Nos últimos tempos, quando se fala em arbitragem no futebol brasileiro, as reclamações são constantes. Mas como se prepara um árbitro ou um assistente? Como funciona a atualização das regras? Como eles entendem tais reclamações? Para isso, a Rádio Cidade conversou com um destes profissionais, assistente e integrante do quadro de arbitragem da Confederação Brasileira de Futebol, que mora e trabalha em Brusque.
Rosnei Hoffmann Scherer é funcionário da Fundação Municipal de Esportes e também árbitro assistente dos quadros da FCF e da CBF, atuando tanto no estadual quanto nos Brasileiros das Séries A e B. E a capacitação dos árbitros é constante ao longo da temporada, principalmente com debate de regras e preparação teórica e prática.
“Tanto a Fifa, a CBF e as federações tem preocupação com a preparação dos árbitros. A Federação Catarinense faz uma pré-temporada de três a quatro dias com todos que vão trabalhar no Catarinense, assim como a CBF no Campeonato Brasileiro. Sempre em cima da parte técnica, física e psicológica”, conta Scherer.
Com relação às regras do futebol, costumeiramente também são feitas inter-temporadas, onde os grupos de árbitros recebem instruções sobre as novas regras, que acontecem sempre após as reuniões da Fifa com a International Board, órgão que faz essa atualização. Porém, em época de Copa do Mundo, essas novidades vêm antes do torneio.
“Essas alterações entram em vigor sempre em 1º de julho. Quando é ano de Copa do Mundo, elas entram em vigor já na Copa. Essas informações são repassadas, principalmente as implicações práticas das alterações no jogo de futebol. Nem sempre são alterações da regra em si, no texto, mas, sim, a interpretação de como se deve aplicar a regra”.
Desde a entidade máxima do futebol, a padronização da arbitragem é o principal objetivo de quem comanda o esporte, com as mesmas decisões sendo tomadas na região Sul ou Nordeste, na África ou na Europa. Esse é um dos grandes desafios das inter-temporadas e das reuniões que são feitas com os árbitros.
Um dos momentos de maior pressão do árbitro ou do assistente vem dentro de campo, quando algum dos membros da arbitragem tem de tomar uma decisão rápida, como em um impedimento, ou na marcação de um pênalti. Rosnei acredita que os árbitros estão qualificados para tomar decisões em poucos instantes.
“Tomar decisão em um lance de futebol é muito difícil. Hoje trabalhamos na Série A do Campeonato Brasileiro com seis pessoas e todos são informantes do árbitro principal. Muitas vezes ele aceita, ou não, a informação se quiser. A função principal do assistente é marcar impedimento, lateral e linha de fundo, e essa decisão na maioria das vezes é aceita pelo árbitro. Mas a decisão final sempre é do árbitro, aceitando ou não a indicação dos auxiliares”, explica.
Além de toda a preparação feita, os árbitros passam por testes, físicos e práticos, tanto em Santa Catarina quanto no país. Porém, é necessário estar preparado a qualquer momento para participar desse teste que pode tirar o árbitro do restante da temporada.
“Já participei de dois testes da CBF em 2014 e fomos avisados nesta semana, que em breve acontecerá outro. Pode ser daqui a dois dias, ou daqui a dez, mas preciso estar preparado sempre, tanto fisicamente quanto tecnicamente”.
Dentro do quadro da CBF, a última partida de Rosnei em um Campeonato Brasileiro foi no dia 21 de setembro, quando atuou como auxiliar no jogo Caxias 2 x 2 Madureira, pela Série C. Recentemente, ele foi auxiliar na partida Botafogo 1 x 2 Ceará, pela fase de oitavas-de-final da Copa do Brasil, no Maracanã.
Rosnei também já foi indicado várias vezes para o prêmio de melhor assistente do Campeonato Catarinense. Em 2010, 2011, 2012 e 2014, Scherer ficou com a bola de prata, fazendo parte da segunda melhor dupla de assistentes do estado, além do bronze em 2013 e de participar do jogo de volta da final do Catarinense este ano, entre Figueirense e Joinville.



