Vida Real: Lésbicas falam de sua convivência

Rádio Cidade- Quando se descobriu lésbica?
Danúbia – Eu descobri desde criança, pois eu tenho uma Irmã gêmea e a diferença entra nós duas já era notável. Eu brincava mais com meus primos era como um moleque. Com oito anos eu beijei uma menina e com quatorze tive minha primeira relação e de lá pra cá sempre gostei de meninas. Já tive relações com homens, mas não sentia a mesma coisa que sentia por uma mulher.
Gisléia- Eu me descobri com ela (Danúbia), quando tinha 18 anos.
Rádio Cidade – Quando você falou para os seus pais?
Danúbia – Eu assumi para os meus pais quando completei 18 anos, cheguei para a minha mãe e contei. Tinha uma hora que eu precisava contar, não tinha como esconder isso. Então ela me disse que escolhesse o melhor para a minha vida, ficar ali ou sair de casa. E eu escolhi viver a minha vida.
Gisléia- Na verdade eu não assumi para a minha família, meu pai descobriu e teve que aceitar. 
Rádio Cidade  - Qual a diferença entre relações com meninos e com meninas?
Danúbia – Com quatorze anos tive um namorado, namorei sério com ele chegamos a ficar noivos, mas eu estava indecisa. Depois de dois meses que estávamos morando juntos, vi que não estava feliz, nos separamos, e dali para frente resolvi que só ficaria com mulher.
Rádio Cidade  - Vocês sofreram algum tipo de preconceito na família?
Danúbia – Preconceito ainda existe, com o tempo as pessoas acabam aceitando. Até a minha mãe fala “eu te fiz uma menina” e eu digo a ela “eu nunca vou deixar de ser a tua menina”. Eu me visto como homem, mas sou uma mulher, um dia vou querer ter um filho, formar uma família, eu pago as minhas contas e levo a minha vida normalmente, a única diferença é que gosto de mulher e não de homem. Mas infelizmente algumas pessoas não entendem.
Gisléia- Minha família sempre teve e sempre vai ter preconceito, mas eu optei por viver a minha vida e nada mais.
Rádio Cidade  - Como vocês se conheceram?
Danúbia – A gente se conheceu no trabalho eu trabalhava no BRUEM e ela na HAVAN (ver com Mauro). Eu tinha duas amigas que moravam comigo e trabalhavam com ela, um dia a Gislaine estava distradida eu cheguei e abracei ela por traz. Ela se derreteu toda. Foi assim que tudo começou. Nenhuma das duas esqueceu aquele momento.  Um dia nos encontramos no JB, ela estava decidida a ir embora de Brusque porque não estava gostando de morar aqui. Eu cheguei e chamei ela para dançar, conversamos muito e eu pedi se ela queria ficar comigo. Daquele dia em diante nunca mais nos separamos.
Rádio Cidade  - Vamos falar mais de intimidade, você (Danubia) usa cueca ou usa calcinha?
Danúbia –Uso os dois, mas gosto mais de cueca, porque me sinto mais a vontade. Desde de pequena gostava de ficar mais a vontade. Quando era criança a minha mãe deu duas bicicletas rosas,  uma para mim e outra para a minha irmã. Eu lixei toda ela e pintei de preto. Nunca ninguém me incentivou a fazer nada disso foi eu que decidi o que queria para minha vida.
Rádio Cidade  - Seu guarda-roupas é de homem?
Danúbia- (Risos) Tem homens que ficam com inveja, porque eu tenho tudo sapato, meia, cueca tenho tudo de homem. Mas uso sutiã faço minha sobrancelha, minhas unhas sou muito vaidosa, querendo ou não me visto como homem, mas sou uma mulher.
Rádio Cidade – Já você (Gisléia) é totalmente feminina?
Gisléia- Eu sou, uso maquiagem, brinco e lingerie sensual.
Rádio Cidade  -  O que é Deus na vida de vocês?
Danúbia-  Eu acho que religião não existe, deus deixou a bíblia e a gente nunca pode deixar de procurar ele, independente da igreja.  Não é só ajoelhar e ficar reclamando dos problemas. Tem que conversar com ele todos os dias agradecer o que aconteceu de ruim e de bom. Então acho que temos que buscar a Deus seja na igreja que for. Onde me convidar para buscar deus eu vou.
Rádio Cidade  -  Vocês já sofreram algum tipo de agressão?
Danúbia – Eu já sofri bastante. Quando eu era pequena até a minha mãe tinha vergonha, porque eu brincava muito com os meninos, tinha cabelo curto e na escola me xingavam de sapatão. As coisas não são assim, quem sabe aquele menina me xingava um dia não pode ter filho gay ou lésbica. Então o preconceito sempre vai existir, homens já me provocaram em bailes, para qual seria a mina reação. Já me chamaram para briga e jogaram cerveja em mim.
Rádio Cidade  -  Existe muito ciúme?
Danúbia –Ciúme existe, até em uma amizade. O que é meu ninguém mexe.
Gisléia – Eu sou mais ciumenta, se uma menina olhar pra ela eu falo “o que você tá olhando, é minha”. Não tanto ciúme, mas o passado condena, é isso que acontece, eu sou muito possessiva. Rádio Cidade - E o futuro?
Nosso futuro é sair do aluguel, pode ser uma casinha simples, ter filhos um casal, mas primeiro quero ter um menino, porque eu gosto de moto, skate e futebol e uma menina mais por causa dela.
Rádio Cidade – Como vocês pretendem fazer isso?
Danúbia – Por inseminação, olha que chik poder escolher até a cor dos olhos do meu filho, vem tudo no papel certinho né, não precisa de homem nenhum. Às vezes tem muita mulher que está grávida e não sabe quem é pai.
Gisléia – Eu também vou fazer inseminação.
Danúbia – Eu acho que a gente precisa ter a nossa vida certinha. Ai quando eu tiver uns 30 anos e tiver a minha casa, ai sim. Porque filho gasta tem muita coisa, vai que fica doente, é leite é monte de coisas.
Rádio Cidade – Você não pensa que uma gravidez vai aflorar o sentimento feminino em vocês?
Danúbia – Não vou ser um pai coruja, eu acho que eu posso ter vários filhos, mas eu nunca vou deixar de ser esse moleque, eu gosto muito de jogar bola.
Rádio Cidade – Você ser pai ou mãe dele?
Danúbia – Os dois, eu vou ensinar ele me chamar de mãe, mas um dia ele vai sentir falta de um pai e eu sempre vou ensinar o que é certo, ele vai ter duas mães, a mãe um e a mãe dois. Então não pode ensinar o que é errado pra um filho, tem que ensinar o que é certo no mundo. Ele vai tomar água e eu vou dizer que é café, não, tem que ensinar o que é certo. Eu vou dizer “olha a mamãe fez inseminação não precisa de um pai para dar carinho a mamãe faz os dois pra você”.  
Rádio Cidade – Como está o relacionamento de vocês com a família?
Danúbia – No meu caso está bem, depois que assumi eles aceitaram legal.
Rádio Cidade – Você já levou ela para casa?
Danúbia – Não é o fato de não levar, a questão é o respeito. Eu não vou fazer uma coisa que no fundo ele não aceitam ainda. Então eu vou na casa da minha mãe, deixo ela no carro, ou ela fica aqui. Porque mãe é mãe e pai é pai. Eu não vou deixar de visitar a minha família também.
Rádio Cidade – Como é o guarda roupas de vocês? Quem é que organiza?
Danúbia – Cara eu sou muito chata pra organização, pra mim precisa estar tudo certinho no seu devido lugar. Questão de vaidade não quer dizer ser homem ou ser mulher. A vaidade não quer dizer ser homem ou ser mulher. A limpeza também, não é porque eu sou meia homem que eu vou deixar as coisa bagunçadas. Tem que se sentir gostoso, tem que entrar em uma casa e se sentir gostoso, abrir o guarda-roupas e pegar as roupas limpinhas e cheirosinhas.
Rádio Cidade – Vocês tem as partes do guarda-roupas separadas?
Danúbia – Ela tem o ladinho dela e eu tenho o meu.
Rádio Cidade – Você que organiza a sua parte?
Gisléia – A minha parte sim, a dela é ela.
Rádio Cidade – E o serviço de casa?
Danúbia – Uma ajuda a outra, não tem homem mulher.
Rádio Cidade – O que você gostaria de realizar na sua vida socialmente falando?
Gisléia – Uma casa um bom emprego, porque ninguém vive sem dinheiro. Uma casa que seja minha que não precise pagar aluguel.
Danúbia – Ah eu sou igual homem né, alguns modos masculinos e outros femininos. Mais uma coisa é que eu trato ela como uma rainha. Eu até falo pra ela, um dia quando eu tiver um emprego bom e ganhar bem, eu não quero que ela mais trabalhe. “Eu quero que você cuide dos nossos filhos, da nossa casa, e deixa que eu trabalho”. Então é ela é eu chegar em casa e ter ela pra o meu carinho. È isso eu acho que toda mulher pensa assim. Eu não me importo porque eu sou mulher e vou trabalhar pra deixar ela em casa, jamais.
Gisléia – Eu ia adorar, eu não gosto de trabalhar, eu gosto de ficar em casa, sou bem caseira, gosto de faxina, casa, limpeza e trabalho fora porque eu preciso, pois se não precisasse gostaria de ficar em casa.
Rádio Cidade - Qual a importância do sexo de 1 à 10 na sua vida?
Danúbia -  10, não tem número.
Rádio Cidade – Você já sofreu algum tipo de preconceito no trabalho?
Danúbia – Eu nunca sofri pois sempre deixei claro que sou e nunca vou deixar de ser. Mas tenho uma amiga que trabalhava em uma confecção e ganhou a conta por causa disso. Meu deus do céu eu acho que serviço é serviço, lá fora é lá fora, a partir do momento que você sai dali pra ir para a tua casa não tem que dar satisfação da tua vida pra ninguém. Eu acho que a pessoa que faz isso não tem coração, não sabe sentar e conversar como um ser humano.  

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