Santa Catarin. Os outros 50 vão para o Rio Grande do Sul, estado vizinho”, prossegue ele, afirmando que o calcário industrial fica no estado para as indústrias cerâmicas e o agregado tem a venda focada mais em outras regiões.
A venda é regional, devido ao município ter um concorrente direto. “O produto não tem um valor tão agregado assim, então a venda é bem regional. Como no estado de Santa Catarina só tem dois produtores que são daqui do município, a gente não tem problema [com muitas empresas concorrentes], está bem consolidada”.
As vendas para fora do estado iniciaram no ano de 1997, mas também acontecem para moradores da região. “Atendemos desde o consumidor pequeno e o de grande volume, como concreteiras”.
CALCÁRIO
A diferença do calcário agrícola para o industrial está no tamanho, na granulometria, composição química, conforme Eduardo. O calcário industrial tem a finalidade de provocar reação na hora da queima do azulejo e o agrícola para a correção do solo. Além dessa matéria-prima, a empresa também trabalha com o ramo de logística. Ela conta com 120 funcionários, sendo 50% desses, motoristas.
A produção é feita pela exploração, primeiramente, depois executada para a perfuração, a detonação (através de explosivos), e, então, transportada para o beneficiamento, que passa por um processo de britagem. A empresa já sofreu na queda de produção do calcário agrícola, justamente por se tratar da agricultura, que acaba sofrendo com o clima.
“O que é brita para construção fica só no processo de britagem. O que é calcário agrícola industrial passa pelo processo de moagem, que é diferente”.
Entre a exploração da mina até o processo de beneficiamento, o período para o produto ficar pronto é de 24 horas.



