O tráfico de drogas está mais presente do que se pode imaginar na cidade de Brusque. Inclusive bem articulado e unido. A afirmação é da promotora de justiça Suzana Perín Carnaúba, em entrevista à Rádio Cidade esta semana. Mais que isso: a presença de facções de criminosos também é uma realidade, assegura ela.
As afirmações estão baseadas em ações das polícias Civil e Militar, como a Operação Realeza, que culminou com as prisões de 12 pessoas apontadas por envolvimento com grupos criminosos. Segundo a promotora, cerca de 90% dos crimes ocorridos na cidade, dos pequenos, como furtos a transeuntes, por exemplo, têm ligação com o tráfico de drogas.
“Os usuários precisam de dinheiro, querem mais drogas e esses delitos que acontecem na cidade são todos ocasionados pelo tráfico de entorpecentes”, pontua ela, afirmando que a presença do comércio de drogas não está restrita a uma região ou outra, mas em todos os bairros.
Ela define como muito do tráfico formiguinha, diluído para abranger toda a área territorial do município. Isso está muito ligado à presença de grupos organizados. “Temos facção criminosa, sim, em Brusque. Cada bairro tem seu líder, que domina o tráfico. Não estamos falando de traficantes tipo Pablo Escobar. É aquele tráfico formiguinha, mas o suficiente para que 90% da nossa polícia trabalhe em cima dessa situação. É preocupante, porque se não diminuirmos isso vamos nos tornar uma cidade muito violenta”.
As diligências policias e trabalhos de investigação apontam cenários curiosos da presença do tráfico. As chamadas facções criminosos criaram comércios de drogas. E com regras estabelecidas.
“Coisas do tipo não poder ter traficante na mesma rua, vendendo a mesma droga. Eles se organizaram de uma forma que possam abastecer o povo daquele bairro sem, necessariamente, ter que buscar do outro lado da cidade”, frisa a promotora.
A mais recente ação polícia de combate ao tráfico foi deflagrada ontem. Na ação, foi apreendida certa quantidade de droga, valores em dinheiro, documentos de controle das organizações criminosas. Atuaram nela 25 policiais militares e civis.
O nome da operação “Realeza” foi dado devido ao grande número de mulheres envolvidas no crime organizado.
Foto: arquivo Rádio Cidade




