A Câmara de Vereadores de Brusque ainda respira e, ao que parece, vai respirar por um bom tempo os efeitos da eleição indireta para prefeito e vice que realizou no último domingo (5). Prova disso foi o clima ainda latente, na sessão desta terça-feira (7), da disputa em que Bóca Cunha e Rolf Kaestner, ambos do PP, derrotaram Roberto Pedro Prudêncio Neto (PSD) e Danilo Rezini (PMDB) há dois dias.
De volta ao comando do Legislativo, o agora vereador Roberto Prudêncio foi discreto nas menções sobre o fato. Limitou-se, em plenário, a fazer uma espécie de prestação de contas de seu mandato de um ano e dois meses no comando da Prefeitura. Frisou que deixara as contas em dia depois de pegar um orçamento amarrado de Paulo Eccel (PT) (cassado pelo TSE) e com dívida na casa de R$ 9 milhões.
“Foi o maior desafio da minha vida estar à frente do Executivo por 14 meses. Vou fiscalizar incessantemente as ações do Executivo”, disse ele na abertura dos trabalho.
Aos demais coube menções rápidas sobre o pleito, bem como criticas à posição de quem optou contra o que seus partidos haviam definido. Recado direto de André Rezini (PPS) para o PMDB, mais precisamente o voto de Célio de Souza, que ajudou a eleger Bóca e Cunha tendo o vice de sua legenda na chapa opositora.
“É lamentável essa decisão. Achei um ato irresponsável dos vereadores que votaram na chapa 1”, disse na tribuna, afirmando que a situação desencadeará mais um atraso para a cidade.
Mas foi o Judiciário que recebeu maior volume de menções. Para a maioria dos que se pronunciaram, a lentidão e falta de entendimento sobre o caso atrapalhou o processo. Ivan Martins (PSD) destacou isso em seu discurso.
“A confiança que temos ou tínhamos no Judiciário era muito grande. O Judiciário tinha que ser a primeira das reformas que deveríamos fazer. A prioritária no município, no estado e no Brasil”, frisou o pessedista.
Jean Pirola (PP), que voltou à função de vice-presidente da Casa, disse que hoje Brusque paga um preço que não merece. Para ele, enquanto não se fizer uma reforma judiciária e política profundas, muitas cidades vão continuar vivenciando situações como a de Brusque.
Dejair Machado (PSD) foi mais diplomático em relaçãoa o assunto. Comparou a atuação da Câmara a de uma orquestra, que precisa seguir com a apresentação, mesmo se o maestro for trocado.
“Mudamos o maestro, da nossa orquestra sinfônica, mas a banda, a orquestra, tem que continuar tocando. Não é porque mudou o maestro que a banda tem que parar”, frisou.
CONFIRA O QUE FOI VOTADO E APROVADO NA SESSÃO



