O aumento no número de ocorrências de violência contra mulheres não significa que essas situações estão se tornando cada vez mais frequentes, mas sim que há mais vítimas denunciando as agressões sofridas e acreditando no trabalho da polícia. A afirmação foi feita pelo delegado responsável pela Delegacia de Proteção à Criança, à Mulher e ao Idoso (DPCAMI), Alonso Moro Torres, em entrevista ao programa Rádio Revista Cidade, nesta quinta-feira (22).
Para o delegado, não é a falta de estrutura da DPCAMI que explica o crescimento das notificações desse tipo de delito, mas sim o fato de a delegacia estar mais efetiva e apresentando resultados. “É toda e qualquer pessoa poder chegar na unidade e ser bem atendida. Se quiser conversar com o delegado vai conversar. É uma mulher passar a acreditar quando vê que o descumprimento da medida protetiva gerou na prisão do seu agressor. É saber que uma providência vai ser tomada”, pontuou.
Na entrevista, Alonso repassou as estatísticas de 2025 e dos anos anteriores, relacionadas à violência contra mulheres e crianças. À frente da delegacia desde 2023, Torres contou que, naquele ano, em Brusque, foram registrados 1.650 casos de violência doméstica. Esse número aumentou em 2024, com 1.947 registros e, somente até maio de 2025, a Polícia Civil já contabiliza 786 ocorrências.
O levantamento feito pela delegacia aponta que o público mais afetado é o feminino, com 90,43% dos registros. Já os homens correspondem a 9,53%. A faixa etária mais atingida é de 25 a 34 anos, com 30,03%. Os dias com mais episódios são sábado e domingo, somando 22,61% do total. Leia a tabela a seguir:
| Anos | Ameaça | Violência psic. contra a mulher | Descump. medida protetiva de urgência | Perseguição | Estupro de vulnerável |
| 2019 | 314 | - | 8 | - | 11 |
| 2020 | 375 | - | 14 | - | 9 |
| 2021 | 502 | 10 | 40 | 24 | 18 |
| 2022 | 439 | 16 | 37 | 33 | 24 |
| 2023 | 541 | 35 | 39 | 68 | 25 |
| 2024 | 626 | 82 | 77 | 49 | 24 |
| 2025 | 236 | 36 | 38 | 37 | 15 |
Sala Lilás
Moro contou sobre a Sala Lilás, uma iniciativa do Governo Federal e apoiada pelo Delegado-Geral de Santa Catarina, Ulisses Gabriel. O projeto visa à criação de um espaço adequado para que a mulher se sinta à vontade para relatar o ocorrido, com apoio de psicólogos e assistentes sociais, por exemplo. “A ideia da Sala Lilás é de ter um acompanhamento e um atendimento adequado às mulheres. Nós temos esse projeto no radar”, explicou.
Menores de idade
No que tange aos abusos contra crianças, o delegado citou o mais recorrente: o estupro de vulnerável, cometido contra menores de 14 anos, pessoas com deficiência ou sem discernimento da realidade. Muitos desses episódios ocorrem no ambiente familiar. Ele disse: “eu escuto muito a palavra vôdrasto e padrasto”.
De acordo com o delegado, esses abusos muitas vezes são descobertos pela mãe. No entanto, há situações em que a genitora é conivente com o fato. “Não só na violência doméstica, mas também na sexual contra crianças. As mulheres têm uma dependência econômica, psicológica e afetiva, o que a dificulta em fazer acreditar naquilo, na tomada de decisão”, finalizou.
Apesar dos desafios, a DPCAMI tem conseguido efetivar prisões. Em 2024, por exemplo, 20 agressores foram levados à prisão. Denúncias podem ser feitas de forma anônima, através do Disque Denúncia, no 181, disponível 24 horas por dia, todos os dias.



