No Conexão 92 desta segunda-feira (25), a coordenadora do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) em Brusque, enfermeira Aline Cunha, profissional experiente e reconhecida pela população pelo trabalho que desenvolve há anos na área da saúde, destacou a importância do serviço prestado pela equipe local e os desafios enfrentados diante do crescimento populacional e da alta demanda por atendimentos.
Estrutura atual e cobertura
Implantado em 2006, o SAMU de Brusque atua em conjunto com Guabiruba e Botuverá, cobrindo uma área de 759 km² com apenas uma unidade de suporte básico. Esse modelo, previsto em portaria do Ministério da Saúde, estabelece que a tripulação da unidade básica conte com um condutor socorrista e um técnico de enfermagem. Já as unidades de suporte avançado, de responsabilidade do Estado, funcionam como UTIs móveis, com médico, enfermeiro e equipamentos para casos graves.
Apesar de Brusque dispor atualmente de três viaturas, apenas uma equipe está habilitada para atender, o que limita a utilização plena dos veículos. As demais funcionam como reserva técnica, principalmente em períodos de manutenção.
Crescimento da demanda
Segundo Aline, os atendimentos aumentaram 80% desde 2014. Naquele ano, foram registradas 1.866 ocorrências. Em 2024, o número saltou para 3.391 atendimentos, o que representa uma média de 300 por mês. Entre os fatores estão o envelhecimento da população, maior incidência de doenças crônicas como hipertensão e diabetes, além do crescimento urbano e do trânsito cada vez mais intenso.
Estudo sobre motolâncias e novas equipes
Com o aumento da demanda, a coordenação do SAMU estuda alternativas para ampliar a cobertura, entre elas a implantação de uma segunda equipe de suporte básico e a análise da viabilidade de motolâncias, recurso já utilizado em grandes centros e testado em cidades catarinenses como Balneário Camboriú. Aline ressalta, porém, que mais de 50% dos pacientes atendidos precisam ser conduzidos ao hospital, o que reforça a necessidade de ampliar o número de ambulâncias.
Tempo de resposta e trotes
Um dos pontos abordados na entrevista foi o tempo de resposta das chamadas feitas ao 192, cuja central de regulação médica está localizada em Blumenau e atende 42 municípios da região. Aline explicou que o protocolo exige uma triagem inicial para identificar a gravidade da ocorrência e definir se será enviada uma ambulância básica, avançada, bombeiros ou até mesmo o helicóptero Arcanjo.
Em 2024, mais de 3,6 mil ligações foram trotes, o que ainda compromete a agilidade do serviço. "Infelizmente, ainda lidamos com esse problema, e por isso as perguntas são necessárias para evitar deslocamentos desnecessários e priorizar os casos mais urgentes", explicou.
Custos e financiamento
O financiamento do SAMU é tripartite, envolvendo União, Estado e Município. Aline destacou que a unidade de suporte básico de Brusque recebe atualmente R$ 28 mil por mês, valor que precisa cobrir salários, insumos e manutenção. Como os custos ultrapassam esse montante, a Prefeitura arca com a diferença para manter o serviço ativo. “O recurso não acompanha a inflação, mas seguimos firmes porque sabemos a diferença que o SAMU faz na vida da comunidade”, afirmou.
Integração com os Bombeiros
Outro avanço citado foi a integração com o Corpo de Bombeiros, formalizada em 2017, que reduziu a confusão da população sobre a quem recorrer em emergências. “Hoje, quem liga para o 192 ou 193 é atendido. Trabalhamos de forma conjunta, em harmonia, e isso trouxe mais confiança para a população”, destacou.



