Ouvir é o remédio de prevenção ao suicídio, dizem voluntários

A pandemia do novo Coronavírus trouxe muitos danos à sociedade e na rotina diária das pessoas. No aspecto psicológico, principalmente, com o isolamento e o distanciamento social. Por conta disso, o Centro de Valorização da Vida (CVV) de Brusque buscou se adaptar para poder atender com seu grupo de voluntários e minimizar os efeitos disso nas pessoas com tendência suicida.
Nesta quinta-feira (10), é celebrado o Dia Internacional de Prevenção ao Suicídio, dentro das ações do Setembro Amarelo, que trata do tema. Por conta disso, o tema do Rádio Revista Cidade Entrevista de hoje, na Rádio Cidade, foi o suicídio e o trabalho do CVV. Os voluntários José Airton Leopoldino e Ana Lúcia Rodrigues Marques falaram a respeito do assunto.
Segundo Leopoldino, durante o ano todo são feitos trabalho e ações em torno do tema, que tem apoio da Associação Brasileira de Psiquiatria e a de medicina. “Nesse mês especificamente damos uma atenção maior, junto com a Associação Brasileira de Psiquiatria e a Associação Federal de Medicina. Estamos juntos nessa luta de passar as informações necessárias para que os números de suicídios diminuam cada vez mais, até que não seja preciso existir mais o trabalho”, pontua ele.
O CVV agiu rápido no sentido de prevenção durante a pandemia. Para evitar que o órgão ficasse deficitário e sem voluntários, desenvolveu ferramentas para que se pudessem fazer os atendimentos de maneira remota. Antes da pandemia, 10% do necessário em número de voluntários conseguiam atender. Em um mês após a pandemia, com uso de plataforma desenvolvida para o CVV, esse número aumentou 60%. “Não diminuiu o número de atendimentos. Conseguimos ampliar”, destaca Leopoldino.
De acordo com os voluntários, a situação da pandemia e as dificuldades econômicas têm sido fatores que vêm afetando o psicológico das pessoas. E aumentando o risco de que estas cometam suicídio.
“Se houve mudanças, pois não é falado muito abertamente sobre os atendimentos para manter sigilo, foi nesse sentido. Muito provavelmente no sentido sociedade em geral a saúde mental vai sair fragilizada”.
Ouvir. Isso faz toda a diferença. Ana Lúcia coloca que cada vez mais as pessoas querem ser ouvidas, mas há, da mesma forma, cada vez menos pessoas se propondo a isso.
“Vivemos em uma sociedade muito imediatista, em que queremos resolver tudo muito rápido. E aí, eu quero curar as pessoas com remédio, não quero ouvir. É muito comum as pessoas terem remédio na bolsa pra tudo. Aí alguém fala e não se escuta”, pontua ela.
O número do CVV para quem precisar desabafar e conversar quando se sentir aflito é o 188.



