As pessoas buscam uma nova fé?
Os resultados do Censo Demográfico 2010 mostram o crescimento da diversidade dos grupos religiosos no Brasil. A proporção de católicos seguiu a tendência de redução observada nas duas décadas anteriores, embora tenha permanecido majoritária. Em paralelo, consolidou-se o crescimento da população evangélica, que passou de 15,4%, em 2000, para 22,2%, em 2010.
Dos que se declararam evangélicos, 60,0% eram de origem pentecostal, 18,5%, evangélicos de missão e 21,8 % evangélicos não determinados. A pesquisa indica também o aumento do total de espíritas entre os que se declararam sem religião, ainda que em ritmo inferior ao da década anterior, e do conjunto pertencente às outras religiosidades. A Rádio Cidade ouviu três religiosos de segmentos diferentes para abordar o tema migração religiosa.
Para o pastor Cláudio Schaefer, da Igreja Evangélica de Confissão Lutherana do Brasil, um dos itens que tem colaborado para ocorrer esta migração religiosa é a teologia da prosperidade. Porém, muitos seguidores ao não conquistarem a promessa, sentem-se frustrados e migram mais uma vez para outras religiões até conseguirem encontrar uma ideologia na qual se identifiquem.
Na opinião do padre Alvino Introvini Milani, da igreja Católica, e que atua no Santuário Nossa Senhora de Azambuja, a migração religiosa ocorre não por que existe uma nova fé. Ela é a mesma, entende o religioso, e o que as pessoas buscam é a forma de como expressa-la. Segundo Miliani, o ser humano viverá eternamente insatisfeito enquanto não conseguir encontrar a "Deus". E na ânsia disso busca por um novo deus, passando por várias religiões na tentativa de encontrá-lo. Na avaliação dele, a exemplo da fé, "Deus" é único e ele próprio condena a divisão da Igreja. Algo que está na Bíblia Sagrada, afirma o padre.
O pastor Gilmar Doerner, do segmento neo-pentecostal da igreja do Calvário, entende que a liberdade que é conferida ao homem lhe dá o direito de escolha. A carência religiosa das pessoas é notória hoje em dia, acredita ele, o que as faz mudar constantemente de religião. Ou seja, buscam por uma nova ideologia na qual possam se identificar.
Os três entrevistados comungam da mesma opinião, de que a migração religiosa continuará acontecendo em todo o país e que não há meios de impedir isto. Exceto, através da própria conscientização dos devotos.


