No programa Rádio Revista Cidade desta terça-feira (22), a escritora e pesquisadora Maria do Carmo Ramos Krieger apresentou um projeto que busca resgatar o hábito de escrever cartas entre crianças do ensino fundamental. A proposta, desenvolvida com turmas do quarto ano, incentiva os alunos a expressarem seu cotidiano por meio da escrita à mão e a vivenciarem a experiência de ir até uma agência dos Correios para enviar suas correspondências.
“O nosso projeto é voltado para que as crianças contem sobre o universo delas, o que vivem, como veem o mundo. É também uma maneira de estimular o contato com a escrita manual, que anda tão esquecida, e permitir que conheçam o funcionamento dos Correios”, explicou Maria do Carmo. Segundo ela, esse tipo de vivência é importante em tempos dominados pelas telas e pela comunicação digital instantânea.
Durante a entrevista, a escritora também destacou a existência do programa federal Selo Social, que permite o envio de cartas manuscritas de até 20 gramas por apenas um centavo. Cada pessoa pode enviar até cinco cartas por dia dentro dessas condições. As correspondências recebidas pela autora serão respondidas individualmente, com agradecimentos e comentários, criando um verdadeiro diálogo entre gerações.
“Queremos mostrar para as crianças que existe um mundo além das mídias, um universo mais lento, mas muito mais significativo em termos de afeto e memória”, disse. A proposta tem apoio do Clube Filatélico Brusquense, presidido por Jorge Paulo Krieger Filho, que também atua na valorização da cultura postal e da filatelia na cidade.
Maria do Carmo relembrou ainda sua introdução à filatelia, influenciada por seu pai e por Ayres Gevaerd, um dos fundadores do clube. “Ele me presenteou com selos e álbuns, coisas que hoje são raras. Ontem, inclusive, tivemos o lançamento de um selo comemorativo aos 90 anos do clube, com direito a obliteração especial”, relatou.
Durante o programa, um momento emocionante foi a leitura de um poema datilografado escrito em 1993 pelo avô do apresentador Rodrigo Santos. O soneto, preservado em papel já amarelado pelo tempo, simbolizou o valor afetivo e histórico que as palavras escritas podem carregar.
Além de falar sobre o projeto das cartas, Maria do Carmo refletiu sobre os desafios da educação em tempos digitais. Criticou o uso excessivo de celulares por crianças e destacou a importância de regras e limites impostos por pais e educadores. “Escrever, desenhar, se expressar sem a intermediação de uma tela é fundamental para desenvolver a criatividade e preservar a saúde emocional e postural das crianças”, afirmou.



