Padre Anchieta: passo a passo da canonização

Na Igreja de Santo Inácio de Loyola, na próxima quinta-feira (24), em Roma, às 18h, acontecerá uma missa em ação de graças pela canonização de Anchieta. No dia 3, o papa Francisco assinou o decreto de canonização do beato José de Anchieta, “Apóstolo do Brasil”. Nesta ocasião não houve nenhuma cerimônia, somente a divulgação do decreto da inclusão de São José de Anchieta no álbum dos Santos da Igreja Católica.

Padre Cesar Augusto, vice-postulador da Causa de Canonização de Anchieta e diretor do Programa Brasileiro da Rádio Vaticano, explicou que mesmo o papa sendo Jesuíta, não teria influenciado na causa. “Se ele olhou com outros olhos, foi para ser mais severo. A canonização não partiu do papa, mas sim da conferencia episcopal. Creio que quando o papa recebeu a carta do Ccardeal, Raymundo Damasceno Assis, arcebispo de Aparecida e chamou o cardeal Angelo Amato, responsável pela Congregação para as causas dos santos e disse, veja essa causa. Evidentemente por ser um latino americano e por ser Jesuíta, o papa torcia para tudo desse certo. Ele apenas estava atendo que Anchieta era um dos evangelizadores das américas”, disse o vice-postulador.

No Vaticano, disse o diretor, que no inicio não existia processo de canonização, era o sistema mais tradicional, por aclamação. Um exemplo foi o pedido do povo no enterro do papa João Paulo II. Ao passar dos anos começaram a acontecer alguns abusos. Então o papa fez algumas restrições. Até então não existia a necessidade de ser beato para ser santo. No processo de canonização, existir milagre é algo mais recente. No caso eqüipolência, como no de Anchieta, é algo que aconteceu em vários países e em outros séculos. Segundo ele vários papas já fizeram isso e não é novidade.

Para o diretor, canonizar por equipolência é algo mais antigo que pela causa de milagre. “Não conta na eqüipolência; quem ganha é uma causa antiga, secular e no caso de Anchieta estava entrando no quinto século. Outra linha antiga é a de devoção, e isso aconteceu com Anchieta. Nos últimos meses e percebemos que Anchieta tinha mais de 50 devotos em cada estado da federação”, destacou.

Segundo o religioso, para o Brasil é importantíssima a causa. “Conhecemos Anchieta fora da igreja. Eu conheci Anchieta quando fazia o curso primário em um colégio público e não tinha nada de religioso. Ele foi apresentado como aquele missionário, que veio para o Brasil. Trabalhou com os indígenas e fez muito bem. Para o Brasil e para a Igreja é reconhecer que na origem do país, na origem da evangelização tivemos um santo. Chama atenção pelo seguinte: os colonizadores traziam uma religião de estado e vieram impor o cristianismo e já os jesuítas não. Eles vieram evangelizar e trazer o evangelho, e não vieram impor. Anchieta e os outros se encarnaram na cultura indígena. Aprendizado da língua e evangelizaram conforme os costumes dos índios, através do teatro e da dança. Houve uma assimilação da cultura indígena para passar o evangelho”, relatou.

A vinda de um representante indígena na Igreja de Santo Inácio de Loyola, em Roma, na missa em ação de graças pela canonização de Anchieta, para ele significa que aqueles povos que foram levados à evangelização conservam o evangelho e os ensinamentos de Anchieta. Na cerimônia, o índio irá entregar ao papa um exemplar da gramática da língua Tupi mais falada pelos indígenas na costa do Brasil, escrita pelo padre Anchieta. “O índio vai dizer, olha, continuamos fiéis a Jesus Cristo e agradecemos o trabalho de Anchieta. E ele não confessava colonizador que escravizava indígena. O colonizador tinha que se arrepender e fazer alguma pública de arrependimento. Que nos tenhamos em Anchieta o nosso padroeiro e antecessor nas todas as situações difíceis no Brasil e no mundo todo, já que é colocado como modelo para os homens do mundo todo”, finaliza Augusto.

Texto: Michel Patitucci, direto do Vaticano/especial Rádio Cidade AM

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