O programa Conexão 92 desta quinta-feira (3), recebeu Any Gabrielly Morais Senedezi, graduanda em psicologia, Izaias Otaviano, presidente do Sintricomb e a técnica em segurança do trabalho, Cátia, que também participou da conversa. Onde trouxeram para o programa um tema fundamental para os trabalhadores da construção civil: a saúde mental. Os convidados apresentaram os dados de uma pesquisa inédita realizada nos canteiros de obras da região.
Segundo Isaías, o levantamento foi feito com a participação direta dos trabalhadores e revelou dados importantes que devem embasar novas ações do sindicato. “Foi um trabalho que nos deixou muito felizes, porque agora temos informações que mostram como a saúde mental afeta diretamente a produtividade, a segurança e o dia a dia dos nossos profissionais”, destacou.
Any explicou que, embora a pesquisa tenha sido quantitativa e não tenha separado por faixa etária ou função, os dados revelam um panorama claro do setor. “Nosso objetivo foi fazer um diagnóstico da categoria como um todo, sem distinção por idade ou tipo de trabalho, mas já conseguimos ver que questões pessoais interferem no desempenho no canteiro de obras, e vice-versa”, disse.
A técnica em segurança do trabalho, Cátia, também participou da conversa e destacou a importância dos dados levantados. Segundo ela, muitos trabalhadores, especialmente os mais jovens, relataram medo de perder o emprego, mesmo em uma categoria com alta demanda. “É surpreendente ver que mesmo com vagas disponíveis, há um sentimento forte de insegurança”, contou.
Ela também alertou para os riscos que um trabalhador abalado emocionalmente pode enfrentar: “Na nossa área, uma distração pode ser fatal. Se o trabalhador não estiver bem, ele precisa ter a segurança de poder parar e comunicar isso ao encarregado”.
Isaías reforçou que a saúde mental afeta diretamente o rendimento e até o cumprimento de prazos nas obras. “Os acidentes de trabalho muitas vezes são fruto de distrações causadas por problemas emocionais. Isso influencia no afastamento, na produtividade e, claro, na vida do trabalhador”, comentou.
Agora, com os resultados em mãos, o Sintricomb e a equipe de psicologia pretendem desenvolver ações práticas para melhorar o bem-estar da categoria. “A pesquisa apontou que cerca de 70% dos trabalhadores gostam do que fazem. Isso é um ponto muito positivo, e vamos trabalhar para que esse ambiente seja cada vez mais saudável”, concluiu Isaías.
Any também afirmou que um plano de ações já está sendo elaborado para transformar os dados em iniciativas concretas de apoio psicológico e emocional aos trabalhadores da construção civil.




