Da curiosidade de uma criança à referência em termos de informações sobre as condições do clima e tempo na região de Brusque. Assim se tornou o cotidiano do brusquense Ciro Groh, morador do Bairro Rio Branco que passou de dono de anotações em cadernos na década de 1980 a dez estações meteorológicas em cinco cidades do estado atualmente.
Tudo começou na infância. Desde criança, Groh tinha o dom e o gosto, a paixão em observar as coisas relacionadas ao tempo. Isso cresceu a tal ponto que em 1987 tomou a iniciativa de anotar todos os acontecimentos do clima na região em cadernos. Algo feito diariamente: quando a noite chegava, ele fazia um resumo sobre se choveu, fez sol, ventou ou como foi a temperatura naquela data.
“Se você quiser saber como estava o tempo em 30 de julho de 1988, vai estar lá anotado”, destaca Groh.
Isso foi até 2012. Naquele ano, Ciro Groh decidiu aposentar as canetas e cadernos, entrando na era da informática. Adquiriu um termômetro digital e passou a anotar as temperaturas de forma que saíssem mais confiáveis.
A partir disso, não parou mais: criou a primeira conta em rede social, com o Twitter, fazendo com que seus dados ganhassem o mundo. O que chamou atenção dos profissionais meteorologistas em nível de estado. Estes passaram a ter as informações coletadas por Groh como referência, fazendo com que o brusquense se ganhasse credibilidade entre os profissionais.
“Comecei cada vez mais me aperfeiçoar e, com isso, em 2015 ganhei a primeira estação meteorológica profissional. Um professor universitário de Palhoça, que não e conhecia pessoalmente e era amigo de rede social”, destaca.
A estação foi montada na casa dele e está lá até hoje. Ela é composta por sensores que medem a direção e velocidade do vento, bem como a temperatura e pressão atmosférica. E não parou por aí: hoje são dez delas espalhadas pelas cidades de Brusque (quatro), Guabiruba (duas), Botuverá (uma), Vidal Ramos (duas) e Presidente Nereu Ramos (uma). A mais recente, em Vidal Ramos, foi instalada junto da nascente do Rio Itajaí Mirim, na região do Chapadão do Tigre.
Apaixonado pelas questões relacionadas ao clima, Ciro ganhou tamanha notoriedade que, muitas vezes, acaba tendo seu trabalho confundido. Algo que faz questão de deixar claro em relação às estações climáticas que possui.
“Elas não fazem previsão do tempo. Uma coisa é monitoramento, outra é previsão. Eu não faço previsão do tempo, apenas monitoramento. Muitas pessoas me abordam na rua, no mercado e afirmam ‘Ciro, vi tua previsão’, mas não sei de onde elas tiraram essa previsão”, brinca ele.




