Os 100 anos que marcam os 154 de Brusque

Hoje, 4 de agosto, é o dia que marca a data magna dos brusquenses, a comemoração da instalação da colônia Itajahy, há 154 anos. Nesta data, aqui chegaram 55 alemães liderados pelo barão austríaco Maximilian Von Schneeburg, em 1860.

Na época, além da Villa Brusque (ainda não era elevada à categoria de cidade), seus principais povoados eram constituídos pelo Cedro Grande e Pequeno, Águas Claras, Limeira, Águas Negras, Barracão, Guabiruba do Norte e do Sul, Peterstrasse, Poço Fundo, Planície Alta, Nova Itália, Porto Franco, Ribeirão do Ouro e outros.

A Villa Brusque contava com 16.500 habitantes, sendo 740 eleitores. Para assegurar o atendimento à saúde do povoado, contava com o Hospital de Azambuja, que ocupava o prédio onde hoje está localizado o Museu Arquidiocesano Dom Joaquim. Quem administrava o hospital era o alemão padre Gabriel Lux.

Paulo Vendelino Kons, historiador, faz uma retrospectiva de fatos que marcaram a história de Brusque há exatos 100 anos, quando era comemorado o 54º aniversário de instalação da colônia Itajahy:

Hermes da Fonseca, presidente do Brasil, estabeleceu as regras da neutralidade brasileira durante a I Guerra Mundial, fato que impactou a jovem Villa Brusque. Além da manifestação do nacionalismo alemão, a fundação do Tiro de Guerra, o fechamento do Brusquer Zeitung (jornal da época), o reposicionamento estratégico da novel indústria têxtil, a aquisição de bônus de guerra para ajudar a Alemanha do Kaiser Wilhelm e o “traje a marinheiro” similar ao utilizado pela marinha alemã lançado como moda na época e que chegou a se estender sobre educandário brusquense, são alguns pontos característicos do momento.

As manifestações nacionalistas alemãs eram originárias de algumas famílias tradicionais, como a do comerciante, superintendente municipal (prefeito) e comandante da Guarda Nacional em Brusque, coronel Guilherme Krieger que, segundo comentários, teria investido polpudos recursos na aquisição dos bônus de guerra em benefício do Kaiser Wilhelm. Após a ingestão de considerável quantidade da cerveja - produzida pelas fábricas de Henrique Appel & Irmãos, Nicolau Lauritzen e Vicente Kormann - no botequim do Reinhold Rau, nos salões do Schützenverein ou da Sociedade Gymnástica (atual Sociedade Esportiva Bandeirante), e outros espaços, os vivas ao ídolo imperial se intensificavam, sendo geral a celebração dos “heroicos feitos militares” do exército alemão. Afinal, era difundida pela propaganda de guerra alemã que a derrota militar da nação significaria o “fim do povo alemão”.

O Tiro de Guerra de Brusque iniciou suas atividades em 1916, com o número 317. Contava com 68 atiradores, sendo suas atividades desenvolvidas no Schützenverein (Sociedade de Atiradores). Após a assinatura do armistício da I Guerra Mundial, no dia 11 de novembro de 1918, as atividades do Tiro de Guerra brusquense foram suspensas por uma década. A iniciante indústria têxtil brusquense também foi impactada pela I Guerra. Sua matéria prima, o fio de algodão e os corantes eram importados pelo porto de Hamburgo, no norte da Alemanha. Mas com a guerra submarina irrestrita, em volta das águas da Europa, para o velho continente não mais se importava e nem se exportava.

Suprida da matéria prima básica, o fio de algodão passou a ser produzido “em casa”, graças à parceria com a casa comercial que Augusto Constantino de Freitas havia fundado em 1835, em Hamburgo, a A. C. de Freitas & Co. A empresa foi transformada em sociedade anônima em 1918 com o nome de Fábrica de Tecidos Carlos Renaux S.A. Após o capital ser repartido parcialmente entre os filhos, genros e colaboradores próximos ao fundador e assumindo a presidência da Fábrica Otto Renaux, Carlos Renaux foi nomeado cônsul do Brasil na Europa pelo presidente Epitácio Pessoa, podendo defender tanto os interesses de uma Alemanha em estado de miséria, quanto do Brasil, ao providenciar a imigração de técnicos altamente capacitados para a nascente indústria nacional, diferencial com o qual se projetaram especialmente as marcas catarinenses.

Também o jornal pioneiro sofreu as consequências da I Guerra. Brusquer Zeitung, editado em alemão e que trouxe a lume sua primeira edição numa segunda-feira, 1 de janeiro de 1912, foi fechado em 23 de outubro de 1917. A edição em vernáculo, publicada desde 1914, com o nome Gazeta Brusquense, continuou em atividade. Com as notícias do afundamento de inúmeros navios brasileiros, eclodiram diversas manifestações populares em várias regiões do Brasil. Foram atacados estabelecimentos comerciais de propriedade de alemães ou seus descendentes. Com a pressão popular contra a Alemanha, em 26 de outubro de 1917, o país declarou guerra à aliança germânica. Na Igreja Evangélica Luterana, o culto celebrado em alemão foi proibido.

Se a história dos costumes brusquenses registra como fato pitoresco os trajes “à marinheiro” confeccionados para as crianças fotografadas em cena de seu respectivo jardim de infância, esta nada mais era que uma forma de declarar apoio das “pipoquinhas” ao Kaiser Wilhelm no bloqueio naval da Inglaterra, cujo rei Jorge V era primo-irmão do imperador alemão.

BRUSQUE EM 1914


LOCALIDADES: além da sede, a Villa Brusque, constituem-se nos principais povoados Cedro Grande e Pequeno, Águas Claras, Limeira, Águas Negras, Barracão, Guabiruba do Norte e do Sul, Peterstrasse, Poço Fundo, Planície Alta, Nova Itália, Porto Franco, Ribeirão do Ouro.

POPULAÇÃO: 16.500 habitantes.

ELEITORES: 740 aptos a votar no Município e Comarca de Brusque.

VIAÇÃO: 357 quilômetros de estrada de rodagem, através das quais se comunica com Blumenau, Itajahy e Nova Trento e a navegação fluvial até Itajahy, por cujo porto é realizada a exportação dos produtos brusquenses.

PRODUÇÃO AGRÍCOLA: café, arroz, cereais, feijão, mandioca, cana de açúcar, tabaco, frutas diversas. O cultivo do algodão encontra-se em fase experimental.

INDÚSTRIA: tecidos e fiação, manufatura de fumo, aguardente, apicultura e laticínios.

FLORA: peroba, jacarandá, cedro, araçá, grande variedade de plantas medicinais.

MINERAIS: ricas jazidas para a produção de cal e de cimento.

IMPORTAÇÃO: trigo, querosene, algodão, corantes e outros insumos para a indústria têxtil, ferragens.

EXPORTAÇÃO: aguardente, açúcar, arroz, cereais, café, fumo em folha, charutos, tecidos de algodão.

IMPRENSA: jornais Brusquer Zeitung (o pioneiro, editado em alemão) e Gazeta Brusquense.

SOCIEDADES EM FUNCIONAMENTO: Atiradores, Theatral Harmonia, Gymnastica, Cantadores, Sport Club Brusquense.

GUARDA NACIONAL
Comandante: Coronel Guilherme Krieger
Tenente-coronel: Carlos Renaux
Capitão: Germano Krieger

ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL
Superintendente (Prefeito) Municipal: Coronel Guilherme Krieger
Substituto: Jacob Knihs

CONSELHO MUNICIPAL
Conselheiros: Guilherme Krieger, Rudolph Tiezmann, Luiz Demarchi, Guilherme Risch, Vicente Schaefer
Procurador: João Laux
Fiscal: Guilherme Ristow
Porteiro: Mathias Moritz
Secretário: Bernardino Gevaerd

ADMINISTRAÇÃO JUDICIÁRIA

Juiz de Direito: Dr. Adalberto B. de Oliveira Ramos
Suplentes: Carl Renaux e Georg Boettger
Promotor: Manoel Tavares
Escrivão de Paz: Germano Schaefer
Tabelião: Carlos Luiz Gevaerd
Juízes de Paz: Primo Diegoli, Henrique Appel e Amadeo Beduschi
Oficial de Justiça: José Tensini

ADMINISTRAÇÃO POLICIAL
Delegado: João Schaefer
Suplentes: 1º. Vago, 2º. Vago, 3º. Vago

INSTRUÇÃO PÚBLICA
Chefe Escolar: Vicente Schaefer
Professora da Escola Pública do Sexo Feminino: D. Julieta Gonçalves Torres de Oliveira

ESCOLAS PARTICULARES
Escola Paroquial (posteriormente Santo Antônio, hoje Colégio São Luiz): Padre Fernando Baumhoff, da Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus (SCJ)
Escola do Sexo Feminino: Irmãs da Divina Providência
Escola Evangélica (atual Colégio Cônsul Carlos Renaux): Reinhard Graupner e Mauricio Lehmann

RELIGIÃO
Pároco da Paróquia São Luiz Gonzaga: Padre Henrique Meller – SCJ, auxiliado pelo Padre Fernando Baumhoff
Responsável pelo Santuário de Nossa Senhora de Caravaggio de Azambuja: Padre Gabriel Lux, SCJ – "Fabriqueiro-Administrador do Santuário e Delegado da Autoridade Diocesana, com plenos poderes", também administrador do Hospital, do Asilo e do Hospício de Azambuja
Igreja Evangélica Luterana: Pastor Gerold Hobus, sucedido pelo Pastor Eberhard Neumann

HOSPITAL
Santa Casa de Misericórdia de Nossa Senhora de Azambuja (hoje Hospital Arquidiocesano Cônsul Carlos Renaux – Hospital de Azambuja)
Hospício (também em Azambuja, cujos pacientes foram transferidos para a Colônia Santana, em São José/SC, no início de 1942)

CEMITÉRIO
Católico
Protestante

COLETORIA FEDERAL

Coletor Federal: Durval Duarte Silva da Luz
Escrivão: André Petermann

COLETORIA ESTADUAL

Coletor Estadual: Octavio Oliveira
Escrivão: Manoel da Silva da Purificação
Fiscal do Selo: Godofredo Mosimann

CORREIO
Agente: Jacintho Gevaerd
Estafeta: Carlos Ristow

TELÉGRAFO
Telegrafista: Luiz Jovita Müller
Estafeta: Antonio Schwarz Junior
Guarda Linha: Amaro Alves Francisco Teixeira

COMÉRCIO, SERVIÇOS E PROFISSÕES


ARMARINHOS E FAZENDAS: Guilherme Krieger, João Bauer, Edgar von Buettner, Bertoldo Liebke, Carlos Krieger, Evelina Bauer, Gregório Diegoli, Guilherme Strecker, Henrique Appel e Irmãos, Vicente Schaefer, Henrique Klappoth, José Knihs, Guilherme Krieger Junior

ALFAIATES: Aquilino Tensini, Ernest Appel, Gustav Krieger, Willy Meier, Siegfried Pieper
ARMADOR FUNERÁRIO: Prusio Diegoli
AGRIMENSORES: Adolpho Eisendecher, João Baptista Noli
AÇOUGUES: João Schaefer, Paulo Kormann, Humberto Matiolli
BARBEIROS: Joaquim Corso, Júlio Gevaerd
BILHARES: Carlos Gracher, Otto Schaefer
BOTEQUIM: Reinhold Rau
CAFÉ (exportador de): Edgard von Buettner; Guilherme Krieger, João Bauer
CARPINTEIROS E MARCENEIROS: Adolpho Brun, Emil Dietrich, Franz Wesphal, Gastão Brun, Guilherme Müller, Gustav Willrich, Primo Diegoli
CHARUTARIA: Guilherme Strecker
COCHEIRAS: Carlos Risten, Floriano Fischer, Guilherme Reiton, João B. Olinger
COLCHOARIAS: Carlos Gracher, Jacob Olinger
DENTISTA: Adolpho Pheilticher
ENGENHEIRO: Caetano Deeke
FARMÁCIAS E FARMACÊUTICOS: Georg Boettger, Saturnino Fernandes
FERRAGENS, LOUÇAS E TINTAS: Edgard von Buettner, Edmundo Moritz, Guilherme Krieger, João Bauer, Vicente Schaefer
FERREIROS: Antonio Mohe Junior, Ernesto Ulber, Guilherme Niebuhr, José Hörner, Léo Belli, Sebastian Belli
FOGUETEIROS: João Barth, João Boos, Phelippe Wippel
FOTÓGRAFO: Erich Straetz
FUNILEIROS: Ernesto Rau, Guilherme Kormann
HOTEL: João Schaefer
MÉDICO: Dr. Emílio Pedro Petry
NAVEGAÇÃO FLUVIAL: José Knihs
OLARIAS: Eugenio Schaefer, Flaviano Fischer, João Kormann, Julio Bork, Leopoldo Imhof
OURIVESARIA E RELOJOARIA: Evilásio Gevaerd
PADARIA: Rudolph Krieger, Eugenio Petruschky, Henrique Hoffmann, Max Koehler, viúva de Frederico Petruschky
PAPELARIA: Saturnino Fernandes
PEDREIROS: Adolpho Gleich, Alfredo Malossi, Josef Gleich, Luiz Luebke, Marcus Malossi
PINTOR: Guilherme Frenche
RESTAURANTE: Margarida Libarde
SAPATEIROS: Antônio Walendowsky, Carl Appel, Luiz Albani, Mathias Moritz
SECOS E MOLHADOS: Bertoldo Liebke, Carlos Gracher, Carlos Renaux, Edgard von Buettner, Edmundo Moritz, Gregório Diegoli, Guilherme Becker, Guilherme Krieger, João Bauer, João Batista Morelli, Oscar Krieger, Otto Schaefer, Pedro Gracher, Vicente Schaefer
SELEIROS: Carl Gracher, Guilherme Risch, Heinrich Appel, Jacob Olinger,
SEGEIROS (construção e reparação de carroças e outros objetos agrícolas): Franz Pruner, Josef Pruner, Richard Müller, Victor Pruner
TAMANCARIAS: Carlos Appel, Jacob Olinger
TANOEIROS (conserta ou faz tonéis, tinas, dornas, barris, pipas e outros vasilhames): Gregório Diegoli, Guilherme Hohe, João Voppa, Luiz Bruns
TIPOGRAFIA: Brusquer Zeitung
MAIORES AGRICULTORES E LAVRADORES: Antonio Heil, Augusto Maluche, Fernando de Souza, Guilherme Krieger, Hannes Heil, João Heil, João Mafra, João Rocha, Leopoldo Imhof, Melchior Heil, Max Jönk, viúva Hoffmann
PRINCIPAIS CRIADORES: Jacob Olinger, João Olinger
CAPITALISTAS: Georg Boettger e João Bauer
TAMBÉM COMERCIANTES: Luiz Krause, Gottlieb Becker, Germano Benvenutti, , Guilherme Luiz Krieger, Henrique Hoffmann & Irmão, Franz Klappoth, José Rudolfo, Amadeo Beduschi, João Kormann, Luiz Demarchi

INDÚSTRIAS
ARROZ (fábricas de beneficiar): Edgard von Buettner, Max Jönk
BILHARES (fábrica de): Primo Diegoli
BORDADOS FINOS (fábrica de cortinas, guarnições para cama, colchas, cortinas de filó, mosquiteiros): Buettner & Cia
CAL (fábrica de): Andréa Colzani, Bauer Biagio
CERVEJA (fábrica de): Henrique Appel & Irmãos, Nicolau Lauritzen, Vicente Kormann
CORTINAS (fábrica de): Edgard von Buettner
CORTUMES (fábrica de): Ernesto Bianchini, Jacob Olinger
GELO (fábrica de): Carlos Renaux
LICORES, GASOSAS E XAROPES (fábrica de): Henrique Appel e Irmãos
TECIDOS (fábrica de): Carl Renaux, Gustavo Schlösser e filhos Hugo e Adolpho
TIJOLOS (fábrica à vapor de): Antônio Maluche
TRICOTAGEM (fábrica de): Rudolph Tietzmann
VEÍCULOS (fábrica de): Guilherme Niebuhr
VINAGRE (fábrica de): Max Heinig

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