No Rádio Revista Cidade desta sexta-feira (18), o prefeito de Botuverá, Victor Wietcowsky, fez um balanço dos primeiros seis meses e meio à frente da administração municipal. Entre desafios herdados e projetos em andamento, o gestor falou sobre a situação orçamentária, obras estratégicas e o cenário político local.
Victor destacou que este início de mandato tem sido voltado à identificação de problemas e diagnóstico estrutural. “Estamos trabalhando com um orçamento elaborado pela gestão anterior, o que limita muitas ações. Só em gastos com oficinas, por conta de uma frota antiga, já somamos R$ 1,1 milhão em seis meses”, afirmou. Segundo ele, uma das metas é renovar o maquinário e otimizar a gestão de frota para reduzir custos.
O prefeito também comentou mudanças no secretariado e destacou a chegada de nomes como o Secretário Municipal de Saúde o novo titular da pasta, Luís Fernando Sanni. Natural de Brusque, Sanni é formado em Contabilidade e possui especializações em Gestão de Saúde Pública, que hoje integra sua equipe.
Entre os projetos em andamento, deu ênfase à obra da subestação da Celesc. A prefeitura concluiu a terraplanagem do terreno com recursos próprios, mesmo sem previsão orçamentária. “Foi necessário elaborar uma lei autorizando o uso de máquinas municipais em terreno da Celesc. Assim que sancionamos a lei, no dia seguinte as máquinas já estavam no local”, contou.
Sobre o cronograma, a expectativa é concluir os trabalhos de preparação em até três meses, prazo compatível com o edital de licitação da Celesc. Victor reforçou que o investimento, ainda sem valor fechado, será integralmente coberto com recursos do município.
Outro tema abordado foi a adesão de Botuverá ao programa Estrada Boa, do governo estadual, que prevê investimentos de até R$ 12 milhões em vias rurais, sendo metade financiada sem juros e a outra bancada pelo Estado. Para isso, o município já iniciou o mapeamento das estradas elegíveis, que precisam estar em áreas rurais e atender critérios técnicos, como acesso a cooperativas ou comunidades agrícolas. “Estamos nos antecipando e elaborando nosso edital próprio, caso o processo consorciado com a ANVI demore”, afirmou.
Victor também comentou os desafios operacionais que o programa pode enfrentar, como escassez de empresas para executar as obras diante da demanda simultânea de quase 300 municípios catarinenses. Ainda assim, ele considera a proposta uma grande oportunidade, especialmente para comunidades como a do Lajeado, de perfil turístico, que já está mapeada para receber pavimentação.
A entrevista também abordou a relação com a Câmara de Vereadores e a atuação da oposição. Segundo o prefeito, parte da fiscalização é natural, mas há também motivações políticas, intensificadas pela judicialização de seu mandato. “Sabemos que existe uma possível nova eleição no horizonte. Mas decidimos focar no trabalho e deixar a questão jurídica com os advogados”, declarou.
Sobre a aguardada barragem de Botuverá, Victor reforçou sua preocupação com os impactos sociais da obra. “Não se pode construir algo que gere bônus ao Estado e ônus ao município. Precisamos discutir com a comunidade o que é necessário para atender a essa demanda, como escolas, postos de saúde e estrutura urbana”, defendeu. Segundo ele, ainda há indefinições sobre o projeto, que inicialmente previa usos múltiplos, incluindo turismo, energia e abastecimento, mas que agora estaria voltado apenas à contenção de cheias. “Uma barragem seca não gera turismo, nem resolve problemas históricos de água e energia para nossa população”, alertou.
Apesar de o governo estadual afirmar que a licitação da barragem sairá em 60 dias, Victor adotou cautela. “Esse projeto está sendo discutido desde 1987. Promessas foram feitas, valores questionados, estudos refeitos. Então, colocar datas é assumir um risco alto”, concluiu.




