O que parece ser uma boa notícia em um primeiro momento pode se tornar um grande problema para Brusque e região. É que o governo do estado determinou a ampliação da estrutura da Unidade Prisional Avançada (UPA) e a abertura de mais 104 vagas para presos. O Conselho da Comunidade, composto por representantes de diversos segmentos e que auxilia na administração da unidade, já se posicionou contrário.
A informação foi confirmada à Rádio Cidade pelo juiz Edemar Leopoldo Schlösser, da vara criminal da comarca de Brusque. O motivo da preocupação é que a unidade de Brusque já está com a quantidade de detentos acima do ideal e fugindo da sua prerrogativa, que é a de abrigar apenas aqueles que aguardam julgamento, não os já condenados. Atualmente, segundo a última inspeção feita pelo magistrado.
“Na verdade, a UPA foi construída para receber esses presos provisórios da comarca. Eles ficariam lá enquanto respondessem o processos. Com a condenação de semiaberto ou fechado, eles deveriam ir para uma penitenciária”, pontua o juiz.
A UPA foi erguida para abrigar 72 vagas, mas desde o início já ultrapassou essa capacidade. A última inspeção, feita em agosto, apontou 139 detentos. A informação atualizada desta semana mostra que já há 146.
“Perde-se o controle, pois são muitos presos e vários deles, mais da metade, são condenados em regime fechado e semiaberto, que estão aguardando vagas do estado”.
A informação de que o governo vai ampliar o espaço chegou ainda no início do ano. O Departamento Estadual de Administração Prisional (Deap) avisou que estava dando início ao processo. O Conselho da Comunidade se reuniu e todos foram contra. Houve, inclusive, reunião entre várias autoridades, prefeitos e presidentes de câmaras municipais. Eles resolveram fazer um manifesto por escrito, se colocando contrários à ampliação das vagas.
O manifesto foi entregue ao governo do estado. O atual governador, Eduardo Moreira, determinou que fosse ampliada, ignorando o manifesto do grupo.
“A nossa preocupação é que não para suprir essa deficiência de vaga que há hoje. À medida que o estão criando cem vagas, naturalmente estaremos em pouco tempo com 300 presos e, novamente, se estará na mesma situação de hoje”, prossegue o magistrado.
Segundo ele, atualmente, mais de 50% dos presos da UPA trabalham em unidades instaladas no local pelas empresas Fischer e Toalhas Atlântica.
“A minha preocupação é o que vai ficar de herança para a comunidade. Quem vai sofrer com isso é a comunidade brusquense”, finaliza o juiz.




