A vida do pequeno Davi não tem sido fácil. Aos nove meses de idade, ele luta quase que diariamente pela sobrevivência. Os pais, Elaine e Jackson, principalmente a mãe, tiveram nesse período que aprender muito mais do que lutar para que o pior não aconteça com o filho. Davi é portador de APLV, uma alergia que limita os tipos de alimentos que ele pode ingerir.
O problema de saúde foi descoberto quando ele tinha apenas três meses de vida. “Quando nasceu, o intestino não funcionava direito. Tivemos um contato precoce com leite de vaca e ele reagiu. Ele reage a todo tipo de fruta, à soja, feijão, a nozes, a carne”, conta a mãe, Elaine Ferreira, que precisou mudar todos os hábitos, inclusive de trabalho para cuidar do filho.
Mais que isso. Elaine se transformou em uma verdadeira pesquisadora sobre os tipos de problemas que poderiam estar afetando o filho. Bateu de frente com médicos ao não aceitar diagnósticos que o instinto de mãe não concordavam. Nos instantes em que recebeu a Rádio Cidade estava o tempo todo com um tabletenas mãos, ferramenta adquirida com o propósito e indispensável para buscar informações sobre a doença e médicos que pudessem tratá-la.
O tratamento é radical. Se não levado a sério e à risca, Davi pode desenvolver sintomas graves. Problema gastrointestinal, respiratório, reações na pele, edemas e reação neurológica são alguns dos riscos que ele está exposto.
Depois de muitas idas e vindas a médicos diferentes, Elaine e Jackson chegaram até um profissional no Rio de Janeiro. Um dos mais entendidos no assunto APLV, segundo ela. O detalhe é que a consulta não era barata. Não é: R$ 1.500. Fora os gastos com exames e deslocamentos, pois o profissional tem consultório apenas naquele estado.
Aliado a isso tudo, a família descobriu que um único tipo de leite não causa reação na criança. Mas ele custa caro, entre R$ 190 e R$ 213 cada lata, dependendo do estabelecimento. A saída foi ingressar judicialmente para poder receber ajuda do governo, já que o salário do marido e o dela juntos não cobririam os gastos com a saúde do filho.
“Não temos condições de arcar com esse valor (cerca de R$ 3.000 opor mês). Esse é só do leite, porque tem outros gasto”, desabafa a mãe.
Mas o que deveria ser rápido acabou se tornando um problema e aumentando a aflição da família. Mesmo com decisão favorável da justiça ao pleito impetrado pela Defensoria Pública, determinando que o governo do estado arcasse com parte do leite do menino, o recurso não era liberado. “Liguei lá e deram um prazo de dez dias e depois mais ainda”, conta a mãe aflita.
A liminar determinava que o governo fornecesse o leite até que Davi complete dois anos de idade. Na semana passada, depois de a mãe tornar público o drama nas redes sociais, o governo resolveu se mexer. Segundo ela, o dinheiro não foi depositado na conta determinada pela justiça, mas as 15 latas de leite chegaram às mãos da família. Um alívio por enquanto. Até então, a família contava com ajuda de amigos e apoio de doações feitas por pessoas sensibilizadas pelo problema de Davi. “Não queremos mais isso. É um direito do meu filho”, desabafa ela.
O APLV é a abreviação de Alergia à Proteína do Leite de Vaca. Qualquer alimento ingerido que tenha células deste tipo de leite faz com que o organismo libere anticorpos para atacá-la, entendo que são corpos estranhos. São células inflamatórias, que acabam causando as mais diversas reações.
De acordo com o site especializado em APLV, “ela é mais comum em bebês e crianças e os principais sintomas são: cutâneos (placas vermelhas na pele, coceira, descamação, etc.), gástricos e intestinais (diarreia, sangue nas fezes, intestino preso, vômito, regurgitação, cólicas intensas, etc.), respiratórios (respiração difícil, chiado, etc) e sistêmicos como a anafilaxia”.



